• 1 Então, respondeu Jó:
  • 2 Como sabes ajudar ao que não tem poder! Como prestar socorro ao braço que não tem força!
  • 3 Que bons conselhos dás ao que não tem sabedoria e em quão grande cópia revelas o verdadeiro conhecimento!
  • 4 A quem diriges palavras? E de quem é o espírito que fala em ti?
  • 5 Tremem debaixo das águas os manes e os que ali habitam.
  • 6 O Sheol está nu diante dele, e Abadom não tem o que lhe cubra.
  • 7 Ele estende o norte sobre o vácuo e suspende a terra sobre o nada.
  • 8 Encerra as águas nas suas nuvens grossas e com elas não se rasga a nuvem.
  • 9 Encobre a face do seu trono e sobre ele estende a sua nuvem.
  • 10 Descreve um limite circular sobre a superfície das águas, onde a luz e as trevas se confinam.
  • 11 As colunas do céu tremem E se espantam das suas ameaças.
  • 12 Com o seu poder, agita o mar e, pelo seu entendimento, traspassa a Raabe.
  • 13 Pelo seu sopro, os céus são embelezados, a sua mão fere a serpente veloz.
  • 14 Eis que essas coisas são somente as bordas dos seus caminhos. Quão pequeno é o sussurro que dele ouvimos! Porém o trovão dos seus grandes feitos, quem o poderá entender?

Versículos 1-4: Jó reprova a resposta de Bildade; 5-14: Jó reconhece o poder de Deus.

Vv. 1-4. Jó ridiculariza a resposta de Bildade; suas palavras eram uma mistura de irritação e preferência de si mesmo. Bildade deveria ter exposto diante de Jó as consolações do Todo-poderoso, ao invés de seus terrores. Cristo sabe o que dizer ao cansado (Is 1.4); e seus ministros não deveriam agravar aos que Deus não tem entristecido. Muitas vezes nos decepcionamos comas expectativas em relação aos amigos que deveriam nos consolar; porém, o consolador, o Espírito santo, nunca erra nem falha em seu objetivo.

Vv. 5-14. Aqui são dados muitos exemplos que causam impacto sobre a sabedoria e o poder de Deus, sobre a criação e a preservação do mundo. se olharmos ao nosso redor, a terra, e as águas aqui embaixo, veremos a sua onipotência. se considerarmos o inferno, ainda que esteja fora de nosso alcance, podemos imaginar que descobriremos ali uma demonstração do poder de Deus. Se olharmos para o céu, veremos a divulgação da onipotência de Deus. Por seu Espírito, o Espírito eterno que se movia sobre a face das águas, através do hálito de sua boca (Sl 33.6), Ele não somente fez os céus, mas também os embelezou. A redenção destaca-se entre todas as demais obras do Senhor; e podemos nos aproximar, experimentar a sua graça, aprender a amá-lo, e andar com alegria e prazer em seus caminhos. A base da controvérsia entre Jó e os demais é que estes injustamente pensavam que, por causa de suas aflições, Jó era culpado de crimes abomináveis. Eles parecem não haver considerado devidamente o mal e a justa retribuição pelo pecado; tampouco consideraram os bondosos desígnios de Deus ao purificar o seu povo. Jó também obscureceu o conselho com palavras sem sabedoria; porém, suas opiniões eram mais claras. Não parece ter confiado em sua justiça pessoal como base de sua esperança em relação a Deus. contudo, o que ele de maneira geral reconhece sobre o seu caso, com efeito o nega quando se queixa de seus sofrimentos, por serem imerecidos e severos; essa mesma queixa demonstra o objetivo para que estes sofrimentos lhe foram permitidos, a fim de que o seu ser se humilhasse ainda mais diante dos olhos de Deus.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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