Jó 29

Comparação de versões
Escolha as versões (até 4)
# OL NAA
1 E Job prossegue: Jó continuou em sua fala, dizendo:
2 “Oh! Quem me dera aqueles anos em que Deus tomava conta de mim! “Ah! Quem me dera ser como fui nos meses passados, como nos dias em que Deus cuidava de mim!
3 Em que me iluminava o caminho e eu andava com segurança pela escuridão. Quando Deus fazia resplandecer a sua lâmpada sobre a minha cabeça, quando eu, guiado por sua luz, caminhava na escuridão.
4 Sim, na minha mocidade, o amor de Deus era coisa sensível no meu lar! Quem me dera ser como fui nos dias do meu vigor, quando a amizade de Deus estava sobre a minha tenda,
5 O Todo-Poderoso ainda estava comigo e eu vivia rodeado dos meus filhos. quando o Todo-Poderoso ainda estava comigo, e os meus filhos estavam ao meu redor,
6 Os meus projetos iam avante, como se andasse sobre um chão suave; era como se das próprias rochas brotassem torrentes de azeite sobre mim! quando eu lavava os meus pés em leite, e da rocha me corriam rios de azeite.
7 Nesses tempos ia até à entrada da cidade e lá me sentava entre os respeitáveis anciãos. Quando eu me dirigia até o portão da cidade e mandava preparar o meu assento na praça,
8 Os jovens, quando me viam, afastavam-se do meu caminho, e até as pessoas mais velhas se levantavam; ficavam respeitosamente de pé, quando me aproximava. os moços me viam e se retiravam, e os idosos se levantavam e ficavam em pé.
9 Os príncipes ouviam-me em silêncio; se falavam, mediam bem o que diziam. Os príncipes reprimiam as suas palavras e punham a mão sobre a boca.
10 Até os mais altos magistrados da cidade preferiam calar-se na minha presença. A voz dos nobres emudecia, e a língua deles se apegava ao céu da boca.”
11 Toda a gente aprovava o que eu dizia; todos os que me conheciam diziam bem de mim. “O ouvido que me ouvia dizia que eu era feliz; o olho que me via dava testemunho de mim,
12 Porque eu ajudava os pobres nas suas necessidades e os órfãos que não tinham quem os socorresse. porque eu livrava os pobres que pediam ajuda e também o órfão que não tinha quem o socorresse.
13 Também auxiliei aqueles que estavam prestes a perecer e que assim me abençoaram. Fiz com que o coração das viúvas rejubilasse de alegria. A bênção do que estava prestes a perecer vinha sobre mim, e eu fazia o coração da viúva cantar de alegria.
14 A retidão era a roupa com que me vestia; revesti-me da justiça como de um turbante. Eu me cobria de retidão, e ela me servia de roupa; a minha justiça era como um manto e um turbante.
15 Servi de vista para os cegos e de pés para os coxos. Eu era os olhos do cego e os pés do aleijado.
16 Fui como um pai para os pobres e inquiri cuidadosamente as causas em tribunal, até de estrangeiros. Era pai dos necessitados e até as causas dos desconhecidos eu examinava.
17 Quebrei as garras aos ímpios opressores e arranquei-lhes dos dentes as vítimas. Eu quebrava os queixos dos iníquos e arrancava as vítimas dos dentes deles.”
18 Eu pensava assim: Com certeza, hei de morrer sossegado, no meu lar, no fim duma vida longa e boa. “Eu dizia: ‘Vou morrer no meu ninho, e multiplicarei os meus dias como a areia.
19 As minhas raízes chegam até às águas e o orvalho desce de noite sobre os meus ramos. As minhas raízes se estenderão até as águas, e o orvalho ficará durante a noite sobre os meus ramos.
20 A minha vida renova-se dentro de mim e o meu arco ganha força na minha mão. A minha honra se renovará em mim, e o meu arco se reforçará na minha mão.’”
21 Toda a gente me ouvia com atenção e aceitava o meu conselho; ninguém mais abria a boca, enquanto eu falava. “Os que me ouviam esperavam o meu conselho e guardavam silêncio para ouvi-lo.
22 E mesmo depois de ter falado, ninguém mais tinha nada a dizer, porque a minha opinião convencia toda a gente. Depois que eu falava, não diziam nada; as minhas palavras caíam sobre eles como orvalho.
23 Aliás, as pessoas esperavam pelas minhas intervenções bebendo-as com avidez, tal como a terra absorve as chuvas tardias da primavera. Esperavam-me como se espera a chuva, abriam a boca como para absorver a chuva fora de época.
24 Quando alguém se encontrava desencorajado, se eu lhe sorria, retomava alento e o seu espírito abria-se. Quando eu sorria para eles, nem acreditavam; e a luz do meu rosto eles não desprezavam.
25 Dizia-lhes o que deviam fazer e corrigia-os, tal como faz um chefe ou general que instrui as suas tropas. Na minha pessoa, encontravam sempre alguém que consolava aqueles que choram. Eu escolhia o caminho para eles, assentava-me como chefe e vivia como rei entre as suas tropas; eu era como quem consola os que pranteiam.”