• 1 E agora, irmãos, quero escrever sobre os dons espirituais, pois não desejo que vocês sejam ignorantes a esse respeito.
  • 2 Vocês estão lembrados de que, antes de se tornarem servos de Cristo, andavam para lá e para cá, de um ídolo a outro, nenhum dos quais podia falar uma única palavra.
  • 3 Agora, porém, vocês estão encontrando pessoas que alegam que transmitem mensagens da parte do Espírito de Deus. Como é que vocês podem saber se elas são realmente inspiradas por Deus ou não? Eis o critério: Ninguém, falando pelo poder do Espírito de Deus, pode amaldiçoar Jesus, e ninguém pode dizer “Jesus é Senhor” a não ser que seja pelo Espírito Santo.
  • 4 Ora, Deus nos dá diferentes tipos de dons, porém o Espírito Santo é a fonte de todos eles.
  • 5 Há diferentes espécies de serviço a Deus, porém é ao mesmo Senhor que estamos servindo.
  • 6 Há muitos modos pelos quais Deus opera em nossas vidas, porém é o mesmo Deus quem faz a obra em nós e através de todos nós, os que lhe pertencemos.
  • 7 O Espírito Santo manifesta o poder de Deus através de cada um de nós visando o bem comum de toda a igreja.
  • 8 A um o Espírito concede a palavra de sabedoria; a outro a palavra de conhecimento, e este dom vem do mesmo Espírito.
  • 9 Ele dá uma fé toda especial a um; e a outro, dons de curar, pelo mesmo Espírito.
  • 10 A um ele dá o poder de fazer milagres; e a outro o poder de profetizar. A outro, ainda, o poder de discernir espíritos que estão falando através daqueles que afirmam proclamar as mensagens de Deus — ou de perceber se realmente é o Espírito de Deus quem está falando. A um ele dá o dom de falar em línguas que jamais aprendeu; e outro, que também não conhece aquela língua, recebe o dom de interpretá-las.
  • 11 É o mesmo e único Espírito Santo que dá todos esses dons, e ele os distribui individualmente, a cada um como quer.
  • 12 Nossos corpos têm muitos membros, porém esses muitos membros formam um só corpo. Assim acontece com Cristo.
  • 13 Cada um de nós é um membro desse corpo único de Cristo. Alguns de nós são judeus; outros, gentios; alguns são escravos, e outros, livres. Entretanto, o Espírito Santo encaixou-nos todos juntos num só corpo. Todos nós fomos batizados no corpo de Cristo pelo único Espírito, e a todos nós foi dado beber do mesmo Espírito Santo.
  • 14 Ora, o corpo não é feito de um só membro, mas de muitos.
  • 15 Se o pé disser: “Não sou membro do corpo porque não sou mão”, nem por isso deixa de ser um membro do corpo.
  • 16 E que pensariam vocês se ouvissem uma orelha dizer: “Não sou membro do corpo, porque sou apenas orelha, e não olho”? Será que isso a faria menos parte do corpo?
  • 17 Suponhamos que o corpo inteiro fosse olho — então como é que vocês ouviriam? Ou, se o corpo todo fosse orelha, como é que vocês poderiam sentir o cheiro de alguma coisa?
  • 18 Entretanto, Deus criou muitos membros para os nossos corpos e colocou cada um desses membros conforme ele quis.
  • 19 Que coisa esquisita seria um corpo, se tivesse somente um único membro!
  • 20 Assim foi que ele fez muitos membros em um só corpo.
  • 21 O olho não pode dizer à mão: “Não preciso de você”. A cabeça não pode dizer aos pés: “Não preciso de vocês”.
  • 22 E alguns dos membros que parecem ser os mais fracos e menos importantes são, na realidade, os mais necessários.
  • 23 E aqueles membros que achamos ser menos honrosos, nós os protegemos, com todo o cuidado. E os membros que parecem ser feios recebem um tratamento especial,
  • 24 enquanto outros membros não exigem esse cuidado especial. Assim, Deus armou o corpo de maneira tal que se dão cuidado e honra maiores àqueles membros que, de outro modo, poderiam parecer menos importantes.
  • 25 Isso produz harmonia entre os membros, não havendo divisão no corpo. Todos os membros têm o mesmo interesse uns pelos outros.
  • 26 Se um membro sofrer, todos os outros sofrem com ele, e se um membro for honrado, todos os outros se alegram com ele.
  • 27 Eis o que eu estou procurando dizer: Todos vocês juntos são o corpo de Cristo, e cada um de vocês é um membro separado e necessário desse corpo.
  • 28 Na igreja, Deus colocou tudo no seu devido lugar: Em primeiro lugar, os apóstolos; em segundo lugar, os profetas; em terceiro lugar, os mestres; depois os que fazem milagres, os que têm dons de curas, os que podem ajudar os outros, os que podem fazer que outros trabalhem juntos e os que falam línguas que nunca aprenderam.
  • 29 São todos apóstolos? Não. São todos profetas? Naturalmente que não. São todos mestres? Também não. Têm todos o poder de fazer milagres?
  • 30 É claro que não. Podem todos curar? Deus dá a todos o poder de falar em línguas que nunca aprenderam antes? Todos interpretam essas línguas?
  • 31 Não, mas façam todo o possível para terem os dons mais importantes. Quero falar-lhes a respeito do caminho que é o melhor de todos!

