Eclesiastes 2

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# AS21 NAA
1 Eu disse a mim mesmo: Vem! Experimenta a alegria. Desfruta o prazer. Mas isso também era ilusão. Eu disse a mim mesmo: “Vamos! Prove a alegria; procure ser feliz.” Mas também isso era vaidade.
2 Concluí que o riso é loucura, e que a alegria de nada vale. Concluí que o riso é tolice e que a alegria não serve para nada.
3 Resolvi no íntimo entregar o corpo aos efeitos do vinho e deixar-me levar pela insensatez, sem deixar de me guiar pela sabedoria. Eu queria saber o que vale a pena fazer debaixo do céu, nos poucos dias da vida humana. Resolvi no meu coração entregar-me ao vinho, sem deixar de me guiar pela sabedoria e de me apoderar da loucura, até descobrir o que de bom os filhos dos homens poderiam fazer debaixo do céu, durante os poucos dias da sua vida.
4 Fiz obras magníficas para mim: construí casas e plantei vinhas. Empreendi grandes obras. Construí casas e plantei vinhas para mim.
5 Cultivei jardins e pomares, e plantei neles árvores frutíferas de todas as espécies. Fiz jardins e pomares para mim e neles plantei árvores frutíferas de toda espécie.
6 Fiz reservatórios de água para irrigar os bosques verdejantes. Fiz para mim tanques de águas, para com eles regar o bosque em que reverdeciam as árvores.
7 Comprei escravos e escravas e tive escravos que nasceram em minha casa. Também tive mais gado e rebanhos do que todos os que viveram em Jerusalém antes de mim. Comprei escravos e escravas e tive escravos que nasceram em minha casa. Também tive bois e ovelhas, mais do que tiveram todos os que viveram em Jerusalém antes de mim.
8 Também acumulei prata e ouro e tesouros dos reis e das províncias. Escolhi cantores e cantoras, e desfrutei das delícias dos homens: mulheres em grande número. Amontoei também para mim prata e ouro e tesouros de reis e de províncias. Provi-me de cantores e cantoras e das delícias dos filhos dos homens: mulheres e mais mulheres.
9 Assim prosperei e me tornei mais rico do que todos os que viveram em Jerusalém antes de mim. E nunca me faltou sabedoria. Eu me tornei importante e superei todos os que viveram antes de mim em Jerusalém; e a minha sabedoria nunca me abandonou.
10 Não me neguei nada que os meus olhos desejaram, nem privei o coração de alegria alguma, pois me alegrei em todo o meu trabalho, e foi essa a minha recompensa por todo o meu esforço. Tudo aquilo que os meus olhos desejaram eu não lhes neguei, nem privei o meu coração de alegria alguma, pois eu me alegrava com todas as minhas fadigas, e isso era a recompensa por todas elas.
11 Mas, quando pensei em tudo que as minhas mãos haviam feito e em todo o esforço que empenhei no que realizei, percebi que tudo era ilusão; tudo foi como perseguir o vento. Não há nenhum proveito em tudo que se faz debaixo do sol. Considerei todas as obras que as minhas mãos fizeram, e também o trabalho que eu, com fadigas, havia feito; e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento, e nenhum proveito havia debaixo do sol.
12 Então passei a examinar a sabedoria, a insensatez e a tolice. O que fará o homem que suceder ao rei? Somente o que já foi feito! Então passei a refletir sobre a sabedoria, a tolice e a falta de juízo. O que poderá fazer o sucessor do rei? O mesmo que outros já fizeram.
13 Então vi que a sabedoria é melhor do que a insensatez, assim como a luz é melhor do que as trevas. Então vi que a sabedoria é mais proveitosa do que a falta de juízo, assim como a luz traz mais proveito do que as trevas.
14 Os olhos do sábio o dirigem, mas o tolo anda na escuridão. Porém percebi que o destino de ambos é o mesmo. O sábio tem os seus olhos bem abertos, enquanto o tolo anda em trevas; contudo, entendi que a mesma coisa acontece com ambos.
