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1
Ó Deus, salva-me! Porquanto as águas chegaram até o meu pescoço.
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2
Nas profundezas lamacentas estou afundando; não tenho como firmar meus pés; cheguei às águas profundas, e a forte correnteza me arrasta!
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3
De tanto clamar por socorro, ressecouse minha garganta, se embaçaram meus olhos e se fatigou sobremaneira o meu corpo, enquanto aguardo pelo auxílio do meu Deus!
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4
São mais numerosos que os cabelos de minha cabeça os que me odeiam sem causa; poderosos são os que me querem aniquilar, são injustos meus inimigos: o que roubei, como hei de restituir?
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5
Conheces, ó Deus, meus desatinos e o quanto fui insensato; as minhas culpas não te são encobertas.
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6
Contudo, não permitas que eu venha ser causa de humilhações para aqueles que têm fé em ti, ó Eterno, Deus das Legiões. Que não sejam por mim envergonhados os que te buscam, ó Deus de Israel!
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7
Porquanto por amor a ti suporto zombarias, e a vergonha cobre-me o rosto.
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8
Sou um estrangeiro para meus próprios irmãos, um estranho até para os filhos da minha mãe;
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9
pois me consumiu o zelo que dedico à tua Casa, e sobre mim recaíram os vitupérios dos que te insultam.
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10
Com jejum e muitas lágrimas afligi minha própria alma, e isso ainda mais os enfureceu.
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11
Com mortalha me cobri e perante eles fui objeto de zombarias.
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12
Murmuram contra mim os que se ajuntam nas portas da cidade, e sou tema de chacotas nas canções dos bêbados.
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13
Todavia eu, SENHOR, no tempo oportuno elevo a ti minha petição; respondeme, por teu grande amor, ó Deus, com tua graça infalível!
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14
Resgata-me do lamaçal, para que eu nele não pereça; salva-me de meus detratores e das profundezas das águas.
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15
Que eu não seja arrastado por seu turbilhão, nem tragado pelo abismo, e que tampouco se feche sobre mim a boca do poço onde caí.
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16
Responde-me, ó Eterno, pois incomensurável é tua benevolência; volta-te para mim com a grandeza de tua magnanimidade.
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17
Não ocultes do teu servo a tua face; responde-me de pronto, pois estou muito angustiado.
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18
Faze que de ti se aproxime a minha alma, redime-a e salva-me de meus inimigos.
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19
Pois sabes da vergonha e do infortúnio que me fazem passar.
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20
Meu coração se partiu ante tanta humilhação, e me sinto gravemente enfermo. Procurei alguém que se compadecesse de mim e me confortasse, mas a ninguém encontrei.
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21
Ao contrário, puseram veneno em meu alimento e vinagre me oferecem para mitigar minha sede.
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22
Que, em retribuição, a mesa deles se lhes transforme em armadilha e sua paz, em emboscada.
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23
Que se lhes escureçam os olhos para que, de fato, não possam ver; faze-lhes tremer o corpo sem que haja como cessar!
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24
Despeja sobre eles a tua ira justa; que o teu furor ardente os alcance.
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25
Que sejam destruídos os seus palácios e que fiquem desertas as suas tendas.
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26
Pois têm prazer em perseguir a quem tu puniste e acrescentam dor e sofrimento a quem feriste.
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27
Agrega iniquidade à iniquidade deles para que não mereçam usufruir da tua justiça.
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28
Que tenham seus nomes apagados do Livro da Vida, e jamais sejam inscritos entre os justos novamente.
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29
Quanto a mim, grande é minha afliçã e minha dor! Protege-me, ó Deus. A tua salvação há de me elevar acima de qualquer sofrimento!
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30
Em cânticos, então, louvarei o Nome do Eterno, e em meus agradecimentos exaltarei a ti Senhor!
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31
Serei mais agradável ao SENHOR do que a mais perfeita oferta de todo o passado!
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32
Alegrar-se-ão os humildes e animar-se-ão os corações dos que buscam a Deus.
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33
Porquanto todos verão que Deus ouve os necessitados e não despreza os alquebrados.
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34
Louvem-no os céus e a terra, os mares e tudo o que neles se move!
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35
Pois Deus salvará Sião e reconstruirá as cidades de Judá; e haverá habitantes que a herdarão.
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36
A descendência de seus servos a receberá em herança, e os que amam o seu Nome farão nela sua morada!
Recurso de Estudo
Versículos 1-12: Davi queixa-se de grande angústia; 13-21: Davi pede socorro a Deus; 22-29; Ele declara os juízos de Deus; 30-36: Conclui com gozo e louvor.
