• 1 Ó! Que tu violentamente rasgasses os céus; que descesses para que os montes pudessem se derreter diante da tua presença.
  • 2 Como quando o fogo derretedor queima; o fogo fez as águas ferverem, para fazer teu nome conhecido aos teus adversários, para que as nações possam tremer à tua presença!
  • 3 Quando tu fizeste coisas extremas, as quais nós não esperávamos. Tu desceste, os montes se derreteram diante da tua presença.
  • 4 Porque desde o início do mundo homens não têm ouvido, nem percebido pelo ouvido, nem tem o olho visto, ó Deus, além de ti, o que Ele tem preparado para aquele que espera por ele.
  • 5 Tu te encontras com aquele que se regozija e opera justiça, aquele que se lembra de ti em teus caminhos. Eis que tu estás furioso, porque nós temos pecado. Nos pecados temos estado longo tempo, e poderemos ser salvos?
  • 6 Todos nós, porém, somos como uma coisa impura, e todas as nossas justiças são como trapos imundos; e todos nós iremos murchar como uma folha. E nossas iniquidades, como o vento, nos têm arrastado.
  • 7 E não há ninguém que invoque teu nome, que comova a si mesmo a agarrar-se a ti, porque tu tens escondido tua face de nós e nos tem consumido, por causa de nossas iniquidades.
  • 8 Agora, porém, Ó Senhor, tu és nosso Pai. Nós somos o barro e tu nosso oleiro; e nós todos somos o trabalho de tua mão.
  • 9 Não estejas furioso excessivamente, Ó Senhor, nem lembres iniquidade para sempre. Observa, veja, nós te suplicamos, nós somos todos teu povo.
  • 10 Tuas santas cidades estão um deserto; Sião está um deserto; Jerusalém, uma desolação.
  • 11 Nossa santa e nossa linda casa, onde nossos pais te louvaram, está completamente consumida pelo fogo, e todas as nossas coisas agradáveis estão devastadas.
  • 12 Irás tu ficar insensível diante destas coisas, Ó Senhor? Manter-te-ás calado e afligir- nos-ás excessivamente?

Versículos 1-5: A Igreja ora para que o poder de Deus seja manifesto; 6-12: A confissão do pecado e o lamento das aflições.

Vv. 1-5. Eles desejam que Deus se manifeste a eles e a favor deles, para que todos o vejam. Isto é aplicável à Segunda vinda de Cristo, quando o próprio Senhor descerá do céu. Pedem que Deus faça aquilo que costumava fazer, bem como o seu declarado propósito de graça, de torná-los seu povo. Não devem temer ser desiludidos quanto a isto, porque é seguro; nem desiludidos nisto, porque é suficiente. A felicidade do seu povo está unida ao que Deus tem destinado e está preparando para eles, e para a obra que os prepara. Podemos crer nisto, e em seguida pensar que qualquer coisa é excessivamente grande para ser esperada de sua verdade, poder e amor? É espiritual e não pode ser compreendido pela inteligência humana. Note que comunhão há entre um Deus de graça e uma alma que recebe a graça. Devemos tomar consciência de cumprir o nosso dever em tudo aquilo que o Senhor requeira. Tu o encontraste; isto fala da sua liberdade e disposição para fazer-lhes bem. Ainda que Deus tenha se irado conosco por causa dos nossos pecados, e com justiça, sua ira termina rapidamente; em seu favor há vida que segue e continua, e nisso confiamos para a nossa salvação.

Vv. 6-12. O povo de Deus, em aflição, confessa e lamenta os seus pecados, e se reconhece indigno de sua misericórdia. o pecado é esta abominação que o Senhor odeia. Se pensarmos que as nossas obras têm méritos diante de Deus, não importando o que pareçam ser, serão como farrapos e não nos cobrirão; serão trapos imundos, que somente nos contaminarão. Mesmo as nossas poucas boas obras, nas quais há verdadeira excelência como fruto do Espírito, são defeituosas e contaminadas por terem sido feitas por nós, e devem ser lavadas do pecado e da imundícia na fonte divina. Não é bom que deixemos de orar. orar é apegarmo-nos por fé às promessas que o Senhor nos tem feito por sua boa vontade, e as apresentarmos como argumento; apegar-se a Ele, e com fervor rogar-lhe que não nos abandone, ou solicitar o seu retorno. Causaram problemas para si mesmos por serem néscios. os pecadores são levados pelo vento de sua própria iniquidade, que os faz murchar e logo os destrói. Quando se tornaram em uma coisa imunda, não é de assombrar que o Senhor os tenha aborrecido. Somos néscios e negligentes, pobres e desprezados; contudo, és o nosso Pai. É por estarmos submetidos à ira de um Pai que seremos reconciliados; e o alívio que o nosso caso requer, esperamos somente dEle. Não digamos: "Senhor, não nos repreendas", porque uma correção pode ser necessário a nós, mas "Não te ires". Eles expressam o seu lamentável estado. observe que ruína o pecado traz para as pessoas, e que a profissão exterior de santidade não será defesa contra isto. o povo de Deus não pretende dizer-lhe o que Ele dirá, porém a sua oração é: Fala para o consolo e o alívio de seu povo. Quão poucos são os que invocam o Senhor com todo o coração ou que se animam a apegar-se a Ele! Deus pode demorar para responder nossas orações, mas ao final, responderá aos que invocaram o seu nome e esperaram em sua misericórdia.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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