• 1 “Ouçam, ó céus, e eu falarei; ouça, ó terra, as palavras da minha boca.
  • 2 Meu ensino derramo sobre vocês como chuva; que minhas palavras sejam como o orvalho, como o chuvisco sobre a relva e como gotas de água sobre a ladeira verde.
  • 3 “Proclamarei o nome do SENHOR. Engrandecerei o nosso Deus.
  • 4 O SENHOR é a Rocha! O que ele faz é perfeito, e todos os seus caminhos são justos. Deus é fiel, e não há nele injustiça. Ele é justo e reto.
  • 5 “Mas Israel corrompeu-se! Já não são mais seus filhos, e sim suas manchas, geração perversa e falsa!
  • 6 Assim vocês tratam o SENHOR, povo insensato e ignorante? Não é ele o Pai de vocês, que os comprou, que os fez e os formou?
  • 7 “Lembrem-se bem dos dias antigos; sondem as gerações passadas; perguntem aos seus pais, e eles lhes contarão; aos seus anciãos, e eles lhes falarão tudo.
  • 8 Quando o Altíssimo distribuiu a terra entre as nações quando separou os filhos dos homens, ele fixou as fronteiras de acordo com o número dos filhos de Israel.
  • 9 Sim, porque Jacó é a herança do SENHOR!
  • 10 “Ele encontrou Israel em terra deserta, numa região árida e no meio de uivos de animais. Ele cuidou bem do povo, com todo o carinho; guardou-o como se fosse a menina dos seus olhos.
  • 11 Abriu as asas sobre os filhos de Israel como a águia faz com seus filhotes. Como ela carrega os filhotes em cima das asas, o Senhor levou o povo que escolheu.
  • 12 Assim Israel foi guiado pelo SENHOR, e só por ele! Nenhum deus estranho estava junto!
  • 13 O SENHOR fez com que seu povo cavalgasse nos lugares altos da terra e o alimentou com o produto do campo. Ele fez escorrer mel das rochas e azeite dos terrenos pedregosos.
  • 14 Alimentou-os com coalhada das vacas e leite de cabras, com a gordura dos cordeiros; deu também a carne macia dos cordeiros engordados nas ricas pastagens de Basã e o melhor trigo. Beberam o sangue das uvas, o suco delicioso!
  • 15 “Mas quando o povo amado de Israel engordou, agiu como animal selvagem. Quando ficou satisfeito, gordo e coberto de gordura, abandonou o Deus que o fez; desprezou a Rocha da salvação!
  • 16 Israel começou a seguir outros deuses abomináveis, provocando a ira do SENHOR: Deus ficou com ciúme do seu povo.
  • 17 Os filhos de Israel ofereceram sacrifícios aos demônios, não a Deus. Ofereceram sacrifícios a deuses que não conheciam, deuses novos e recém-chegados, deuses que não receberam o afeto dos nossos pais.
  • 18 Ó Israel! Você abandonou a Rocha da qual foi gerado; você esqueceu o Deus que o fez nascer!
  • 19 “Deus viu tudo isso e o rejeitou, pois foi provocado demais por seus filhos e suas filhas!
  • 20 Disse Deus: ‘Vou esconder o meu rosto deles para ver qual será o seu fim; pois são uma geração perversa, filhos desleais!
  • 21 Pois vejam todos que rivais o meu povo arranjou, rivais do meu amor: Ídolos! Ídolos que nem são deuses! Agora vou fazer o mesmo com Israel: vou provocar ciúmes nele! Vou dedicar afeição a um povo que não é meu; provocarei sua ira por meio de uma nação insensata.
  • 22 Porque a minha ira pegou fogo e vai queimar até as profundezas do Sheol, as colheitas serão devoradas pelas chamas e as bases dos montes vão virar cinza!
  • 23 “ ‘Amontoarei desgraças sobre o meu povo! Usarei todas as minhas flechas contra eles!
  • 24 Destruirei os filhos de Israel pela fome e farei com que sejam devorados pela febre e por terríveis pestes; enviarei contra eles animais ferozes e veneno ardente de serpentes que rastejam no pó.
  • 25 Fora de casa, morrerão pela espada inimiga e dentro dela reinará pavor; morrerão tanto o jovem como a moça, tanto as crianças de colo como os homens idosos.
  • 26 Eu disse: “Por todo o canto os espalharei e apagarei da humanidade a lembrança do nome deles”.
