• 1 Então Jesus disse ao povo e aos seus discípulos:
  • 2 “Os mestres da lei e os fariseus têm autoridade para explicar a Lei de Moisés!
  • 3 Obedeçam ao que eles dizem, mas não sigam o exemplo deles. Porque eles não fazem o que mandam vocês fazerem.
  • 4 Exigem de vocês coisas pesadas, mas eles mesmos não estão dispostos a ajudá-los, nem ao menos a levantar um dedo para carregar esses fardos.
  • 5 “Tudo o que fazem é para se mostrar. Eles se fingem de santos, levam afixados aos braços extensas orações com versículos das Escrituras e alongam as barras dos seus mantos.
  • 6 E como gostam de tomar os principais lugares nos banquetes e os assentos mais importantes na sinagoga!
  • 7 Como apreciam a consideração que se presta a eles nas praças e serem chamados de ‘mestre’!
  • 8 “Nunca deixem que alguém chame vocês de ‘mestre’, porque existe um só Mestre e todos vocês estão no mesmo nível, como irmãos.
  • 9 Não se dirijam a ninguém aqui na terra chamando-o de ‘Pai’, porque vocês só têm um Pai, que está nos céus.
  • 10 E não se deixem chamar de ‘chefe’, porque somente um é o chefe de vocês, isto é, o Messias.
  • 11 “Quanto mais humilde for o serviço de vocês aos outros, maiores vocês serão. Para ser o maior de todos, é preciso ser servo.
  • 12 Mas aqueles que se acham grandes sofrerão humilhação; e aqueles que se humilham serão engrandecidos.
  • 13 “Ai de vocês, fariseus, e demais mestres da lei! Hipócritas! Pois vocês não entram no Reino dos céus e não deixam os outros entrarem.
  • 14 “Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês parecem santos, com todas as suas longas orações públicas nas ruas, enquanto exploram as viúvas nas casas delas. Por isso o castigo de vocês será maior!
  • 15 “Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas, porque vão a qualquer distância, percorrendo terra e mar para converter alguém, e depois fazem a mesma pessoa duas vezes mais digna do inferno do que vocês.
  • 16 “Ai de vocês, guias cegos, porque dizem: ‘Se alguém jurar “pelo templo de Deus” não tem importância — pode-se quebrar tal voto, mas um juramento “pelo ouro do templo” deve ser cumprido’.
  • 17 “Cegos insensatos! Que é maior, o ouro ou o templo que santifica o ouro?
  • 18 E vocês dizem que um juramento feito ‘pelo altar’ pode ser quebrado, mas um juramento feito ‘pelas ofertas que estão sobre o altar’ deve ser cumprido!
  • 19 Cegos! Pois que é mais importante: a oferta que está sobre o altar, ou o próprio altar que santifica a oferta?
  • 20 Portanto, aquele que jura ‘pelo altar’, está jurando por ele e por tudo quanto está sobre ele,
  • 21 e quando jura ‘pelo templo’, jura por ele e por aquele que mora nele.
  • 22 E aquele que jura ‘pelos céus’, está jurando pelo trono de Deus e por aquele que está sentado nele.
  • 23 “Ai de vocês, fariseus e mestres da lei, hipócritas! Vocês dão o dízimo até da folha de hortelã, da erva-doce e do cominho, mas se esquecem das coisas importantes — a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Sim, vocês devem dar o dízimo, mas não devem deixar de fazer as coisas mais importantes.
  • 24 Guias cegos! Vocês coam um mosquito e engolem um camelo.
  • 25 “Ai de vocês, fariseus e mestres da lei, hipócritas! Vocês são tão cuidadosos em limpar a parte exterior da taça e do prato, mas o interior está imundo, cheio de ganância e de cobiça.
  • 26 Fariseus cegos! Limpem primeiro o interior da taça e do prato, e então o seu exterior também ficará limpo.
  • 27 “Ai de vocês, fariseus e mestres da lei! Vocês são como belos túmulos pintados: bonitos por fora, mas por dentro cheios de ossos de homens mortos, de podridão e sujeira.
  • 28 Vocês procuram parecer homens santos, mas por baixo desses mantos de bondade estão corações manchados de toda espécie de fingimento e maldade.
  • 29 “Ai de vocês, fariseus e mestres da lei, hipócritas! Pois constroem monumentos aos profetas mortos pelos seus pais, depositam flores nos túmulos dos homens bondosos que eles destruíram,
  • 30 e dizem: ‘É claro que se tivéssemos vivido no tempo dos nossos antepassados, não teríamos feito o que eles fizeram; não teríamos derramado o sangue dos profetas’.
  • 31 Dizendo isso, vocês estão acusando-se a si mesmos de serem os filhos dos homens perversos que assassinaram os profetas.
  • 32 E vocês estão seguindo os passos deles, enchendo a medida da maldade dos seus antepassados.
  • 33 “Serpentes! Filhos de víboras! Como vocês escaparão da condenação do inferno?
  • 34 Eu enviarei a vocês profetas, homens sábios e mestres, e vocês matarão alguns pela crucificação, ferirão os outros com chicotes em suas sinagogas, e perseguirão todos de cidade em cidade.
  • 35 E vocês se tornarão culpados de todo o sangue dos homens justos, desde Abel até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que vocês mataram no templo, entre o altar e o santuário.
  • 36 Sim, toda a condenação acumulada nestes séculos cairá sobre esta geração.
  • 37 “Jerusalém, Jerusalém, cidade que mata os profetas e apedreja todos aqueles que Deus lhe envia! Quantas vezes eu quis juntar os seus filhos como uma galinha junta seus pintinhos debaixo das asas, mas vocês não quiseram.
  • 38 E agora a sua casa será deixada ao abandono.
  • 39 Pois eu digo isto a vocês: nunca mais me verão, até que digam: ‘Bendito é o que vem em nome do Senhor’ ”.

