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1
Que formosos são os teus passos dados de sandálias, ó filha do príncipe! Os meneios dos teus quadris são como colares trabalhados por mãos de artista.
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2
O teu umbigo é taça redonda, a que não falta bebida; o teu ventre é monte de trigo, cercado de lírios.
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3
Os teus dois seios, como duas crias, gêmeas de uma gazela.
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4
O teu pescoço, como torre de marfim; os teus olhos são as piscinas de Hesbom, junto à porta de Bate-Rabim; o teu nariz, como a torre do Líbano, que olha para Damasco.
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5
A tua cabeça é como o monte Carmelo, a tua cabeleira, como a púrpura; um rei está preso nas tuas tranças.
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6
Quão formosa e quão aprazível és, ó amor em delícias!
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7
Esse teu porte é semelhante à palmeira, e os teus seios, a seus cachos.
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8
Dizia eu: subirei à palmeira, pegarei em seus ramos. Sejam os teus seios como os cachos da vide, e o aroma da tua respiração, como o das maçãs.
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9
Os teus beijos são como o bom vinho, vinho que se escoa suavemente para o meu amado, deslizando entre seus lábios e dentes.
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10
Eu sou do meu amado, e ele tem saudades de mim.
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11
Vem, ó meu amado, saiamos ao campo, passemos as noites nas aldeias.
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12
Levantemo-nos cedo de manhã para ir às vinhas; vejamos se florescem as vides, se se abre a flor, se já brotam as romeiras; dar-te-ei ali o meu amor.
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13
As mandrágoras exalam o seu perfume, e às nossas portas há toda sorte de excelentes frutos, novos e velhos; eu tos reservei, ó meu amado.
Recurso de Estudo
Versículos 1-9: A graça da Igreja; 10-13: O deleite da Igreja em Cristo.
Vv. 1-9. Aqui, as semelhanças diferem das mencionadas anteriormente, e no original referem-se à roupa gloriosa e esplêndida. Todos os santos têm tal honra; e após serem revestidos de Cristo, são distinguidos por seu belo e glorioso atavio. Eles adornam a doutrina de Deus em todas as coisas. Os crentes coerentes honram a Cristo, elogiam o Evangelho, convencem e despertam os pecadores. A igreja assemelha-se à majestosa palmeira que se esparge, enquanto o seu amor por Cristo e a obediência resultante disto são frutos preciosos da videira verdadeira. O Rei está nos corredores. Cristo deleita-se nas assembléias e ordenanças de seu povo, e admira o fruto de sua graça neles. Quando se aplica à Igreja e a cada cristão fiel, tudo isto denota a beleza da santidade, na qual serão apresentados ao seu Esposo celestial.
Vv. 10-13. A Igreja, a alma do crente, triunfa em sua relação com Cristo, e em seu interesse nEle. Ela deseja humildemente a comunhão com Ele. Caminham juntos para receber conselho, instrução e consolo dEle; e que possa dar a conhecer de suas necessidades e pesares, com liberdade e sem interrupção. A comunhão com Cristo é tudo o que fervorosamente anelam os que são feitos santos. Os que almejam ter comunhão com Cristo devem deixar este mundo. Onde quer que estejamos, podemos ter comunhão com Deus. Não vamos aonde não podemos pedir com fé; que Ele vá conosco. Os que saem com Cristo devem começar cedo, pela manhã; devem começar cada dia com Ele, buscá-lo cedo, buscá-lo com diligência. A alma, na graça, pode reconciliar-se com os lugares mais pobres, se neles puder ter comunhão com Deus; porém, os campos mais bonitos não satisfarão, a menos que o Amado esteja ali. Não pensemos em nos satisfazer com algum objeto terreno. Nossa alma é o nosso vinhedo; deve ser plantado com árvores úteis. Devemos frequentemente examinar se somos frutíferos na justiça. A presença de Cristo fará florescer a vide, e as tenras uvas aparecerão como o sol que regressa e faz o horto reviver. se podemos recorrer a Ele, digamos: "Tu sabes todas as coisas, tu sabes que te amo", se o seu Espírito testificar com o nosso espírito que as nossas almas prosperam, será o suficiente. E devemos rogar-lhe que nos examine e nos prove, para descobrirmos a nós mesmos. Os frutos e os exercícios da graça são agradáveis para o Senhor Jesus. Estes devem estar dispostos e sempre prontos, e que, ao darmos muito fruto, Ele seja glorificado. Tudo é dEle; portanto, é próprio que tudo seja para Ele.
Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público