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1
Então Jó respondeu:
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2
Ainda hoje a minha queixa está em amargura; o peso da mão dele é maior do que o meu gemido.
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3
Ah, se eu soubesse onde encontrá-lo, e pudesse chegar ao seu tribunal!
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4
Exporia ante ele a minha causa, e encheria a minha boca de argumentos.
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5
Saberia as palavras com que ele me respondesse, e entenderia o que me dissesse.
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6
Acaso contenderia ele comigo segundo a grandeza do seu poder? Não; antes ele me daria ouvidos.
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7
Ali o reto pleitearia com ele, e eu seria absolvido para sempre por meu Juiz.
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8
Eis que vou adiante, mas não está ali; volto para trás, e não o percebo;
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9
procuro-o à esquerda, onde ele opera, mas não o vejo; viro-me para a direita, e não o diviso.
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10
Mas ele sabe o caminho por que eu ando; provando-me ele, sairei como o ouro.
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11
Os meus pés se mantiveram nas suas pisadas; guardei o seu caminho, e não me desviei dele.
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12
Nunca me apartei do preceito dos seus lábios, e escondi no meu peito as palavras da sua boca.
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13
Mas ele está resolvido; quem então pode desviá-lo? E o que ele quiser, isso fará.
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14
Pois cumprirá o que está ordenado a meu respeito, e muitas coisas como estas ainda tem consigo.
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15
Por isso me perturbo diante dele; e quando considero, tenho medo dele.
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16
Deus macerou o meu coração; o Todo-Poderoso me perturbou.
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17
Pois não estou desfalecido por causa das trevas, nem porque a escuridão cobre o meu rosto.
Recurso de Estudo
Versículos 1-7: Jó lamenta que Deus tenha se distanciado; 8-12: Ele afirma a sua integridade; 13-17: Os terrores divinos.
Vv. 1-7. Jó apela ao justo juízo de Deus no tocante aos seus amigos. Ele quer que sua causa seja julgada rapidamente. Cristo reconcilia consigo o mundo, e em um trono de graça mostra a sua bondade. O pecador pode buscar socorro nEle, e o crente pode ordenar sua causa diante dEle com argumentos tomados de suas promessas, de seu pacto e de sua glória. A espera paciente pela morte e o juízo é a nossa sabedoria e dever, e não pode ser sem. santo temor e tremor. Desejar ardentemente a morte e o juízo é atitude de néscio e pecado, não uma atitude digna de servos de Deus, como no caso de Jó.
Vv. 8-12. Jó sabe que Deus está presente em todos os lugares; porém, a sua mente está tão confusa que ele não pode contemplar fixamente a presença bondosa de Deus para achar consolo, ao expor o seu caso diante dEle. Seus pontos de vista são todos sombrios. Deus parecia estar distante e irado contra ele. De todos os modos, Jó expressa sua segurança de que, se for julgado, será aprovado, pois obedecera aos preceitos de Deus. Saboreara as verdades e mandamentos divinos e deleitava-se neles. Notamos aqui que Jó se justificava melhor a si mesmo que a Deus, ou em oposição a Ele (32. 2). Jó podia sentir-se limpo de todas as culpas mencionadas por seus amigos; porém, seu erro foi afirmar ousadamente que, ainda que fosse visitado pela mão de Deus, não seria castigado por causa de seus erros. Ele é culpado de uma segunda culpa quando nega que a providência trata com os homens nesta vida presente, na qual o injuriado encontra alivio e o mal é castigado por seus pecados.
Vv. 13-17. Como Jó não questiona uma vez sequer que suas provas sejam das mãos de Deus, e que não existe sorte ou azar, então como as considera? O princípio sobre o qual se baseia para enfocá-las é que a esperança e a recompensa dos servos fiéis de Deus serão dadas apenas na outra vida; sustenta que é evidente para todos que os maus não são tratados nesta vida conforme os seus pecados, mas que costuma acontecer exatamente o contrário. Ainda que obtenha a misericórdia, as primícias do Espírito da graça, fale de um Deus que certamente concluirá a obra que Ele mesmo começou, contudo, o crente aflito não deve concluir que toda a oração e súplicas serão em vão, e que deve afundar-se no desespero e desfalecer quando for reprovado por Ele. Não pode saber que a intenção de Deus, ao permitir que seja afligido, seja produzir arrependimento e oração em seu coração. Aprendamos a obedecer ao Senhor e a confiar nEle, ainda que estejamos atribulados; aprendamos a viver e morrer como agrada a Ele: não sabemos para que fim proveitoso nossas vidas podem ser abreviadas ou prolongadas.
Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público