• 1 O insensato diz no seu coração: Deus não existe. Todos se corrompem e praticam abominações; não há quem faça o bem.
  • 2 O SENHOR olha do céu para os filhos dos homens, para ver se há alguém que tenha entendimento, que busque a Deus.
  • 3 Todos se desviaram e juntos se corromperam; não há quem faça o bem, não há um sequer.
  • 4 Por acaso nenhum dos malfeitores compreende? Eles devoram o meu povo como quem come pão e não invocam o SENHOR!
  • 5 Serão tomados de grande pavor, porque Deus está no meio dos justos.
  • 6 Quereis frustrar os planos dos pobres, mas o SENHOR é o refúgio deles.
  • 7 Ah, se de Sião viesse a salvação de Israel! Quando o SENHOR trouxer de volta os cativos do seu povo, então Jacó se regozijará e Israel se alegrará.

A descrição da depravação da natureza humana, e a deplorável corrupção de uma grande parte da humanidade. Disse o néscio em seu coração: "Não há Deus". Aqui, o pecador é descrito como um ateu, alguém que não crê na existência de um Juiz e Soberano no mundo, nem providência divina que regule os assuntos dos homens. Disse isto em seu coração. Não pode satisfazer-se pelo fato de Deus existir, e deseja que Deus não existisse, e tem prazer em pensar na possibilidade da não existência dEle; está disposto a pensar que não há Deus algum. Este pecador é um néscio, simples e imprudente, e esta sua característica fica evidente; é mau e profano, e esta é a causa de toda a questão. A Palavra de Deus discerne estes pensamentos. Nenhum homem pode dizer: "Não há Deus", sem que esteja a tal ponto endurecido no pecado, que tenha como seu especial interesse a nãoexistência de alguém que o chame a prestar contas. A enfermidade do pecado infectou toda a raça humana. "Todos se desviaram; não há quem faça o bem, não há nem sequer um". Tudo de bom que possa haver em qualquer dos filhos dos homens, ou o que eles façam, não é deles mesmos, mas é a obra de Deus neles. Desviaram-se do reto caminho do seu dever, do caminho que leva à felicidade, e voltaram-se à senda do destruidor. Lamentemos a corrupção de nossa natureza, e vejamos quanta necessidade temos da graça de Deus: não nos maravilhemos de que se nos diga que devemos nascer de novo. E não devemos confiar em algo que não seja a união com Cristo e a nova criação para a santificação por seu Espírito. O salmista propõe-se a convencer os pecadores quanto ao mal e o perigo do caminho em que andam, enquanto acreditam que são muito sábios e bons e sentem-se seguros. A maldade destes ímpios é descrita. Os que não se interessam pelo povo de Deus, ou pelos pobres de Deus, não se interessam pelo próprio Deus. O povo envolve-se em toda forma de maldade, porque não invoca a Deus, a fim de pedir a sua graça. O que se pode esperar de bom dos que vivem sem orar? Porém, os que não temem a Deus podem ser arrastados pelo temor quando uma simples folha de árvore crepita. Todo o nosso conhecimento da depravação da natureza humana deve nos fazer apreciar ainda mais a salvação que vem de Sião. Porém, somente no céu toda a multidão dos remidos terá gozo completo e eterno. O mundo é mau; que o Messias mude o caráter do mundo! A corrupção é universal; que cheguem os tempos da reforma! Os triunfos do Rei de Sião serão o gozo de seus filhos. A segunda vinda de Cristo, para finalmente terminar o domínio do pecado e de Satanás, será o ponto culminante desta salvação, que é a esperança e será o gozo indubitável de cada israelita. Por termos esta segurança, devemos nos consolar uns aos outros, enquanto enfrentarmos os pecados dos pecadores e o sofrimento dos santos.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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