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1
Eu sou a rosa de Sarom, o lírio dos vales.
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2
Qual o lírio entre os espinhos, tal é a minha querida entre as donzelas.
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3
Qual a macieira entre as árvores do bosque, tal é o meu amado entre os jovens; desejo muito a sua sombra e debaixo dela me assento, e o seu fruto é doce ao meu paladar.
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4
Leva-me à sala do banquete, e o seu estandarte sobre mim é o amor.
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5
Sustentai-me com passas, confortai-me com maçãs, pois desfaleço de amor.
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6
A sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça, e a direita me abrace.
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7
Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, pelas gazelas e cervas do campo, que não acordeis, nem desperteis o amor, até que este o queira.
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8
Ouço a voz do meu amado; ei-lo aí galgando os montes, pulando sobre os outeiros.
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9
O meu amado é semelhante ao gamo ou ao filho da gazela; eis que está detrás da nossa parede, olhando pelas janelas, espreitando pelas grades.
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10
O meu amado fala e me diz: Levanta-te, querida minha, formosa minha, e vem.
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11
Porque eis que passou o inverno, cessou a chuva e se foi;
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12
aparecem as flores na terra, chegou o tempo de cantarem as aves, e a voz da rola ouve-se em nossa terra.
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13
A figueira começou a dar seus figos, e as vides em flor exalam o seu aroma; levanta-te, querida minha, formosa minha, e vem.
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14
Pomba minha, que andas pelas fendas dos penhascos, no esconderijo das rochas escarpadas, mostra-me o rosto, faze-me ouvir a tua voz, porque a tua voz é doce, e o teu rosto, amável.
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15
Apanhai-me as raposas, as raposinhas, que devastam os vinhedos, porque as nossas vinhas estão em flor.
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16
O meu amado é meu, e eu sou dele; ele apascenta o seu rebanho entre os lírios.
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17
Antes que refresque o dia e fujam as sombras, volta, amado meu; faze-te semelhante ao gamo ou ao filho das gazelas sobre os montes escabrosos.
Recurso de Estudo
Versículos 1-7: O mútuo amor de Cristo e sua Igreja; 8-13: A esperança e a chamada da Igreja; 14-17: O cuidado de Cristo pela Igreja; a fé e a esperança da Igreja.
Vv. 1-7. Os crentes são formosos, porque estão vestidos com a justiça de Cristo; e perfumados, por estarem adornados com a graça de seu Espírito; eles florescem sob os refrescantes raios do Sol da justiça. O lírio é uma planta muito nobre no oriente; cresce até uma altura considerável, mas possui um talo frágil. A Igreja em si mesma é frágil, mas aquEle em que ela se sustém é forte. As pessoas más, as filhas deste mundo que não têm amor por Cristo, são como espinhos, sem valor e inúteis, nocivos e daninhos. As corrupções são espinhos na carne; porém, o lírio, que agora está entre espinhos, será plantado naquele paraíso onde não há maldades nem espinhos. O mundo é uma árvore estéril para a alma; porém, Cristo é a frutífera. Quando as pobres almas estão secas sob a convicção do pecado, com os terrores da lei ou os problemas deste mundo, cansadas e sobrecarregadas, devem procurar repouso em Cristo. Não é suficiente passarmos debaixo de sua sombra; devemos nos assentar debaixo dela. Os crentes têm experimentado que o Senhor Jesus é bom. Seus frutos são todos os preciosos privilégios do novo pacto, comprados por seu sangue e revelados por seu Espírito; são promessas doces para o crente, e os preceitos também. Os perdões são doces, e a paz de consciência também. Se as nossas bocas estão amargas pelos prazeres do pecado, os consol(Js do Pai nos serão doces. Cristo leva a alma a buscar e encontrar consolo por meio de suas ordenanças, que são como uma casa de banquete, onde os seus santos festejam com Ele. O amor de Cristo, manifestado por sua morte e por sua Palavra, é a bandeira que Ele estende aos crentes que a Ele recorrem. Melhor para a alma é estar enferma de amor por Cristo, do que estar saciada com o amor deste mundo! Mesmo que Cristo tenha se retirado, ainda era uma ajuda muito presente. Todos os seus santos estão em suas mãos, que ternamente sustêm as suas cabeças doloridas. Quando encontra a Cristo próximo de si, a alma se preocupa muito para que a sua comunhão com Ele não seja interrompida. Contristamos facilmente o Espírito Santo com os nossos maus temperamentos. Os que têm consolo devem temer pecar e perdê-lo.
Vv. 8-13. A Igreja se compraz com pensamentos de grande comunhão com Cristo. Nada fora disto pode falar ao coração. Ela o vê vindo. Isto pode ser aplicado à perspectiva que os santos do Antigo Testamento tinham da encarnação de Cristo, vem feliz com sua incumbência, vem rapidamente. Ainda quando Cristo parece abandonar, não é senão por apenas um momento; logo retornará com eterna benignidade. Os santos do Antigo Testamento o viram através dos sacrifícios e instituições cerimoniais. Nós o vemos como que através de um vidro no escuro, como se manifesta através de uma grade. Cristo convida o novo convertido a se levantar da preguiça e da depressão, e a abandonar os pecados e as vaidades mundanas, para unir-se a Ele e ter comunhão com Deus. O inverno pode representar muitos anos ruins, infrutíferos e miseráveis, passados na ignorância e no pecado, ou em tormentas e tempestades que acompanharam sua convicção de culpa e perigo. Até as frutas verdes da santidade são agradáveis para aquEle cujo favor divino as tem produzido. Todas estas qualidades e provas do favor divino são motivos para que a alma siga plenamente a Cristo. Levante-se então, e afaste-se do mundo e da carne, e venha à comunhão com Cristo. Esta mudança bendita deve-se totalmente à aproximação e influência do sol da justiça.
Vv. 14-17. A Igreja é a pomba de Cristo. Ela regressa a Ele, como a seu Noé. Cristo é a Rocha, o único em quem ela pode sentir-se a salvo e encontrar-se segura, como a pomba na fenda de uma rocha se sente segura quando atacada pelas aves de rapina. Cristo a chama para que venha diretamente ao trono da graça, onde se encontra o sumo sacerdote, para perguntar qual é a sua petição. Fala livremente. Não temas a rejeição nem o desprezo. A voz da oração é doce e aceitável para Deus; os que são santificados têm a maior beleza. Os primeiros resquícios de pensamentos e desejos pecaminosos, os princípios de buscas fúteis que desperdiçam o tempo, as visitas triviais, os pequenos desvios da verdade, o que quer que seja que admita algo de conformidade com o mundo, todos estes e muito mais são pequenas raposas, que destroem as suas graças e consolos e reprimem os bons princípios. Devemos deixar de lado tudo o que seja um empecilho para nós, em relação àquilo que é bom. Ele se alimentou entre os lírios; isto mostra a graciosa presença de Cristo entre os crentes. Ele é amável com todo o seu povo. Eles devem crer nisto quando estão abandonados e ausentes, para poderem resistir às tentações. As sombras da dispensação judaica foram dissipadas pela aurora do Evangelho, e depois de uma noite de abandono, virá um dia de consolo, suba aos montes de Beter, "os montes que dividem", e espere por este dia de luz e amor. Cristo virá sobre cada monte divisório, para que Ele mesmo nos leve para o seu lar.
Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público