Jó 6

Comparação de versões
Escolha as versões (até 4)
# NBV NAA
1 Então Jó respondeu a seu amigo Elifaz: Então Jó respondeu:
2 “Ah, se alguém pudesse pesar a minha aflição e o meu sofrimento, e pôr numa balança a minha desgraça! “Ah! Se a minha queixa, de fato, pudesse ser pesada, e contra ela, numa balança, se pusesse a minha miséria,
3 Você veria que a minha dor é mais pesada do que toda a areia do mar. Por isso falei com tanta impetuosidade. esta, na verdade, pesaria mais que a areia dos mares. Por isso é que as minhas palavras foram precipitadas.
4 O Todo-poderoso me castigou com as suas flechas, e o meu espírito está envenenado por causa delas. Deus me castigou com toda espécie de sofrimento e dor. Porque as flechas do Todo-Poderoso estão cravadas em mim, e o meu espírito sorve o veneno delas; os terrores de Deus se armam contra mim.
5 Pense bem: Por acaso o jumento selvagem zurra quando tem capim? E o boi muge, se tiver seu pasto? Será que o jumento selvagem zurra quando está junto à relva? Ou será que o boi berra junto ao seu pasto?
6 Por acaso se come sem sal uma comida que não tem gosto? E a clara do ovo, tem algum sabor? Pode-se comer sem sal o que é insípido? Ou haverá sabor na clara do ovo?
7 Recuso-me a tocar nisso; essa comida me causa repugnância. Aquilo que a minha alma recusava tocar, isso é agora a minha comida repugnante.”
8 “Quem dera Deus ouvisse o meu pedido e atendesse ao meu desejo! “Quem dera que se cumprisse o meu pedido, e que Deus me concedesse o que desejo!
9 Quem dera que ele me esmagasse e com sua mão me eliminasse! Que fosse do agrado de Deus esmagar-me, que soltasse a sua mão e acabasse comigo!
10 Assim, mesmo sofrendo e morrendo, eu ainda teria um consolo; estou inocente em meio à dor implacável, diante do Santo Deus, pois não nego a sua palavra. Isto ainda seria a minha consolação, e eu saltaria de contente na minha dor, que é implacável; porque não tenho negado as palavras do Santo.
11 “Que esperança posso ter, se já não tenho mais forças para continuar vivendo? Por que demorar tanto se o meu fim é certo? Por que esperar, se já não tenho forças? Por que prolongar a vida, se o meu fim é certo?
12 Será que Deus pensa que sou feito de pedra, ou de bronze, que não sinto dor? Por acaso a minha força é a força da pedra? Ou é de bronze a minha carne?
13 Não, eu morrerei sem receber ajuda, e não há ninguém que me ajude neste sofrimento! Não encontro socorro em mim mesmo; foram afastados de mim os meus recursos.”
14 “O amigo deve mostrar compreensão e ajuda na hora da dificuldade, mas vocês estão me tratando como se eu tivesse abandonado o temor do Todo-poderoso. “Ao aflito deve o amigo mostrar compaixão, mesmo ao que abandonou o temor do Todo-Poderoso.
15 Vocês, que são como irmãos para mim, acabaram me tratando falsamente. Vocês são como os riachos que correm montanha abaixo, até o fundo dos vales. Meus irmãos me enganaram; são como um ribeiro, como a torrente que transborda no vale,
16 Quando a neve e o gelo do inverno derretem, eles correm cheios e rápidos, turvada com o gelo e com a neve que nela se esconde,
17 mas quando vem o calor, eles param de fluir, e no verão eles desaparecem dos seus leitos. torrente que seca quando o tempo aquece, e que no calor desaparece do seu lugar.
18 As caravanas saem da sua rota; sobem para lugares desertos e acabam morrendo ali. As caravanas se desviam dos seus caminhos, sobem para lugares desolados e perecem.
19 As caravanas de mercadores vindas de Temá procuram esses riachos; cheios de esperança olham os mercadores de Sabá. As caravanas de Temá procuram essa torrente, os viajantes de Sabá por ela suspiram.
20 Ficam tristes, porque estavam confiantes; acabam ficando decepcionados, pois não encontram água para beber. Ficam envergonhados por terem confiado; quando chegam ali, ficam decepcionados.
21 Vocês são como esses riachos para mim; eu esperava encontrar ajuda, mas vocês se afastaram, espantados com a minha desgraça. Assim também vocês não me ajudaram em nada; veem os meus males e ficam com medo.
22 Por acaso eu pedi alguma coisa de vocês, ou que me dessem algum presente? Por acaso pedi que me dessem recompensa? Ou que da riqueza de vocês me trouxessem algum presente?
23 Por acaso pedi que me livrassem do inimigo? Ou que me livrassem das mãos de quem me oprime? Será que pedi que me livrassem do poder do opressor? Ou que me resgatassem das mãos dos tiranos?”
24 “Tudo que eu quero é uma explicação para todo esse sofrimento; eu me calarei, se alguém me mostrar os erros que cometi. “Ensinem-me, e eu me calarei; mostrem-me em que tenho errado.
25 Quão dolorosas são as palavras honestas! Mas o que prova a acusação de vocês? Como são persuasivas as palavras retas! Mas o que é que a repreensão de vocês repreende?
26 Por acaso vocês pretendem corrigir o que digo, querem tratar as palavras de um homem desesperado como se elas fossem como vento? Por acaso vocês pensam em reprovar as minhas palavras, ditas por um desesperado ao vento?
27 Vocês seriam capazes de vender um órfão como escravo ou de trair o melhor amigo por um punhado de dinheiro. Até sobre um órfão vocês lançariam sortes e seriam capazes de vender um amigo!
28 Olhem para mim, por favor! Eu não seria capaz de mentir para vocês, meus amigos! Agora, pois, tenham a bondade de olhar para mim e vejam que não estou mentindo na cara de vocês.
29 Não me considerem culpado tão depressa! Julguem o meu caso mais uma vez e sejam bem sinceros; vocês verão que não mereço este sofrimento. Por favor, mudem de parecer, e que não haja injustiça; mudem de parecer, e a justiça da minha causa triunfará.
30 Ou vocês pensam que sou mentiroso? Será que não sei mais discernir o que é certo e o que é errado e admitir o meu erro se tivesse cometido algum pecado? Há iniquidade em meus lábios? Será que a minha boca não consegue discernir coisas perniciosas?”