• 1 Porque nós sabemos que quando morrermos e deixarmos este corpo teremos um maravilhoso corpo novo no céu, um lar que será nosso para todo o sempre, feito para nós pelo próprio Deus, e não por mãos humanas.
  • 2 Como vamos ficando cada vez mais cansados deste corpo atual! Eis por que esperamos com ansiedade o dia quando teremos um corpo celestial, que vestiremos com roupas novas.
  • 3 Porque nós não seremos apenas espíritos sem corpo.
  • 4 Este nosso corpo terreno nos faz gemer e suspirar, porém não gostaríamos de pensar em morrer e depois não possuir corpo algum. Desejamos revestir-nos do nosso novo corpo, de maneira tal que este corpo mortal seja absorvido pela vida.
  • 5 Isso é o que Deus preparou para nós e, como garantia, ele nos deu o seu Espírito Santo.
  • 6 Agora estamos confiantes e compreendemos que cada instante que gastamos neste corpo terreno é tempo gasto longe do nosso lar eterno, com o Senhor.
  • 7 Sabemos que essas coisas são verdadeiras pelo que cremos, e não pelo que vemos.
  • 8 E não estamos com medo, e sim bem animados para deixar de viver neste corpo, porque assim habitaremos com o Senhor.
  • 9 Assim, o nosso alvo é agradá-lo sempre em tudo quanto fazemos, quer estejamos aqui neste corpo ou fora deste corpo.
  • 10 Porque todos nós teremos de comparecer diante do tribunal de Cristo para sermos julgados. Cada um de nós receberá o que merecer pelas coisas boas ou más que tiver feito neste corpo terreno.
  • 11 É por causa desse reverente temor ao Senhor, sempre presente em nossas vidas, que trabalhamos tão arduamente para ganhar os outros. Deus conhece nosso coração, e sabe que ele é sincero nessa questão; e eu espero que vocês, bem no íntimo, verdadeiramente o saibam também.
  • 12 Estamos nós procurando elogiar-nos a nós mesmos outra vez? Na verdade estamos dando a oportunidade de exultarem em nós. Vocês podem usar isso com aqueles que andam se gabando de terem boa aparência e não têm corações verdadeiros e sinceros.
  • 13 Estaremos loucos (em dizer tais coisas sobre nós mesmos)? Se assim for, é para dar glória a Deus. E se estamos em são juízo, é para benefício de vocês.
  • 14 Qualquer coisa que nós façamos, não é certamente para o nosso próprio proveito, mas porque o amor de Cristo agora nos governa. Visto que cremos que Cristo morreu por todos, devemos crer também que já morremos para a velha vida.
  • 15 Ele morreu por todos, para que todos quantos vivem — tendo recebido dele a vida eterna — possam viver não mais para si mesmos, para agradar-se a si mesmos, mas para aquele que morreu e novamente ressuscitou por eles.
  • 16 Portanto, deixem de ficar avaliando os servos de Cristo pelo que o mundo pensa a respeito deles, ou por aquilo que aparentam ser exteriormente. Antigamente, erradamente considerávamos Cristo como um simples ser humano igual a nós. Como pensamos de modo diferente agora!
  • 17 Quando alguém está em Cristo, torna-se uma pessoa totalmente nova por dentro. Já não é mais a mesma pessoa. As coisas antigas já passaram e teve início uma nova vida!
  • 18 Todas essas coisas novas vêm de Deus, que nos trouxe de volta a si mesmo por meio daquilo que Cristo Jesus fez. E Deus nos deu o privilégio de insistir com todos para que se reconciliem com ele.
  • 19 Pois Deus estava em Cristo, reconciliando o mundo para si, não levando mais em conta os pecados dos homens contra eles, e sim apagando-os. Esta mensagem maravilhosa da reconciliação ele nos deu para transmitir aos outros.
  • 20 Somos embaixadores de Cristo. Deus nos está usando para falar a vocês. Nós lhes imploramos, como se o próprio Cristo estivesse aqui suplicando a vocês: Aceitem o amor que ele lhes oferece — reconciliem-se com Deus.
  • 21 Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós, para que nele nos tornássemos justiça de Deus.

Versículos 1-8: A esperança e o desejo do apóstolo pela glória celestial; 9-15: Isto estimulava a diligência. A razão de sentir zelo pelos coríntios; 16-21: A necessidade da regeneração, da reconciliação com Deus por meio de Cristo.

