• 1 Clamo a Deus por socorro; clamo a Deus que me escute.
  • 2 Quando estou angustiado, busco o Senhor; de noite estendo as mãos sem cessar; a minha alma está inconsolável!
  • 3 Lembro-me de ti, ó Deus, e suspiro; começo a meditar, e o meu espírito desfalece. [Pausa]
  • 4 Não me permites fechar os olhos; tão inquieto estou que não consigo falar.
  • 5 Fico a pensar nos dias que se foram, nos anos há muito passados;
  • 6 de noite recordo minhas canções. O meu coração medita, e o meu espírito pergunta:
  • 7 Irá o Senhor rejeitar-nos para sempre? Jamais tornará a mostrar-nos o seu favor?
  • 8 Desapareceu para sempre o seu amor? Acabou-se a sua promessa?
  • 9 Esqueceu-se Deus de ser misericordioso? Em sua ira refreou sua compaixão? [Pausa]
  • 10 Então pensei: “A razão da minha dor é que a mão direita do Altíssimo não age mais”.
  • 11 Recordarei os feitos do SENHOR; recordarei os teus antigos milagres.
  • 12 Meditarei em todas as tuas obras e considerarei todos os teus feitos.
  • 13 Teus caminhos, ó Deus, são santos. Que deus é tão grande como o nosso Deus?
  • 14 Tu és o Deus que realiza milagres; mostras o teu poder entre os povos.
  • 15 Com o teu braço forte resgataste o teu povo, os descendentes de Jacó e de José. [Pausa]
  • 16 As águas te viram, ó Deus, as águas te viram e se contorceram; até os abismos estremeceram.
  • 17 As nuvens despejaram chuvas, ressoou nos céus o trovão; as tuas flechas reluziam em todas as direções.
  • 18 No redemoinho, estrondou o teu trovão, os teus relâmpagos iluminaram o mundo; a terra tremeu e sacudiu-se.
  • 19 A tua vereda passou pelo mar, o teu caminho pelas águas poderosas, e ninguém viu as tuas pegadas.
  • 20 Guiaste o teu povo como a um rebanho pela mão de Moisés e de Arão.

Versículos 1-10: Os problemas e tentações do salmista; 11-20: O salmista anima-se ao recordar a ajuda de Deus para o seu povo.

Vv. 1-10. Os dias difíceis devem ser momentos de oração; quando parece que Deus se afasta de nós, devemos buscá-lo até que o encontremos. No dia de suas dificuldades, o salmista não buscou a diversão nem o entretenimento; buscou a Deus, o seu favor e a sua graça. Os que têm problemas que procuram atacar a sua mente, devem orar para que estes sejam afastados. Ele meditou neste problema; os métodos que deveriam aliviá-lo, somente aumentaram o seu pesar. Quando se lembrou de Deus, foi somente a justiça e a ira divina, O seu espírito estava angustiado e naufragado sob este peso. Que a recordação das consolações perdidas não nos torne mal-agradecidos pelos bens que ainda nos restaram. Em particular, conclama a recordação das consolações com que se sustentou em tristezas anteriores. Esta é a linguagem de uma alma dolorida e solitária, que enfrenta momentos de trevas; isto acontece até mesmo entre alguns que temem ao Senhor (Is 1.10). Nada é capaz de ferir tanto e fazer sofrer quanto o pensamento de que Deus está irado. O próprio povo de Deus, em um dia nublado e escuro, pode sentir-se tentado a tirar conclusões errôneas sobre o seu estado espiritual, e do reino de Deus no mundo. contudo, não devemos dar lugar a estes temores. Que a fé responda a partir das Escrituras. A fonte turva aclarar-se-á novamente; e a recordação de épocas anteriores, de experiências agradáveis, muitas vezes traz esperança e tende ao alívio. As dúvidas e os temores procedem da falta de fé e de sua fraqueza. O desalento e a desconfiança, em caso de aflição, costumam ser as enfermidades dos crentes e, como tais, têm que ser encaradas por nós com desgosto e vergonha. Quando a incredulidade quiser atuar em nós, devemos suprimir o seu levante.

Vv. 11-20. A recordação das obras de Deus será um poderoso remédio contra a desconfiança em sua promessa e bondade, porque Ele é Deus e não muda. O caminho de Deus está no santuário. Temos a certeza de que o Senhor é santo em todas as suas obras. Os caminhos de Deus são como as águas profundas, que não podem ser sondadas; como o caminho do barco, que não pode ser detectado. Deus tirou Israel do Egito. Esta realização tipificou a grandiosa redenção que seria realizada quando o devido tempo fosse cumprido, por preço e poder. se temos abrigado pensamentos duvidosos, devemos logo direcionar a nossa mente a meditar em Deus, que não poupou nem mesmo o seu próprio Filho, mas o entregou a favor de todos nós, para que com Ele pudesse dar-nos todas as coisas.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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