Jó 30

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# ALM1911 NAA
1 Porém agora se riem de mim os de menos edade do que eu, cujos paes eu teria desdenhado de pôr com os cães do meu rebanho. “Mas agora zombam de mim os que têm menos idade do que eu, cujos pais eu não teria aceito nem para colocar ao lado dos cães do meu rebanho.
2 De que tambem me serviria a força das suas mãos?já de velhice se tinham esgotado n'elles. De que também me serviria a força de suas mãos, se eles são homens cujo vigor já desapareceu?
3 De mingua e fome andavam sós, e recolhiam-se para os logares seccos, tenebrosos, assolados e desertos. Enfraqueceram de tanto passar fome e necessidade; roem a terra seca, desde muito em ruínas e desolada.
4 Apanhavam malvas junto aos arbustos, e o seu mantimento eram as raizes dos zimbros. Apanham malvas e folhas de arbustos e se alimentam de raízes de zimbro.
5 Do meio dos homens foram expulsos, e gritavam contra elles, como contra o ladrão: São expulsos do meio das pessoas; grita-se contra eles, como se grita atrás de um ladrão.
6 Para habitarem nos barrancos dos valles, e nas cavernas da terra e das rochas. Têm de morar nos desfiladeiros sombrios, nas cavernas da terra e das rochas.
7 Bramavam entre os arbustos, e ajuntavam-se debaixo das ortigas. Uivam entre os arbustos e se ajuntam debaixo dos espinheiros.
8 Eram filhos de doidos, e filhos de gente sem nome, e da terra foram expulsos. São filhos de doidos, gente sem nome, e são escorraçados da terra.”
9 Porém agora sou a sua canção, e lhes sirvo de rifão. “Mas agora sou a canção de deboche dessa gente; sirvo de provérbio no meio deles.
10 Abominam-me, e fogem para longe de mim, e do meu rosto não reteem o seu escarro. Eles me detestam, fogem para longe de mim e não têm receio de me cuspir no rosto.
11 Porque Deus desatou o meu cordão, e me opprimiu, pelo que sacudiram de si o freio perante o meu rosto. Deus afrouxou a corda do meu arco e me oprimiu; por isso, sacudiram de si o freio diante de mim.
12 Á direita se levantam os moços; empurram os meus pés, e preparam contra mim os seus caminhos de destruição. À minha direita se levanta um bando e me empurra, e contra mim prepara o seu caminho de destruição.
13 Desbarataram-me o meu caminho: promovem a minha miseria: não teem ajudador. Arruínam o meu caminho; promovem a minha destruição sem a ajuda de ninguém.
14 Veem contra mim como por uma grande brecha, e revolvem-se entre a assolação. Vêm contra mim como por uma grande brecha e se revolvem avante no meio das ruínas.
15 Sobrevieram-me pavores; como vento perseguem a minha honra, e como nuvem passou a minha felicidade. Sobrevieram-me pavores; a minha honra é como que varrida pelo vento; como nuvem passou a minha felicidade.”
16 E agora derrama-se em mim a minha alma: os dias da afflicção se apoderaram de mim. “Agora a minha alma se derrama dentro de mim; os dias da aflição se apoderam de mim.
17 De noite se me traspassam os meus ossos, e os pulsos das minhas veias não descançam. A noite perfura os meus ossos, e o mal que me corrói não descansa.
18 Pela grandeza da força das dôres se demudou o meu vestido, e elle como o cabeção da minha tunica me cinge. Pela grande violência do meu mal está desfigurada a minha roupa; este mal me envolve como a gola da minha túnica.
19 Lançou-me na lama, e fiquei similhante ao pó e á cinza. Deus me lançou na lama, e me tornei semelhante ao pó e à cinza.”
20 Clamo a ti, porém tu não me respondes: estou em pé, porém para mim não attentas. “Clamo a ti, ó Deus, e não me respondes; estou em pé, mas apenas olhas para mim.
21 Tornaste-te a ser cruel contra mim: com a força da tua mão resistes violentamente. Tu foste cruel comigo; e, com a força da tua mão, me atacas.
22 Levantas-me sobre o vento, fazes-me cavalgar sobre elle, e derretes-me o ser. Tu me levantas sobre o vento e me fazes cavalgá-lo; no estrondo da tempestade me jogas de um lado para outro.
23 Porque eu sei que me levarás á morte e á casa do ajuntamento determinado a todos os viventes. Pois eu sei que me levarás à morte e à casa destinada a todos os vivos.”
24 Porém não estenderá a mão para o montão de terra, se houve clamor n'elles contra mim na sua desventura. “Não é fato que de um montão de ruínas um homem estenderá a sua mão? E, na sua desventura, não levantará um grito por socorro?
25 Porventura, não chorei sobre aquelle que estava afflicto? ou não se angustiou a minha alma pelo necessitado? Por acaso, não chorei por aquele que atravessava dias difíceis? Não se angustiou a minha alma pelo necessitado?
26 Todavia aguardando eu o bem, então me veiu o mal, e esperando eu a luz, veiu a escuridão. Quando eu esperava o bem, eis que me veio o mal; esperava a luz, e veio a escuridão.”
27 As minhas entranhas ferveram e não estão quietas: os dias da afflicção me surprehenderam. “O meu íntimo se agita sem cessar; e dias de aflição me sobrevêm.
28 Denegrido ando, porém não do sol, e, levantando-me na congregação, clamo por soccorro. Tenho a pele queimada, mas não pelo sol; levanto-me na congregação e clamo por socorro.
29 Irmão me fiz dos dragões, e companheiro dos abestruzes. Sou irmão dos chacais e companheiro de avestruzes.
30 Ennegreceu-se a minha pelle sobre mim, e os meus ossos estão queimados do calor. A minha pele escurece e cai; os meus ossos queimam de febre.
31 Pelo que se trocou a minha harmonia em lamentação, e o meu orgão em voz dos que choram. Por isso, a minha harpa é usada para fazer lamentações, e a minha flauta, para acompanhar os que choram.”