-
1
Ai dos juízes desonestos! Ai das autoridades que fazem leis injustas, que escrevem decretos opressores,
-
2
vocês que não tratam com justiça os pobres, roubam os que já perderam quase tudo, exploram as viúvas e roubam dos órfãos!
-
3
Vocês não terão meios de escapar quando eu trouxer de longe um castigo terrível! A quem vocês vão pedir ajuda? Onde vão esconder seus tesouros roubados?
-
4
Eu não darei qualquer ajuda a vocês; alguns acabarão como prisioneiros, outros serão mortos. Apesar disso tudo, o SENHOR continua cheio de ira e a sua mão continua estendida para castigar Israel.
-
5
Ai da Assíria, a vara que eu vou usar para castigar esse povo, em cujas mãos está o bastão da minha ira!
-
6
Eu os envio contra uma nação pecadora que me provocou até me enfurecer. Os assírios vão saquear e arrancar os bens, escravizar o povo de Israel e pisá-los como lama das ruas.
-
7
Mas o rei da Assíria nem vai pensar que fui eu que fiz tudo isso. Ele vai pensar que esse ataque a Israel é parte do plano dele para conquistar o mundo.
-
8
Ele pensa consigo mesmo: “Logo cada um dos meus príncipes vai ser rei de uma nação conquistada”.
-
9
“Nós destruiremos Calno como destruímos Carquemis”, ele dirá, “e Hamate vai ser conquistada como Arpade. Nós acabaremos com Samaria do mesmo modo que fizemos com Damasco.
-
10
Nós derrotaremos muitos outros reinos cujas imagens eram mais numerosas que as de Jerusalém e Samaria.
-
11
E, quando acabarmos de destruir Samaria e os seus ídolos, chegará a vez de Jerusalém e os seus ídolos!”
-
12
Quando o SENHOR terminar de usar o rei da Assíria para corrigir Jerusalém e Sião, então ele dirá: “Castigarei o rei da Assíria pelo orgulho do seu coração e pelo olhar arrogante.
-
13
“Pois ele diz: ‘Com a força da minha mão eu o fiz, e com a minha inteligência ganhamos todas essas guerras. Somos grandes, temos os melhores soldados. Nossos exércitos derrubaram muralhas, mataram muita gente e conquistaram grandes riquezas.
-
14
Foi tão fácil apanhar as riquezas das nações quanto estender o braço e recolher os ovos em um ninho abandonado. Ninguém podia bater as asas, ninguém que desse um pio!’ ”
-
15
Será que o machado pode se considerar mais forte que o lenhador? Ou a serra vale mais do que o carpinteiro? Seria como se um pedaço de madeira pudesse levantar uma pessoa, ou o bastão levantasse quem não é madeira.
-
16
Por isso o Soberano, o SENHOR Todo-poderoso, enviará contra os fortes guerreiros assírios uma praga que vai destruir boa parte do exército; no lugar da sua glória se acenderá um fogo como chama abrasadora.
-
17
A Luz de Israel será o fogo, o seu Santo, uma chama. Em apenas um dia ele queimará todos esses espinheiros e as roseiras bravas.
-
18
O grande exército assírio, majestoso como uma floresta, será destruído. O SENHOR mesmo os matará, como um homem doente que definha aos poucos.
-
19
Desse grande exército vai sobrar apenas um pequeno número de soldados. Qualquer criança poderá contar quantos são!
-
20
Quando isso acontecer, finalmente, os remanescentes de Israel, os sobreviventes da descendência de Jacó, não vão mais confiar naquele que os feriu; voltarão a confiar no SENHOR, o Santo de Israel, com toda a fidelidade.
-
21
Um remanescente, sim, o remanescente de Jacó voltará para o Deus Poderoso.
-
22
Mesmo que o povo de Israel seja como os grãos de areia do mar, apenas um pequeno número voltará. Deus, na sua justiça, já planejou castigar o seu povo.
-
23
Pois o SENHOR, o Deus Todo-poderoso, decidiu destruir esse país inteiro e ele executará o seu plano.
-
24
É por isso que o Soberano, o Deus Todo-poderoso, diz: “Meu povo, moradores de Jerusalém, não tenham medo dos assírios quando eles vierem explorá-los e maltratá-los como os egípcios fizeram há tanto tempo.
-
25
Isso não vai durar muito. Em breve o meu furor contra vocês vai passar, e então a minha ira se voltará contra os assírios”.
-
26
O SENHOR Todo-poderoso os castigará com um chicote como fez quando derrotou os midianitas na rocha de Orebe; ele erguerá o seu cajado contra o mar Vermelho, como fez no Egito.
-
27
Naquele dia, Deus acabará com a escravidão do seu povo, tirará o fardo dos seus ombros, quebrará as correntes que prendem os judeus.
-
28
Olhem, os exércitos da Assíria estão chegando! Entram em Aiate, passam por Migrom; em Micmás deixam um depósito de armas.