15 Por isso, pensei: O que acontece ao tolo também acontecerá a mim. Por que então busquei tanto a sabedoria? Então eu disse a mim mesmo: Isso também é absurdo! Aí eu disse a mim mesmo: “O que acontece com o tolo acontece comigo também; de que adianta, então, ser sábio?” Então eu disse a mim mesmo que também isso era vaidade.
16 Nem o sábio nem o tolo serão lembrados para sempre, pois tudo será esquecido nos dias futuros. Assim como morre o sábio, morrerá também o tolo! Pois nem o sábio nem o tolo serão lembrados para sempre; pois, passados alguns dias, tudo cai no esquecimento. Ah! O sábio morre do mesmo modo que o tolo!
17 Por isso, detestei a vida, pois tudo o que se faz debaixo do sol é cansativo para mim. Tudo é ilusão, é perseguir o vento. Por isso perdi o gosto pela vida, pois me foi pesado demais o trabalho que se faz debaixo do sol. Sim, tudo é vaidade e correr atrás do vento.
18 Também detestei todas as coisas que me havia esforçado por fazer debaixo do sol, visto que tenho de deixá-lás ao que me suceder. Também perdi o gosto por todo o meu trabalho, com que me afadiguei debaixo do sol, pois o resultado de tudo isso ficará para quem vier depois de mim.
19 E quem sabe se ele será sábio ou tolo? No entanto, ele se apoderará de tudo o que fiz com tanto esforço e de tudo o que realizei com a minha sabedoria debaixo do sol. Isso também é absurdo! E quem pode dizer se ele será um sábio ou um tolo? No entanto, ele terá domínio sobre todo o ganho das minhas fadigas e sabedoria debaixo do sol. Também isto é vaidade.
20 Por isso, entreguei o coração ao desespero, por causa de todo o trabalho em que tanto me esforcei debaixo do sol. Então tratei de fazer com que o meu coração perdesse a esperança de todo trabalho com que me afadiguei debaixo do sol.
21 Porque o homem faz seu trabalho com sabedoria, conhecimento e habilidade, mas depois terá de deixar todo o fruto do seu trabalho como herança para outro que não trabalhou por aquilo. Isso também é absurdo e uma grande injustiça. Porque uma pessoa pode fazer o seu trabalho com sabedoria, conhecimento e habilidade, mas deixará o seu ganho como herança a quem por ele não se esforçou. Também isto é vaidade e grande mal.
22 Pois o que o homem ganha com todo o seu trabalho e com a aflição do coração com que se esforça debaixo do sol? Pois que proveito alguém tem de todo o seu trabalho e da fadiga do seu coração, em que anda trabalhando debaixo do sol?
23 Durante todos os seus dias, seu trabalho é dor e frustração; o seu coração não descansa nem de noite. Isso também é absurdo! Porque todos os seus dias são cheios de dor, e o seu trabalho é desgosto; nem de noite o seu coração descansa. Também isto é vaidade.
24 Não há nada melhor para o homem do que comer e beber e permitir-se ter prazer no seu trabalho. Vi que isso também vem da mão de Deus. Não há nada melhor para o ser humano do que comer, beber e fazer com que a sua alma desfrute o que conseguiu do seu trabalho. No entanto, vi também que isto vem da mão de Deus,
25 E quem pode desfrutar da comida e da vida sem ele? pois, separado deste, quem pode comer ou quem pode alegrar-se?
26 Porque Deus dá sabedoria, conhecimento e felicidade ao homem que lhe agrada. Mas ao pecador ele dá o trabalho de ajuntar e armazenar riquezas para entregá-las a quem agrada a Deus. Isso também é ilusão e perseguir o vento! Porque Deus dá sabedoria, conhecimento e prazer à pessoa que lhe agrada; mas ao pecador dá trabalho, para que ele ajunte e amontoe, a fim de dar àquele que agrada a Deus. Também isto é vaidade e correr atrás do vento.