Vv. 1-8. O crente não apenas está bem seguro pela fé de que há outra vida feliz depois desta, mas tem também boa esperança, pela graça, do céu como habitação; um lugar de repouso, um esconderijo. Na casa de nosso Pai, cujo arquiteto e construtor é Ele mesmo, há muitas moradas. A felicidade do estado futuro é o que Deus tem preparado para aqueles que o amam: habitações eternas, não como tabernáculos terrestres, as pobres cabanas de barro em que agora as nossas almas moram, que se apodrecem e deterioram, cujos alicerces estão no pó. O corpo de carne é uma carga pesada, como também as calamidades da vida; por isso, os crentes gemem carregados com um corpo de pecado, e devido às muitas corrupções remanescentes que rugem dentro deles. A morte nos despirá da veste de carne e de todas as bênçãos da vida, e acabará com todos os nossos problemas terrenos. Porém, as almas fiéis serão vestidas com vestes de louvor, com mantos de justiça e glória. As graças e as consolações presentes do Espírito são primícias da graça e do consolo eterno. Mesmo que Deus esteja aqui conosco por seu Espírito, e em suas ordenanças, ainda não estamos com Ele como esperamos estar. A fé é para este mundo, e a vista é para o outro mundo. É o nosso dever, e será a nossa preocupação andar por fé, pois até que vivamos por vista. Isto mostra claramente a felicidade que as almas dos crentes desfrutarão quando se ausentarem do corpo, e onde Jesus dá a conhecer a sua gloriosa presença. Estando unidos ao corpo e ao Senhor, cada um reclama uma parte de nós; porém, mais poderosamente clama o Senhor por ter a alma do crente intimamente unida a Ele! Tu és uma das almas que Eu tenho amado e escolhido; um dos que me têm sido dados. O que é a morte como objeto de temor, se comparada com estar ausentes do Senhor!

Vv. 9-15. O apóstolo anima-se a si mesmo e aos demais a cumprirem o seu dever. As esperanças bem fundamentadas do céu não vivificarão a preguiça nem a confiança pecaminosa. Todos devem considerar o juízo vindouro, aquele que é chamado de "O terror do Senhor". sabendo quão terrível é a vingança que o Senhor executará nos praticantes de iniquidade, o apóstolo e seus irmãos usam todo argumento e persuasão para levar os homens a crerem no Senhor Jesus, e para agirem como seus discípulos. Seu zelo e diligência eram para a glória de Deus e para o bem da Igreja. O amor de Cristo por nós terá um efeito similar em nós, se for devidamente considerado e retamente julgado. Todos estavam perdidos e excluídos, mortos e destruídos, escravos do pecado, sem poder para libertarem-se e continuariam assim miseráveis para sempre, se Cristo não tivesse morrido. Não devemos fazer de nós mesmos a finalidade de nossa vida e ações, mas a Cristo. A vida do cristão deve ser dedicada a Cristo. Quantos mostram a nulidade da fé e do amor que professam vivendo para si mesmos e para o mundo!

Vv. 16-21. O homem renovado age sobre a base de novos princípios, por regras novas, com novas finalidades e com companhias novas. O crente é criado de novo; seu coração não somente é endereçado, recebe um novo coração. É criatura de Deus, criado em Cristo Jesus para boas obras. Ainda que seja o mesmo como homem, tem o seu caráter e conduta transformados. Estas palavras devem significar mais que uma reforma superficial. O homem que antes não via beleza no Salvador para que pudesse desejá-lo, agora ama-o acima de todas as coisas. O coração daquele que não está regenerado, está cheio de inimizade contra Deus, e Deus está justamente ofendido com ele. Porém, pode haver reconciliação. Nosso Deus ofendido nos tem reconciliado consigo por Jesus Cristo. As Escrituras, que são a Palavra de reconciliação, foram escritas pela inspiração de Deus; mostrando que a paz havia sido feita pela cruz, e como podemos nos interessar por ela. Ainda que não possa perder pela guerra, nem ganhar pela paz, ainda assim Deus roga aos pecadores que lancem de lado a sua inimizade e aceitem a salvação que Ele oferece. Cristo não conheceu pecado. Foi feito pecado, mas não pecador; uma oferta pelo pecado, um sacrifício pelo pecado. O objetivo e a intenção de tudo isto era que pudéssemos ser feitos justiça de Deus nEle, e justificados gratuitamente pela graça de Deus, por meio da redenção que está em Cristo Jesus. Pode alguém perder, trabalhar ou sofrer demasiadamente por aquEle que deu o seu Filho amado para que fosse sacrifício pelos nossos pecados, para que fôssemos feitos a justiça de Deus nEle?

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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