Vv. 1-12. Devemos frequentemente pensar na pessoa que sofre nesta passagem, da qual se fala, e perguntarmos: "Por quê?" e "O quê sofreu? Para quê", ao meditarmos nisto, sejamos mais humilhados pelo pecado, e mais convencidos do perigo que corremos, para que sintamos ainda mais gratidão e amor, que nos leve a viver para a glória do Senhor que morreu pela nossa salvação. Daqui, aprendemos que quando estamos aflitos, temos que encomendar o cuidado de nossa alma a Deus, para que não sejamos angustiados pelo descontentamento, nem naufraguemos no desespero. Davi foi odiado malignamente, mas estas palavras aplicam-se com mais propriedade a Cristo. Em um mundo onde a injustiça reina tão fortemente, não devemos nos assombrar se nos encontrarmos com a maldade dos nossos inimigos. cuidemos para que nunca façamos o mal; então, caso recebamos o mal, poderemos tolerá-lo melhor. Através da obra que o Senhor Jesus Cristo realizou, com o derramamento de seu sangue por nossos pecados, restaurou o que nos foi retirado, pagou a nossa dívida e sofreu pelas nossas ofensas. Ainda que possamos alegar inocência pelas acusações injustas dos homens, diante do Senhor Deus devemos reconhecer-nos merecedores de tudo o que nos é acarretado. Todos os nossos pecados surgem a partir de nossas atitudes néscias. Todos são praticados perante os olhos de Deus. Davi queixa-se da hostilidade de seus amigos e parentes. Isto se cumpriu em Cristo, cujos irmãos não lhe deram crédito, e foi abandonado por seus discípulos. Cristo fez a expiação por nós, não somente quando se despojou das honras que a Ele são devidas por ser Deus, mas também quando se submeteu às maiores desonras que poderiam ser feitas a um homem. Não teremos que nos desanimar se o nosso zelo pelas verdades, preceitos e pela adoração a Deus provocarem a alguns, e fizerem com que outros zombem de nossa santa tristeza, e de que estejamos mortos para o mundo.
Vv. 13-21. Não importa quão profundas sejam as águas de aflição ou de tentação pelas quais sejamos afligidos; não importam quantos sejam os dilúvios de problemas ou de homens ímpios que pareçam estar dispostos a abater-nos; perseveremos em oração diante do Senhor para que Ele nos salve. Os sinais do favor de Deus para conosco são suficientes para impedir que o nosso espírito soçobre nos problemas externos mais profundos. se pensarmos bem em Deus, e continuarmos assim ante as maiores penúrias, não teremos o que temer, mas saberemos que Ele nos fará o bem. E, se a qualquer momento formos chamados a sofrer censuras e vergonhas por causa de Cristo, isto poderá ser o nosso consolo: Ele o sabe. Os que valorizam um bom nome sentem-se incomodados pela opressão por causa de um mau nome; porém, quando pensamos que favor é ser considerados dignos de sofrer vergonha por causa do nome do Senhor Jesus, veremos que não há razões para que isto faça com que o nosso coração se desfaleça. Aqui, os sofrimentos de Cristo são anunciados detalhadamente, o que prova que as Escrituras são a Palavra de Deus; e por estas profecias terem-se cumprido exatamente em Jesus Cristo, ficou provado que Ele é o verdadeiro Messias. O vinagre e o fel que lhe deram eram uma fraca figura do cálice amargo que Ele bebeu, para que nós recebêssemos o cálice da salvação. Podemos esperar pouco dos homens, pois todos são consoladores molestos: podemos esperar muito do Deus de todo consolo e bondade.
Vv. 22-29. Estas profecias mostram a destruição dos perseguidores de Cristo. Os vv. 21 e 23 aplicam-se aos juízos de Deus contra os judeus incrédulos (Rm 11.9,10). Quando o sustento da vida e o prazer dos sentidos constituem-se em alimento e combustível para o pecado, por causa da corrupção de nossa natureza humana, então a nossa mesa se transforma em um ardil. O pecado deles não foi que não vieram, mas que fecharam os seus olhos à luz, e amaram mais as trevas; o castigo deles não é que não verão, mas que serão entregues à concupiscência de seus próprios corações, os responsáveis por colocá-los nesta situação embaraçosa. Os que rejeitam a grande salvação oferecida por Deus podem temer justamente que a sua indignação seja derramada sobre eles. se os homens pecarem, o Senhor levará isso em conta. Porém, mesmo os que têm pecado excessivamente ainda poderão encontrar misericórdia através da justiça do mediador. Deus a ninguém exclui desta justiça; o Evangelho a ninguém exclui, mas é possível que as pessoas se excluam por incredulidade. Os que são orgulhosos e soberbos, e que não se encaminham rapidamente à justiça de Deus, sofrerão a devida condenação. Eles mesmos a escolhem. Os que não se alegram por estar em dívida para com a salvação, não devem esperar ter algum proveito dela. É melhor estar pobre e triste, mas ter a bênção do Senhor, do que rico e de bom humor e encontrar-se sob a maldição dEle. Isto pode ser aplicado a Cristo, quando esteve na terra; o varão de dores que não tinha onde reclinar a sua cabeça; porém, Deus o exaltou. Invoquemos ao Senhor, e a sua salvação nos elevará, ainda que estejamos pobres e tristes, culpáveis e corruptos.
Vv. 30-36. O salmo que começou com queixas por seu pesar é concluído pelo salmista com santo gozo e louvor. Um grande consolo para nós é que os louvores humildes e agradecidos agradam mais a Deus do que os sacrifícios mais dispendiosos e ostentadores. O humilde olhará para o Senhor e alegrar-se-á; os que buscam a Deus através de Jesus Cristo viverão e serão consolados. Deus fará grandes coisas pela Igreja; nisto devem regozijar-se todos os que desejam o bem. Uma semente o servirá na terra, e os seus servos herdarão o reino celestial. Os que amam o seu nome habitarão na presença dEle para sempre. "Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes, o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?" Levanta-te tu, Grande Restaurador dos lugares antigos para habitar neles, e aparta a impiedade de teu povo.
Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público