• 1 Disse comigo: “Tomarei cuidado com o que faço e não pecarei no que digo. Ficarei calado enquanto o perverso estiver por perto”.
  • 2 Mas, enquanto eu estava em silêncio, sem falar sequer de coisas boas, a angústia cresceu dentro de mim.
  • 3 Quanto mais eu pensava, mais ardia meu coração; então, decidi falar:
  • 4 “Mostra-me, SENHOR, como é breve meu tempo na terra; mostra-me que meus dias estão contados e que minha vida é passageira.
  • 5 A vida que me deste não é mais longa que alguns palmos, e diante de ti toda a minha existência não passa de um momento; na verdade, o ser humano não passa de um sopro”.
  • 6 Somos apenas sombras que se movem, e nossas inquietações não dão em nada. Acumulamos riquezas sem saber quem as gastará.
  • 7 Agora, Senhor, o que devo esperar? És minha única esperança.
  • 8 Livra-me de minha rebeldia e não permitas que os tolos zombem de mim.
  • 9 Estou calado; não direi uma só palavra, pois minha punição vem de ti.
  • 10 Mas, por favor, para de me castigar; os golpes de tua mão me reduzem a nada!
  • 11 Quando nos disciplinas por nossos pecados, consomes como a traça o que nos é mais precioso; o ser humano não passa de um sopro.
  • 12 Ouve minha oração, SENHOR! Escuta meus clamores por socorro! Não ignores minhas lágrimas, pois sou como estrangeiro diante de ti, um viajante que está só de passagem, como eram meus antepassados.
  • 13 Desvia de mim o olhar, para que eu volte a sorrir, antes que eu me vá e deixe de existir.

Versículos 1-6. Davi fala da fragilidade do homem; 7-13: Pede perdão e libertação.

Vv. 1-6. Se um pensamento mau surgir na mente, deve ser imediatamente excluído. A vigilância da maneira de ser é a rédea da cabeça, e a vigilância dos atos é a mão sobre a rédea. Quando não podemos nos separar dos ímpios, devemos nos lembrar que eles vigiam as nossas palavras e as modificam, se puderem, para nossa desvantagem. Às vezes, é necessário guardarmos silêncio e não pronunciarmos sequer palavras boas; podemos estar mal quando deixamos de fazer discursos edificantes. A impaciência é um pecado que tem a sua causa dentro de nós mesmos, e este é o pensamento; este tem os seus maus efeitos em nós, e isto não é algo mais do que encolerizar-se. Em sua melhor saúde e ventura, todo homem é pura vaidade e não pode viver por muito tempo; às vezes, morre imediatamente. Esta é uma verdade indubitável; porém, estamos pouco dispostos a dar-lhe crédito. Portanto, oremos, para que Deus ilumine a nossa mente por seu Espírito santo e encha os nossos corações com a sua graça, para que a cada dia e hora possamos estar preparados para a morte.

Vv. 7-13. Não se pode encontrar sólida satisfação na criatura; esta deve ser encontrada no Senhor e na comunhão com Ele. Os nossos desencantos deveriam levar-nos a Ele. Se o mundo não é mais do que vaidade, que Deus nos livre de ter ou buscar a nossa porção neste. Quando falha a confiança que é colocada nas criaturas, o nosso consolo é ter um Deus ao qual acudir, um Deus em quem confiar. Podemos ver um Deus bom e que faz todas as coisas, e coloca em ordem todos os acontecimentos que têm a ver conosco; e o homem bom, por esta razão, nada diz em contrário. Deseja o perdão de seus pecados e procura evitar a vergonha. Devemos vigiar e orar, para que não pequemos. Quando estamos sob a mão corretora do Senhor, devemos olhar para o próprio Deus, para que possamos receber o alívio, e a ninguém mais. Os nossos caminhos e feitos colocam-nos em dificuldades, e somos açoitados com uma vara que foi confeccionada por nós mesmos. Quão pobre é a beleza! E quão néscios são os que se ensoberbecem quanto a ela, que será certamente consumida, e que o seja rapidamente! O corpo do homem é a roupa da alma. Nesta roupa, o pecado colocou uma traça que desgasta, primeiramente a beleza, em seguida a força, e finalmente a essência de suas partes. O que observa o progresso de uma enfermidade prolongada ou o trabalho do tempo na estrutura humana, sentirá imediatamente a força desta comparação, e que certamente todo homem é vaidade. As aflições são permitidas, para estimular-nos à oração. se possuem este afeto, podemos esperar que Deus ouça os nossos rogos. O crente espera cansaço e maus tratos em sua caminhada em direção ao céu; porém, não permanecerá nele por muito tempo. Quando anda por fé em Deus, prossegue em sua viagem sem apartar-se de seu rumo, sem ser derrubado pelas dificuldades que encontra. Quão bem-aventurado é desprender-se das coisas daqui desta terra para que, enquanto estivermos a caminho da casa de nosso Pai, possamos nos servir do mundo sem utilizá-lo indevidamente! Que busquemos sempre a cidade cujo arquiteto e construtor é Deus.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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