-
29
Atravessam a estreita passagem perto de Geba. Lá eles passam a noite. A cidade de Ramá já está apavorada; os habitantes de Gibeá — terra de Saul — fogem para salvar suas vidas.
-
30
Grite bem alto, povo de Galim. Avisem os habitantes de Laís. Ah, pobre cidade de Anatote!
-
31
O povo de Madmena foge correndo, e os moradores de Gebim fogem para se salvar.
-
32
Hoje mesmo os inimigos vão parar em Nobe para descansar. De lá eles ameaçam a cidade de Sião, a colina de Jerusalém.
-
33
Mas, de repente, vejam! O Soberano, o SENHOR Todo-poderoso, está derrubando as grandes árvores! Ele está destruindo o grande exército, os oficiais e os soldados como se cortam galhos altos de uma árvore! As grandes árvores serão lançadas por terra.
-
34
Ele, o Poderoso, derrubará o inimigo como o machado do lenhador derruba as árvores altas na floresta do Líbano.
Recurso de Estudo
Versículos 1-4: Ais contra os opressores orgulhosos; 5-19: O assírio não é senão um instrumento na mão de Deus para o castigo do seu povo; 20-34: A sua libertação.
Vv. 1-4. Estes versículos devem ser unidos ao capítulo anterior. Ai das potestades superiores que concebem e decretam normas injustas! Ai dos oficiais inferiores que as registram e dão vigência a elas. O que farão os pecadores? Para aonde fugirão?
Vv. 5-19. veja que mudança o pecado realizou, o rei da Assíria, em seu orgulho, pensou que atuava por sua própria vontade. Os tiranos do mundo são instrumentos da Providência. Deus tem o desígnio de corrigir o seu povo de sua hipocrisia, e os aproxima mais dEle, mas este não era o desígnio de Senaqueribe. Seu propósito era gratificar a sua cobiça e ambição. O assírio se ensoberbece das grandes coisas que tem feito às outras nações, através de sua própria política e poder. Não sabe que é Deus quem o tem feito ser o que é, e coloca o cetro em sua mão. Tem feito tudo isto com facilidade; ninguém se debateu nem gritou como as aves, quando destroem seus ninhos. Como conquistou Samaria pensa que certamente derrubará Jerusalém. Era lamentável que Jerusalém adorasse imagens de escultura, e não devemos nos maravilhar que neste aspecto ela superasse aos pagãos. É igualmente néscio que os cristãos imitem as pessoas do mundo em suas vaidades, em lugar de se manterem em outras coisas que são sua honra especial. Nada seria mais inapropriado que uma ferramenta soberba ou que lutasse contra aquele que a fez; assim seria caso senaqueribe se envaidecesse contra o Senhor. Quando Deus permite que o seu povo enfrente problemas, é para trazer o pecado a sua memória, e humilhá-los e despertá-los em relação ao seu dever; este deve ser o fruto: tirar o pecado. Quando estes créditos forem ganhos por meio da aflição, as dificuldades serão tiradas por misericórdia. Este intento contra Jerusalém e Sião não levaria a nada. Deus será como fogo consumidor para os praticantes de iniquidades, tanto no corpo, como na alma. A desolação acontecerá quando o portador do estandarte desfalecer e aqueles que o seguem forem confundidos. Quem pode resistir a este santo e Grande Deus?
Vv. 20-34. Através de nossas aflições podemos aprender a não colocar a nossa confiança nas criaturas. somente aqueles que se voltam realmente para Deus podem permanecer com o seu consolo, e não somente fingindo e professando. Deus trará uma justa desolação às pessoas provocadoras, mas pela sua graça porá limites a isto. Aconteça o que acontecer, é contra o pensamento e a vontade de Deus que o seu povo se entregue ao temor. A ira de Deus contra o seu povo é só por um momento; e quando esta é tirada, não devemos temer a fúria do homem. A vara com a qual Deus corrige o seu povo não somente será posta de lado; mas será lançada no fogo. Para exortar o povo de Deus, o profeta os lembra do que Ele fizera anteriormente, contra os inimigos da sua igreja. o povo de Deus será libertado dos assírios. Alguns pensam que isto aponta para a libertação dos judeus de seu cativeiro, e mais que isto, à redenção do crente da tirania do pecado e de Satanás. Isto, "a causa da unção", por amor de seu povo Israel, refere-se aos crentes que entre eles haviam recebido a unção da graça divina, por amor ao Messias, o ungido de Deus. Aqui há (versos 28-34), uma descrição profética da marcha de senaqueribe até Jerusalém, quando ameaçava destruir esta cidade. Então o Senhor, em quem Ezequias confiava, cortou seu exército como se corta o bosque. Apliquemos o que aqui está escrito a outros assuntos, em outras épocas da Igreja de Cristo. Devido à unção de nosso grande Redentor, o jugo de todo anticristo deve ser tirado de sua Igreja; e se a nossa alma participar da unção do Espírito santo, nos será assegurada liberdade plena e eterna.
Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público