  • 27 Mas tive receio da arrogância do inimigo, pois poderiam se iludir e dizer: “Nós é que destruímos Israel! Não foi o SENHOR que fez isto”.’
  • 28 “Israel é uma nação que perdeu o bom senso, é um povo sem entendimento.
  • 29 Ah! Se vocês fossem sábios! Então poderiam compreender! Ah! Se dessem atenção ao fim que os espera!
  • 30 Como seria possível um só soldado perseguir mil soldados de Israel, e dois fazerem fugir dez mil, a não ser que o SENHOR, a Rocha de Israel, não os tivesse vendido; e o SENHOR Deus não os tivesse entregue?
  • 31 Porque a rocha dos nossos inimigos não é como a nossa Rocha. Eles mesmos sabem e dizem isso.
  • 32 A vinha deles é de Sodoma e as lavouras de Gomorra; suas uvas estão cheias de veneno, e os seus cachos são amargos.
  • 33 O vinho deles é como um veneno abrasador da serpente, como o veneno mortal das cobras.
  • 34 “ ‘Tenho um segredo bem guardado, selado com os meus tesouros.
  • 35 A mim pertence a vingança e a retribuição; darei o castigo merecido a todos os inimigos do meu povo. Isto vai acontecer na hora certa, quando começarem a tropeçar. E não está longe o dia da desgraça deles! O dia da ruína que decretei para eles está próximo!’
  • 36 “O SENHOR tratará o seu povo com justiça, e quando Israel perder todas as forças terá compaixão dos seus servos, tanto escravos como livres.
  • 37 Então o SENHOR perguntará: ‘Onde estão os deuses deles, as rochas nas quais confiavam?
  • 38 Onde estão os deuses que comeram a gordura de suas vítimas, as quais ofereciam animais e vinho em sacrifício? Que eles apareçam! Que ajudem os inimigos do meu povo para que achem esconderijo!
  • 39 “ ‘Vejam agora que eu sou o único, eu somente. Não existe outro Deus além de mim! Eu causo a morte e restituo a vida. Eu firo e eu faço sarar. Ninguém é capaz de escapar das minhas mãos.
  • 40 Levanto as minhas mãos aos céus e afirmo pela minha vida eterna,
  • 41 quando eu afiar a minha espada brilhante e quando eu puser em ação o julgamento, que eu me vingarei dos meus inimigos. Os que me odeiam vão receber o que merecem!
  • 42 Embeberei as minhas flechas em sangue, enquanto minha espada devorar a carne e o sangue dos mortos e dos prisioneiros, e as cabeças dos líderes inimigos’.
  • 43 “Que todas as nações louvem o povo do SENHOR, pois o SENHOR vai vingar o sangue dos seus servos; vai retribuir com vingança aos seus inimigos e vai purificar a terra de Israel e o seu povo”.
  • 44 Depois Moisés veio com Josué, filho de Num,
  • 45 recitou todas as palavras dessa canção na presença do povo e disse:
  • 46 “Meditem bem em todas estas leis que eu hoje estou transmitindo solenemente a vocês, para que ensinem todos estes mandamentos aos seus filhos e que eles obedeçam fielmente a todas as palavras desta lei.
  • 47 Estas leis não são palavras vazias! São a vida de vocês! Se vocês as cumprirem, terão vida longa e vitoriosa na terra de que vão tomar posse do outro lado do rio Jordão!”
  • 48 Naquele mesmo dia, o SENHOR disse a Moisés:
  • 49 “Suba o monte Nebo, nestas montanhas de Abarim, em Moabe, em frente de Jericó. Lá do alto contemple a terra de Canaã que vou dar aos israelitas como sua propriedade.
  • 50 Você morrerá, no alto do monte, e vai reunir-se aos seus antepassados, assim como o seu irmão Arão morreu no Monte Hor e foi reunido aos seus antepassados.
  • 51 Será assim porque vocês dois pecaram contra mim na presença do meu povo, nas águas de Meribá de Cades, no deserto de Zim. Vocês desonraram o meu nome diante do povo de Israel!
  • 52 Você vai ver a terra que vou dar ao povo de Israel somente à distância! Mas você não entrará na terra que estou dando ao povo de Israel”.

