• 1 Feliz é aquele cuja transgressão é perdoada, cujo pecado é coberto.
  • 2 Feliz é o homem a quem Jeová não atribui iniquidade e em cujo espírito não há dolo.
  • 3 Quando guardei silêncio, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido durante o dia todo.
  • 4 Porque de dia e de noite sobre mim pesava a tua mão. O meu humor converteu-se em sequidão de estio. (Selá)
  • 5 Eu te confessei o meu pecado, e a minha iniquidade não a ocultei. Disse eu: Confessarei a Jeová a minha transgressão, e tu perdoaste a iniquidade do meu pecado. (Selá)
  • 6 Portanto, todo o que é pio te suplicará a tempo de poder encontrar-te. Na verdade, quando transbordarem grandes águas, a ele não se chegarão.
  • 7 Tu és para mim um lugar oculto; preservar-me-ás da tribulação; de alegres cantos de livramento me cercarás.
  • 8 Instruir-te-ei e ensinar-te-ei o caminho em que hás de andar; aconselhar-te-ei, tendo-te debaixo da minha vista.
  • 9 Não sejais como o cavalo ou como a mula, que não têm entendimento, os quais carecem de arreios, freios e cabrestos, que os sujeitem; de outra forma não te obedecerão.
  • 10 Muitos pesares terá de curtir o iníquo; Mas aquele que confia em Jeová, a benignidade o cercará.
  • 11 Alegrai-vos em Jeová e regozijai-vos, ó justos; cantai de júbilo, vós todos que sois retos de coração.

Versículos 1-2: A felicidade do pecador perdoado; 3-7: A infelicidade que antecedeu o consolo que veio após a confissão dos pecados; 8-11: A instrução para os pecadores, estímulo para os crentes.

Vv. 1-2. O pecado é a causa da desgraça de qualquer pessoa. Porém, as transgressões do crente verdadeiro, que se esforça para cumprir a lei divina, são perdoadas por estarem cobertas pela expiação. O Senhor Jesus Cristo levou os nossos pecados e, como consequência, uma vez perdoados, estes pecados já não nos são mais imputados. Aos que o aceitam como Salvador, é imputada a justiça de Cristo, e, por termos sido feitos justiça de Deus nEle, a nossa iniquidade não nos é imputada, porque Deus carregou sobre Ele as transgressões de todos nós, e fez dEle a oferta por todos os nossos pecados. Não imputar os pecados é um ato de Deus, porque somente Ele é o juiz. Deus é o que justifica. Observemos o caráter daquele cujos pecados são perdoados: é sincero, e busca a santificação pelo poder do Espírito Santo. Não professa arrepender-se com a intenção de novamente pecar, pelo fato de o Senhor estar pronto a perdoar. Ele não abusa da doutrina da graça que nos é concedida gratuitamente. E ao homem cuja iniquidade é perdoada, promete-se todo o tipo de bênçãos.

Vv. 3-7. É muito difícil levar o homem pecador a aceitar humildemente a misericórdia gratuita, com a confissão completa de seus pecados e o arrependimento do que praticou. Porém, o único caminho verdadeiro para a paz com a consciência é confessarmos os nossos pecados, para que sejam perdoados; declará-los, para que sejamos justificados. Ainda que o arrependimento e a confissão não mereçam em si o perdão pela transgressão, são necessários para que a pessoa possa desfrutar realmente a misericórdia que perdoa. E que língua seria capaz de expressar a felicidade desta hora, quando a alma, oprimida pelo pecado, é capacitada a derramar livremente as suas aflições diante de Deus, e para receber a misericórdia do pacto em Cristo! Os que prosperam eia oração devem buscar ao Senhor quando, por sua providência, Ele os chama a buscá-lo e, por seu Espírito, os incita a que o busquem. O tempo de encontrá-lo é quando o coração está abrandado pela tristeza e carregado pela culpa; quando todo o refúgio humano falha; quando não se pode encontrar repouso para a mente turbada, então Deus aplica por seu Espírito o bálsamo que cura.

Vv. 8-11. Deus nos ensina através de sua Palavra, e dirige-nos com as intimações secretas de sua vontade. Davi dá uma palavra de advertência aos pecadores. A razão desta advertência é que o caminho do pecado certamente terminará em dor. Aqui há uma palavra de consolo para os santos. Que eles possam ver que a vida de comunhão com Deus é a mais aprazível e consoladora. Que nos regozijemos em ti, ó Senhor Jesus, e em tua salvação; assim, certamente nos regozijaremos.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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