Eclesiastes 9

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# ALM1911 NAA
1 Devéras revolvi todas estas coisas no meu coração, para claramente entender tudo isto: que os justos, e os sabios, e as suas obras, estão nas mãos de Deus, como tambem que não conhece o homem nem o amor nem o odio, por tudo o que passa perante a sua face. Tenho refletido sobre todas estas coisas para chegar à seguinte conclusão: os justos e os sábios, com os seus feitos, estão nas mãos de Deus; e, se é amor ou se é ódio que está à sua espera, isso ninguém sabe. Ninguém sabe o que vai acontecer.
2 Tudo succede a uns, como a todos os outros; o mesmo succede ao justo e ao impio; ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao peccador; ao que jura como ao que teme o juramento. Tudo acontece igualmente com todos: o mesmo acontece com o justo e com o ímpio, com o bom e com o mau, com o puro e com o impuro, com o que oferece sacrifícios e com o que não os oferece, com o bom e com o pecador, tanto com o que faz juramentos como com aquele que tem medo de fazê-los.
3 Este mal ha entre tudo quanto se faz debaixo do sol, que a todos succede o mesmo; e que tambem o coração dos filhos dos homens esteja cheio de maldade, e que haja desvarios no seu coração, na sua vida, e depois se vão aos mortos. Este é o mal que há em tudo o que se faz debaixo do sol: a mesma coisa acontece com todos. Também o coração das pessoas está cheio de maldade; está cheio de loucura enquanto elas vivem; depois, rumo aos mortos.
4 Porque para o que acompanha com todos os vivos ha esperança (porque melhor é o cão vivo do que o leão morto). Para aquele que está entre os vivos há esperança, porque mais vale um cão vivo do que um leão morto.
5 Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tão pouco teem elles jámais paga, mas a sua memoria ficou entregue ao esquecimento. Porque os vivos sabem que vão morrer, mas os mortos não sabem nada e não têm nenhuma recompensa a receber, porque a memória deles jaz no esquecimento.
6 Até o seu amor, até o seu odio, e até a sua inveja já pereceu, e já não teem parte alguma n'este seculo, em coisa alguma do que se faz debaixo do sol. Amor, ódio e inveja para eles já não existem mais; eles estão afastados para sempre de tudo o que se faz debaixo do sol.
7 Vae, pois, come com alegria o teu pão e bebe com bom coração o teu vinho, pois já Deus se agrada das tuas obras. Portanto, vá e coma com alegria o seu pão e beba com prazer o seu vinho, pois Deus já se agradou do que você faz.
8 Em todo o tempo sejam alvos os teus vestidos, e nunca falte o oleo sobre a tua cabeça. Que as suas vestes sejam sempre brancas, e que nunca falte óleo sobre a sua cabeça.
9 Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias da vida da tua vaidade, os quaes Deus te deu debaixo do sol, todos os dias da tua vaidade: porque esta é a tua porção n'esta vida, e no teu trabalho, em que tu trabalhaste debaixo do sol. Aproveite a vida com a mulher que você ama, todos os dias dessa vida fugaz que Deus lhe deu debaixo do sol, porque esta é a parte que lhe cabe nesta vida pelo trabalho com que você se afadigou debaixo do sol.
10 Tudo quanto te vier á mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vaes, não ha obra, nem industria, nem sciencia, nem sabedoria alguma. Tudo o que vier às suas mãos para fazer, faça-o conforme as suas forças, porque na sepultura, que é para onde você vai, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma.
11 Volvi-me, e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos valentes a peleja, nem tão pouco dos sabios o pão, nem tão pouco dos prudentes as riquezas, nem tão pouco dos entendidos o favor, mas que o tempo e o acaso lhes succedem a todos Vi ainda debaixo do sol que os mais rápidos nem sempre ganham a corrida, que os mais fortes nem sempre vencem a batalha, que os sábios nem sempre têm pão, que os prudentes nem sempre têm riqueza, que os inteligentes nem sempre são honrados, mas que tudo depende do tempo e do acaso.
12 Que tambem o homem não sabe o seu tempo; assim como os peixes que se pescam com a rede maligna, e como os passarinhos que se prendem com o laço, assim se enlaçam tambem os filhos dos homens no mau tempo, quando cae de repente sobre elles. Pois ninguém sabe a sua hora. Assim como os peixes que são apanhados na rede traiçoeira e como os pássaros que são pegos na armadilha, assim também os filhos dos homens se enredam no tempo da calamidade, quando esta cai de repente sobre eles.
13 Tambem vi esta sabedoria debaixo do sol, que foi para comigo grande; Também vi este exemplo de sabedoria debaixo do sol, que me pareceu excelente.
14 Houve uma pequena cidade em que havia poucos homens, e veiu contra ella um grande rei, e a cercou e levantou contra ella grandes tranqueiras: Havia uma pequena cidade onde moravam poucos homens. Um rei poderoso atacou a cidade, sitiou-a e levantou contra ela grandes rampas de ataque.
15 E se achou n'ella um sabio pobre, que livrou aquella cidade pela sua sabedoria, e ninguem se lembrava d'aquelle pobre homem. Nessa cidade se encontrava um homem pobre e sábio, que poderia ter livrado a cidade com a sua sabedoria; no entanto, ninguém se lembrou daquele pobre.
16 Então disse eu: Melhor é a sabedoria do que a força, ainda que a sabedoria do pobre foi desprezada, e as suas palavras não foram ouvidas. Então eu concluí que a sabedoria é melhor do que a força, mesmo que a sabedoria do pobre seja desprezada, e as suas palavras não sejam ouvidas.
17 As palavras dos sabios em silencio se devem ouvir, mais do que o clamor do que domina sobre os tolos. As palavras dos sábios, ouvidas em silêncio, valem mais do que os gritos de quem governa entre tolos.
18 Melhor é a sabedoria do que as armas de guerra, porém um só peccador destroe muitos bens. Melhor é a sabedoria do que as armas de guerra, mas um só pecador destrói muitas coisas boas.