Versículos 1,2: O cântico de Moisés; 3-6. O caráter de Deus; o caráter de Israel. 7-14: As grandes coisas que Deus fez por Israel. 15- 18: A iniquidade de Israel; 19-25: Os juízos que lhes sobrevirão por causa de seus pecados; 26- 38: A suspensão da vingança merecida; 39­ 43: A libertação de Deus para o seu povo; 44-47: A exortação com que o cântico foi entregue; 48-52: Moisés sobe ao monte Nebo para morrer.

Vv. 1,2. Moisés inicia o seu discurso com uma apelação solene ao céu e à terra quanto à verdade e importância do que iria dizer. A sua doutrina é o Evangelho, o discurso de Deus, a doutrina de Cristo; a doutrina da graça e da misericórdia, da vida e da salvação através dEle.

Vv. 3-6. "Ele é a Rocha!" Esta é a primeira vez que Deus é assim chamado nas Escrituras. A expressão denota que o poder, a fidelidade e o amor divinos, revelados em Cristo e no Evangelho, formam um fundamento que não pode ser abalado nem movido, sobre o qual podemos edificar a nossa esperança de felicidade. Sob a sua proteção, podemos encontrar o refúgio de todos os nossos inimigos, e em todos os nossos problemas; assim como as rochas daqueles países eram como escudos contra os raios abrasadores do sol, e contra a força das tempestades, eram também como fortalezas contra o inimigo. A sua "obra é perfeita" : a obra da redenção e salvação em que se divulga completamente a perfeição divina em todas as suas partes. Todos os tratos de Deus com as suas criaturas estão regulados por uma sabedoria que não pode errar, e por sua perfeita justiça. Certamente Ele é justo e reto, e cuida para que ninguém que venha a Ele se perca. É apresentada uma grande acusação contra Israel, os filhos de Deus ainda têm as suas máculas enquanto estão neste estado imperfeito; se dissermos que não temos nenhum pecado ou mancha, enganaríamos a nós mesmos. Porém, o pecado de Israel não era habitual, notável e impenitente, o que são características dos filhos de Satanás. Foram néscios ao abandonar a sua misericórdia em troca da vaidade mentirosa. Todos os pecadores voluntários, especialmente os transgressores de Israel, são néscios e ingratos.

Vv. 7-14. Moisés dá exemplos particulares da bondade de Deus e de sua preocupação por eles, o cuidado que a águia dá aos seus filhotes é um bom símbolo do amor de Cristo, que veio ser o mediador entre a justiça divina e a nossa alma culpável, e levar os nossos pecados em seu próprio corpo sobre o madeiro. Através da pregação do Evangelho, e pela influência do Espírito Santo, Ele estimula os pecadores e prevalece sobre eles, para que deixem a escravidão de Satanás. Nos vv. 13 e 14, encontram-se os emblemas da vitória que os crentes possuem em Cristo e através dEle, sobre os seus inimigos espirituais, que são o pecado, Satanás, e o mundo. Também há símbolos da segurança e do triunfo deles nEle; do marco de felicidade de sua alma quando estiver acima do mundo e do que pertence ao mundo. Este será, em todos os sentidos, o caso do Israel espiritual no último dia.

