Jó 6

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# ALM1911 NAA
1 Então Job respondeu, e disse: Então Jó respondeu:
2 Oh se a minha magoa rectamente se pezasse, e a minha miseria juntamente se alçasse n'uma balança! “Ah! Se a minha queixa, de fato, pudesse ser pesada, e contra ela, numa balança, se pusesse a minha miséria,
3 Porque na verdade mais pesada seria, do que a areia dos mares: por isso é que as minhas palavras se me afogam. esta, na verdade, pesaria mais que a areia dos mares. Por isso é que as minhas palavras foram precipitadas.
4 Porque as frechas do Todo-poderoso estão em mim, cujo ardente veneno me chupa o espirito: os terrores de Deus se armam contra mim. Porque as flechas do Todo-Poderoso estão cravadas em mim, e o meu espírito sorve o veneno delas; os terrores de Deus se armam contra mim.
5 Porventura zurrará o jumento montez junto á relva? ou berrará o boi junto ao seu pasto? Será que o jumento selvagem zurra quando está junto à relva? Ou será que o boi berra junto ao seu pasto?
6 Ou comer-se-ha sem sal o que é insipido? ou haverá gosto na clara do ovo? Pode-se comer sem sal o que é insípido? Ou haverá sabor na clara do ovo?
7 A minha alma recusa tocal-o, pois é como a minha comida fastienta. Aquilo que a minha alma recusava tocar, isso é agora a minha comida repugnante.”
8 Quem dera que se cumprisse o meu desejo, e que Deus me désse o que espero! “Quem dera que se cumprisse o meu pedido, e que Deus me concedesse o que desejo!
9 E que Deus quizesse quebrantar-me, e soltasse a sua mão, e me acabasse! Que fosse do agrado de Deus esmagar-me, que soltasse a sua mão e acabasse comigo!
10 Isto ainda seria a minha consolação, e me refrigeraria no meu tormento, não me perdoando elle; porque não occultei as palavras do Sancto. Isto ainda seria a minha consolação, e eu saltaria de contente na minha dor, que é implacável; porque não tenho negado as palavras do Santo.
11 Qual é a minha força, para que eu espere? ou qual é o meu fim, para que prolongue a minha vida? Por que esperar, se já não tenho forças? Por que prolongar a vida, se o meu fim é certo?
12 É porventura a minha força a força de pedra? Ou é de cobre a minha carne? Por acaso a minha força é a força da pedra? Ou é de bronze a minha carne?
13 Ou não está em mim a minha ajuda? ou desamparou-me a verdadeira sabedoria? Não encontro socorro em mim mesmo; foram afastados de mim os meus recursos.”
14 Ao que está afflicto devia o amigo mostrar compaixão, ainda ao que deixasse o temor do Todo-poderoso. “Ao aflito deve o amigo mostrar compaixão, mesmo ao que abandonou o temor do Todo-Poderoso.
15 Meus irmãos aleivosamente me fallaram, como um ribeiro, como a torrente dos ribeiros que passam. Meus irmãos me enganaram; são como um ribeiro, como a torrente que transborda no vale,
16 Que estão encobertos com a geada, e n'elles se esconde a neve. turvada com o gelo e com a neve que nela se esconde,
17 No tempo em que se derretem com o calor se desfazem, e em se aquentando, desapparecem do seu logar. torrente que seca quando o tempo aquece, e que no calor desaparece do seu lugar.
18 Desviam-se as veredas dos seus caminhos: sobem ao vacuo, e perecem. As caravanas se desviam dos seus caminhos, sobem para lugares desolados e perecem.
19 Os caminhantes de Tema os vêem; os passageiros de Sheba olham para elles. As caravanas de Temá procuram essa torrente, os viajantes de Sabá por ela suspiram.
20 Foram envergonhados, por terem confiado e, chegando ali, se confundem. Ficam envergonhados por terem confiado; quando chegam ali, ficam decepcionados.
21 Agora sois similhantes a elles: vistes o terror, e temestes. Assim também vocês não me ajudaram em nada; veem os meus males e ficam com medo.
22 Disse-vos eu: Dae-me ou offerecei-me da vossa fazenda presentes? Por acaso pedi que me dessem recompensa? Ou que da riqueza de vocês me trouxessem algum presente?
23 Ou livrae-me das mãos do oppressor? ou redemi-me das mãos dos tyrannos? Será que pedi que me livrassem do poder do opressor? Ou que me resgatassem das mãos dos tiranos?”
24 Ensinae-me, e eu me calarei: e dae-me a entender em que errei. “Ensinem-me, e eu me calarei; mostrem-me em que tenho errado.
25 Oh! quão fortes são as palavras da boa razão! mas que é o que argue a vossa arguição? Como são persuasivas as palavras retas! Mas o que é que a repreensão de vocês repreende?
26 Porventura buscareis palavras para me reprehenderdes, visto que as razões do desesperado estão como vento? Por acaso vocês pensam em reprovar as minhas palavras, ditas por um desesperado ao vento?
27 Mas antes lançaes sortes sobre o orphão; e cavaes uma cova para o vosso amigo. Até sobre um órfão vocês lançariam sortes e seriam capazes de vender um amigo!
28 Agora pois, se sois servidos, virae-vos para mim; e vede se minto em vossa presença. Agora, pois, tenham a bondade de olhar para mim e vejam que não estou mentindo na cara de vocês.
29 Voltae pois, não haja iniquidade: tornae-vos, digo, que ainda a minha justiça apparecerá n'isso. Por favor, mudem de parecer, e que não haja injustiça; mudem de parecer, e a justiça da minha causa triunfará.
30 Ha porventura iniquidade na minha lingua? Ou não poderia o meu paladar dar a entender as minhas miserias? Há iniquidade em meus lábios? Será que a minha boca não consegue discernir coisas perniciosas?”