Versículos 1-12: Jesus repreende os escribas e fariseus; 13-33: Os delitos dos fariseus; 34-39: A culpa de Jerusalém.

Vv. 1-12. Os escribas e fariseus explicavam a lei de Moisés, e obrigavam a obedecê-la. São acusados de hipocrisia na religião. Só podemos julgar conforme as aparências exteriores, porém, Deus esquadrinha o coração. Eles faziam filactérios, rolos de papel ou pergaminho onde escreviam quatro artigos da lei, para atá-los na testa e no braço esquerdo (Êx 13.2-16; Dt 6.4-9; 11.13-21). Faziam estes filactérios extensos, para que se pensassem que eram mais zelosos da lei que os demais. Deus ordenou aos judeus que pusessem franjas nas suas vestiduras (Núm. 15.38), para recordar-lhes que são um povo peculiar, mas os fariseus as faziam ainda maiores do que era comum, como se por isto fossem mais religiosos que os demais. O orgulho era o pecado reinante nos fariseus, o pecado que mais facilmente nos assalta, e contra o qual o Senhor Jesus fala aproveitando todas as ocasiões. Aquele que é ensinado na Palavra deve elogiar e honrar ao que ensina; porém, para o que ensina, é pecaminoso exigir esta honra e envaidecer-se por isto. Quão contrário isto é ao espírito cristão! Ao discípulo coerente de Cristo, é penoso ser colocado em posições de destaque, mas quando se olha ao redor da Igreja, quem pensará que este é o espírito requerido? Está claro que alguma medida do espírito anticristão predomina em toda a sociedade religiosa e no coração de cada um de nós.

Vv. 13-33. Os escribas e os fariseus eram inimigos do Evangelho de Cristo e, portanto, da salvação das almas dos homens. Não é bom nos mantermos longe de Cristo, mas pior que isto é manter os demais longe dEle. Não é novidade que a aparência e a forma da piedade são usadas como manto para as maiores distorções. Porém, a piedade hipócrita será considerada como iniquidade dobrada. Estavam muito ocupados em ganhar almas para seu partido; não para a glória de Deus, nem para o bem das almas, mas para terem o mérito e a vantagem de fazer prosélitos. Sendo a ganância sua piedade, com milhares de estratagemas eles fizeram com que a religião cedesse seu lugar a seus interesses mundanos. Eram muito estritos e precisos em matérias mínimas da lei, mas negligentes e consequentes nas matérias de maior peso. Não é o escrúpulo por um pequeno pecado que Cristo reprova aqui; mesmo se fosse um pecado como um mosquito, eles o filtravam, mas faziam isso e logo depois engoliam um camelo, ou seja, cometiam um pecado muito maior. Ainda que pareciam ser santos, não eram sóbrios nem justos. Realmente somos o que somos por dentro. Os motivos externos podem manter limpo o exterior, enquanto o interior está imundo; porém, se o coração e o espírito são feitos novos, haverá vida nova; aqui devemos começar por nós mesmos. A justiça dos escribas e dos fariseus era como os adornos de uma tumba ou o vestido de um cadáver, que só serviam como espetáculo. o enganoso dos corações dos pecadores se manifesta em que navegam, rio abaixo, pelas torrentes de pecado de sua própria época, enquanto se sentem orgulhosos de oporem-se aos pecados mais frequentes em épocas anteriores. Às vezes pensamos que se tivéssemos vivido quando Cristo esteve na terra, não o teríamos desprezado nem o reprovado, como fizeram os homens; mas Cristo, em seu Espírito, sua palavra e em seus ministros, ainda não é tratado de uma maneira melhor. Justo é que Deus entregue à carnalidade de seus corações a estes que se obstinam em satisfazerem-se a si mesmos. Cristo dá aos homens seu caráter verdadeiro.

Vv. 34-39. Nosso Senhor declara as misérias que estavam por acontecer aos habitantes de Jerusalém, por culpa deles mesmos; porém, Ele não dá tamanha atenção aos sofrimentos que iria enfrentar. Uma galinha que ajunta seus pintainhos sob suas asas é um emblema adequado do terno amor do Salvador, àqueles que confiam nEle, e seu fiel cuidado por eles. Ele chama aos pecadores para que se refugiem em sua terna proteção, os mantém a salvo e os nutre para a vida eterna. Aqui se anunciam a dispersão e a incredulidade dos judeus, e sua futura conversão a Cristo. Jerusalém e seus filhos tinham grande parte de culpa e seu castigo fora um sinal. Não tardará, e a vingança merecida cairá sobre cada Igreja que é cristã apenas nominalmente. Enquanto isso, o Salvador está pronto para receber a todos os que vão a Ele. Nada há entre os pecadores e a felicidade eterna, senão seu orgulho e sua incrédula falta de vontade.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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