Vv. 15-18. Aqui estão dois exemplos da iniquidade de Israel; cada um deles foi uma apostasia contra Deus. Este povo era chamado de Jesurum, que significa para alguns "um povo reto", e para outros "um povo visionário". Porém, rapidamente perderam a reputação de seu saber e de sua retidão. Satisfizeram os seus apetites, como se não tivessem algo a fazer além da provisão para a carne, a fim de satisfazerem suas concupiscências. os que se comportam como se fossem deuses, e transformam o seu estômago em um ídolo, com orgulho e soberba, e não toleram ouvir a verdade sobre este erro, abandonam deste modo a Deus, demonstrando que o estimam aleivosamente. Existe somente um caminho para a aceitação e santificação do pecador, ainda que sejam diferentes os modos em que a falta de religião, ou a falsa religião mostra-lhe consideração para atraí-lo a outros caminhos, atitude que vez por outra se qualifica erroneamente como cândida. Quão loucos estão os idólatras que abandonam a Rocha da salvação, para se edificarem sobre a rocha da perdição!

Vv. 19-25. A rebelião de Israel foi descrita nos versículos anteriores, e aqui seguem as resoluções da justiça divina sobre eles. Confundimo-nos, se pensarmos que Deus pode ser enganado ou escarnecido por um povo infiel, o pecado faz com que sejamos odiosos à vista de Deus, observe quanta maldade o pecado faz, e sejam contados como néscios os que se enganam neste assunto.

Vv. 26-38. A idolatria e as rebeliões de Israel mereciam, como é exigido pela justiça de Deus, que fossem desarraigados. Porém, Ele perdoa Israel e permite que continuem sendo as testemunhas vivas das verdades bíblicas para silenciarem os incrédulos. Foram preservados para propósitos sábios e santos, e as profecias nos dão uma idéia de quais são estes propósitos. o Senhor jamais trará a vergonha sobre o trono de sua glória. A consideração séria quanto ao final ou quanto ao estado futuro dos pecadores, é uma atitude muito sábia e auxiliará o regresso deles a Deus. Isto se refere particularmente ao que Deus anunciou por intermédio de Moisés, no tocante ao seu povo nos últimos dias; porém, pode-se dar uma aplicação geral. Se os homens considerassem a felicidade que perderão, e a desgraça em que certamente se afundarão, se permanecerem em suas transgressões! Qual será o fim deles? (zor 5.31). Porque o Senhor derrotará em seu devido tempo os inimigos da Igreja, pelo desagrado que sente pela maldade deles. Quando os pecadores se considerarem mais seguros, virá sobre eles repentina destruição. E o tempo de Deus para vir a liberar o seu povo é quando as coisas estão piores para eles. Porém, os que confiam em qualquer rocha que não seja Deus, verão que ela falhará quando mais precisarem dela. A rejeição do Messias, por parte da nação judaica representa a continuidade de sua antiga idolatria, apostasia e rebelião. Serão levados a humilhar-se perante o Senhor, a arrepender-se de seus pecados, e a confiar no Mediador que fora amplamente rejeitado, para que possam alcançar a salvação. Então Ele os livrará e fará com que a prosperidade deles seja grande.

Vv. 39-43. A conclusão do cântico diz: 1. Glória a Deus. Não pode haver alguém que esteja fora do alcance do poder de Deus. 2. O terror aos seus inimigos. Sem dúvida haverá terror para os que o odeiam. A ira de Deus revela-se nesta passagem desde o céu contra eles. 3. O consolo para o seu povo. O cântico é concluído com palavras de gozo. Quaisquer que sejam os juízos trazidos contra os pecadores, tudo estará bem com o povo de Deus.

Vv. 44-47. Aqui está a solene entrega deste cântico a Israel, como encargo de darem importância a todas as boas palavras que Moisés lhes dissera. Não é algo trivial, senão questão de vida ou morte: dai-lhe a devida importância, e estareis prontos para sempre; Se vos descuidardes, estareis derrotados para sempre. Que os homens sejam persuadidos de que a religião é a vida deles, a própria vida de sua alma!

Vv. 48-52. Moisés acabara a sua obra. Por que desejaria viver mais um dia? Deus relembra o pecado de que Moisés era culpado, e que o impediu de entrar em Canaã. Bom é que até o melhor dos homens possa morrer arrependido dos males de que esteja consciente que praticou. Porém, podem morrer consolados e tranquilos quando Deus os chamar, apesar dos pecados de que se lembram terem cometido contra si mesmos, porque têm a perspectiva do crente e a esperança de vida eterna além da morte bem fundamentada.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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