• 1 Depois disso, eu vi as aflições e tristezas que havia debaixo do sol. Vi as lágrimas dos aflitos, e ninguém para consolá-los! O poder está do lado dos opressores, e não há quem os console!
  • 2 Por isso achei que os mortos são mais felizes que os vivos.
  • 3 Mas o mais feliz de todos é aquele que não nasceu ainda e nunca viu toda a maldade que existe debaixo do sol.
  • 4 Percebi que o que faz os homens correrem atrás do sucesso é a inveja! Mas isso também é ilusão, é correr atrás do vento.
  • 5 O tolo cruza os braços e chega a passar fome.
  • 6 Vale mais a pena viver apertado com tranquilidade do que trabalhar e se cansar, pois isso, no fim das contas, é correr atrás do vento.
  • 7 Também vi outra situação absurda que acontece debaixo do sol:
  • 8 É o caso daquele homem que vive completamente sozinho, sem filhos ou irmãos ou parentes. Trabalhava sem parar para ajuntar mais dinheiro. Para quem ele vai deixar tudo o que ajuntou? Por que ele está deixando de aproveitar as coisas boas da vida? Isso também é ilusão; é um trabalho que desanima demais!
  • 9 Duas pessoas juntas podem lucrar muito mais do que uma sozinha, porque o seu trabalho vai render mais.
  • 10 Se uma delas cair, a outra a ajuda a levantar-se; mas o homem que está sozinho, quando cai, não tem ninguém para ajudá-lo a levantar-se.
  • 11 E quando a noite está fria, duas pessoas usando o mesmo cobertor esquentam uma à outra. Mas uma pessoa sozinha, como vai se aquecer?
  • 12 Uma pessoa sozinha corre o risco de ser atacada e vencida, mas duas pessoas juntas podem se defender melhor. Uma corda trançada com três fios não arrebenta facilmente.
  • 13 É melhor ser um jovem pobre, mas sábio, do que um rei velho e tolo, que não aceita repreensão.
  • 14 Um rapaz assim poderia até sair de uma prisão e atingir o sucesso. Poderia chegar a ser rei; mesmo que fosse de família pobre.
  • 15 Percebi que, ainda assim, o povo que vivia debaixo do sol seguia o jovem, o sucessor do rei.
  • 16 Ele pode se tornar o líder de milhões de pessoas, pode ser muito popular. Mas quando ficar velho, os que forem jovens não vão aceitá-lo como rei. Isso também não faz sentido, é correr atrás do vento.

Versículos 1-3: As desgraças da opressão; 4-6. Os problemas da inveja; 7 e 8: Quão néscia é a cobiça; 9-12: As vantagens da ajuda mútua; 13-16. As mudanças da realeza.

Vv. 1-3. Salomão se entristece ao ver que a força prevalece contra o direito. Para onde quer que nos voltemos, veremos tristes provas da maldade e miséria dos seres humanos, que procuram criar problemas para si mesmos e uns para com os outros. Por serem assim duramente tratados, os homens sentem-se tentados a odiar e a desprezar a vida. Porém, o homem bom, ainda que em más condições enquanto está neste mundo, não pode ter motivos para desejar jamais ter nascido, posto que ele glorifica ao Senhor, ainda no fogo das tribulações, e, ao final será feliz para sempre. Os ímpios têm muita razão para desejar a continuação da vida com todas as suas aflições, porque, se morrerem em seus pecados, espera-os um estado muito mais angustiante. Se as coisas mundanas e humanas fossem nosso supremo bem, não existir seria preferível à vida, quando consideramos as diversas opressões que há neste mundo.

Vv. 4-6. Salomão toma nota da fonte de problemas peculiares aos benfeitores e inclui todos os que trabalham com diligência e cujos esforços são coroados com êxito. Vez por outra, costumam ser grandes e prósperos; porém, isto desperta inveja e oposição. Outros, ao contemplarem as aflições de uma vida ativa, esperam nesciamente mais satisfação da preguiça e do ócio. Porém, o ócio é pecado que, em si mesmo, é seu castigo. Por intermédio de uma atividade honesta, tomemos o suficiente para que não nos falte o necessário; porém, não trabalhemos com extrema cobiça porque isto só traria aflição de espírito. O dinheiro ganho com esforço e os ganhos moderados, conforme a capacidade de cada um, são os melhores.

Vv. 7,8. Quanto mais têm os homens, costumam desejar mais, e nisto põem tanto esforço que não desfrutam do que já possuem. O egoísmo é a causa deste mal. O homem egoísta não se importa com alguém; não cuida de alguém, senão de si mesmo; porém, escassamente permite, o repouso necessário para si e as pessoas que emprega. Nunca pensa que possui o suficiente. Possui o suficiente para os seus compromissos e para a sua família; porém, não tem o suficiente segundo o seu critério. Muitos estão tão envolvidos com este mundo que, por ir após este, privam-se a si mesmos, não somente do favor de Deus e da vida eterna, mas também dos prazeres desta vida. Os parentes distantes ou os estranhos, que herdaram a riqueza de um homem que age deste modo, jamais lhe agradecerão. A cobiça adquire forças com o tempo e o costume; os homens que não consideram a morte prudentemente, são mais ambiciosos e avarentos. Quão frequentemente vemos homens que professam ser seguidores daquEle que "ainda que era rico, se fez pobre por nós", e juntam ansiosamente dinheiro, guardando-o muito bem, e desculpam-se com as escusas comuns da necessidade de cuidar-se, e do perigo da extravagância!

Vv. 9-12. O que trabalha duro para manter os que ama tem mais satisfação na vida do que o avarento em seu trabalho. Em todas as coisas a união leva ao êxito e à segurança; porém, acima de tudo este fato é verdadeiro em relação à união dos cristãos. Dão assistência uns aos outros, quando exortam ou repreendem amistosamente entre si. Dão calor aos corações uns dos outros enquanto juntos falam do amor de Cristo, ou unem-se para cantar os seus louvores. Então, aumentemos as nossas oportunidades de comunhão cristã. Nestas coisas não há vaidade, ainda que haja algo dela enquanto estivermos debaixo do sol. Onde houver dois estreitamente unidos em santo amor e comunhão, Cristo virá a eles por seu Espírito; então, haverá um cordão tríplice.

Vv. 13-16. As pessoas nunca estão confortáveis e satisfeitas por longo tempo; são aficionadas pela mudança. Isto não é novidade. Os príncipes são tratados com pouca atenção por aqueles a quem pensavam que obrigariam, através de seus favores; isto é vaidade e aflição de espírito. Porém, os servos dedicados ao Senhor Jesus, nosso Rei, regozijam-se somente nEle, e o amarão mais e mais por toda a eternidade.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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