Versículos 1-11. Mostra-se a variedade e o uso dos dons espirituais; 12-26. Cada membro no corpo humano tem o seu lugar e uso; 27-30: Isto se aplica à igreja de Cristo; 31: Existe algo mais excelente que os dons espirituais.

Vv. 1-11. Os dons espirituais são poderes extraordinários outorgados a partir das primeiras épocas, para convencer os incrédulos e para difundir o Evangelho. Os dons e a graça diferem amplamente. Ambos são dados generosamente por Deus; porém, onde a graça é dada, é para a salvação daqueles que a recebem. Os dons são para o benefício e a salvação do próximo. E pode haver grandes dons onde não há graça. Os dons extraordinários do Espírito Santo eram exercidos principalmente nas assembléias públicas, onde parece que os coríntios faziam exibição deles, por faltar-lhes o espírito de piedade e do amor cristão. Enquanto eram pagãos, não haviam sido influenciados pelo Espírito de Cristo. Ninguém pode chamar a Cristo de Senhor, por fé, se esta fé não for uma obra do Espírito Santo. Ninguém pode crer em seu coração, ou provar por um milagre que Jesus é o Cristo, senão pelo Espírito Santo. Há diversidade de dons e diversidade de operações, mas todos procedem de um só Deus, um só Senhor, um só Espírito; isto é, do Pai, Filho e Espírito Santo, origem de todas as bênçãos espirituais. Nenhum homem os recebe simplesmente para si mesmo. Quanto mais os usarem para o benefício dos demais, mais se favorecerão a si mesmos. Os dons mencionados parecem significar o exato entendimento e a expressão das doutrinas da religião cristã; o conhecimento dos mistérios, e a destreza para exortar e aconselhar. Além do mais, representam o dom de curar os enfermos, fazer milagres e explicar as Escrituras através de um dom peculiar do Espírito Santo, e a habilidade para falar e interpretar línguas. se temos algum conhecimento da verdade, ou algum poder para ensiná-la, devemos dar toda a glória a Deus. Quanto maiores furem os dons, mais exposto à tentação estará o seu possuidor, e maior será a medida de graça necessária para mantê-lo humilde e espiritual; e este se deparará com mais experiências dolorosas e dispensações humilhantes. Não temos nenhuma razão para nos gloriarmos por algum dom a nós concedido, ou para desprezar aqueles que não os possuam.

Vv. 12-26. Cristo e a sua Igreja formam um corpo, como cabeça e membros. Os cristãos tornam-se membros deste corpo pelo batismo. Este rito exterior é uma instituição divina, é um símbolo do novo nascimento e portanto, chamado lavagem da regeneração (Tt 3.5). É somente pela renovação do Espírito Santo que nos tornamos membros do corpo de Cristo. Pela comunhão com Cristo na ceia do Senhor, somos fortalecidos, não por beber vinho, mas por beber de um mesmo Espírito. Cada membro tem a sua forma, lugar e uso. O de menos honra faz parte do corpo. Deve haver diversidade de membros no corpo, sim, os membros de Cristo têm diferentes poderes e distintas posições. Devemos cumprir os deveres de nosso próprio cargo sem nos queixarmos nem pelejar com os demais. Todos os membros do corpo são úteis e necessário, uns para os outros. Não existe nem um membro do corpo de Cristo que não deva nem possa ser de proveito para os seus co-membros. Como no corpo natural do homem, os membros devem estar estritamente unidos pelos mais fortes laços de amor, o objetivo de todos deve ser o bem do todos. Todos os cristãos dependem uns dos outros; cada um deve esperar e receber ajuda dos demais. Então, tenhamos mais do espírito de união em nossa religião.

Vv. 27-31. O desprezo, o ódio, a inveja e a discórdia são antinaturais nos cristãos. É como se os membros do mesmo corpo não se interessassem uns pelos outros, ou como se lutassem entre si. Assim, condenava-se o espírito orgulhoso e belicoso que prevalecia quanto aos dons espirituais. São mencionados os mistérios e os dons, ou favores dispensados pelo Espírito Santo. Também os principais ministros, as pessoas capacitadas para interpretar as Escrituras, os que trabalhavam na Palavra e na doutrina; os que tinham poder para curar enfermidades, os que socorriam aos enfermos e fracos, os que administravam o dinheiro dado pela Igreja para a caridade, e administravam os assuntos da Igreja, e os que podiam falar diversas línguas. O que está em uma classe inferior e é o último desta lista, é o poder de falar línguas; quão vão é que um homem faça isso somente para divertir-se ou enaltecer-se! Observe que a distribuição destes dons não é por igual (vv. 29, 30), coisa que teria tornado toda a Igreja igual, como se o corpo fosse todo ouvido, ou todo olho. O Espírito distribui a cada um como lhe agrada. Devemos estar contentes ainda que sejamos inferiores, e menos que os demais. Não devemos desprezar aos demais, se tivermos dons maiores. Que abençoada seria a Igreja cristã se todos os seus membros cumprissem o seu dever! Ao invés de cobiçar os postos mais altos, ou os dons mais excelentes, deixemos que Deus nomeie os seus instrumentos, e aqueles nos quais opere por sua providência. Lembremo-nos de que no além não serão aprovados os que procuram postos altos, mas os que forem fiéis à tarefa que lhes foi encarregada, e os mais diligentes na obra de seu Mestre.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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