• 1 Lança o teu pão sobre as águas, porque o acharás depois de muitos dias.
  • 2 Reparte a porção com sete, e ainda até com oito, porque não sabes que mal poderá recair sobre a terra.
  • 3 Se as nuvens estiverem cheias de chuva, elas se esvaziam sobre a terra, e se uma árvore cai em direção ao sul, ou ao norte, no lugar em que a árvore cair, ali ficará.
  • 4 Aquele que observa o vento nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca segará.
  • 5 Assim como tu não sabes qual o caminho do espírito, nem como crescem os ossos no ventre da mulher grávida, assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas.
  • 6 Pela manhã semeia a tua semente, e à tarde não recolhas a tua mão, porque tu não sabes qual prosperará, se esta ou aquela, ou se ambas serão igualmente boas.
  • 7 Certamente a luz é doce, e coisa agradável aos olhos é contemplar o sol.
  • 8 Mas se um homem viver muitos anos, e em todos eles se alegrar, também deve lembrar- se dos dias das trevas, porque hão de ser muitos. Tudo quanto sucede é vaidade.
  • 9 Alegra-te, ó jovem, na tua juventude; e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade, e anda nos caminhos do teu coração, e pela vista dos teus olhos; sabe, porém, que por todas estas coisas te trará Deus a juízo.
  • 10 Portanto, remova a angústia do teu coração, e retire o mal da tua carne, porque a adolescência e a juventude são vaidades.

Versículos 1-6: Exortação à generosidade; 7-10: Admoestação a preparar-se para a morte e, aos jovens, para que sejam religiosos.

Vv. 1-6. Salomão insiste com os ricos a que façam o bem ao próximo, a que dêem generosamente, ainda que pareça jogar algo fora ou perder. Não te escuses do bem que ainda tens para fazer, com um bem que já fizeste. Este ato não é em vão, mas é uma boa obra que fica em depósito. Temos razão para esperar o mal, porque nascemos em meio a problemas; sabedoria é fazermos o bem no dia da prosperidade. As riquezas não podem nos trazer proveito se, através delas, não beneficiarmos alguém. Todo homem deve trabalhar para ser uma bênção no lugar onde a providência de Deus o coloca. Onde quer que estejamos, podemos achar uma boa obra para fazer se tivermos o coração disposto. Se magnificarmos cada pequena dificuldade, plantaremos objeções e penúrias fantásticas; nunca iremos adiante, nem terminaremos a nossa obra. Os ventos e as nuvens da tribulação estão nas mãos de Deus, preparados para nos provar. A obra de Deus será realizada segundo a sua Palavra, não importa se a vemos ou não. Podemos confiar firmemente que Deus proverá tudo para nós, sem nossos afãs ansiosos e inquietos. Não te canses de fazer o bem, porque, a seu tempo, no tempo de Deus, colherás o fruto (Gl 6.9).

Vv. 7-10. A vida é doce para os homens maus, porque eles têm a sua porção nesta existência; é doce para os bons, porque é o tempo da preparação para uma vida melhor; portanto, a vida é doce para todos. Aqui há uma advertência para se pensar na morte, mesmo quando a vida estiver mais doce do que nunca. Salomão faz um discurso que afeta os jovens. Eles desejam a oportunidade para perseguir cada prazer. Então, que sigam seus desejos, tendo porém, a certeza de que Deus os chamará a juízo. Muitos dão liberdade a todo o apetite e buscam todo prazer vicioso! Deus registra cada um de seus pensamentos e desejos pecaminosos, suas palavras ociosas e más. se eles querem evitar o remorso e o terror, se querem ter a esperança e o consolo no leito da morte, se querem escapar da miséria daqui e do além, lembrem-se de que os prazeres da juventude são vãos. É evidente que Salomão quer condenar os prazeres pecaminosos. seu objetivo é levar os jovens a deleites mais duradouros e puros. Esta não é a linguagem de alguém que fala contra os prazeres juvenis por não poder mais participar deles, mas a linguagem de quem, por milagre da misericórdia de Deus, retornou à segurança. Ele persuade o jovem a não tomar um rumo do qual poucos regressam, se o jovem quer viver uma vida de felicidade verdadeira, se quer assegurar a felicidade para si mesmo no além, deve se lembrar do seu Criador nos dias de sua mocidade.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

Recurso de Estudo
Palavras no original
Hebraico e grego: STEP Bible (Tyndale House, Cambridge) · CC BY 4.0