Jó 10

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# AS21 NAA
1 Minha vida é um tédio; extravasarei a minha queixa, falarei na minha amargura. “Estou cansado de viver. Darei livre curso à minha queixa, falarei na amargura da minha alma.
2 Direi a Deus: Não me condenes. Mostra-me por que estás em disputa comigo. Pedirei a Deus: ‘Não me condenes!’ Faze-me saber o que tens contra mim.
3 Sentes prazer em me oprimir, em desprezar a obra das tuas mãos e em favorecer o plano dos ímpios? Será que tens prazer em me oprimir, em rejeitar a obra das tuas mãos e em favorecer o conselho dos ímpios?
4 Tens tu olhos de carne? Vês tu como vê o homem? Por acaso, tens olhos de gente? Ou vês tu como vê uma pessoa?
5 Os teus dias são como o de um frágil ser humano? Os teus anos se passam como os anos de um homem? São os teus dias como os dias de um mortal? Ou são os teus anos como os anos de um ser humano,
6 Buscas informações sobre a minha maldade e averiguas o meu pecado, para te informares da minha iniquidade e indagares o meu pecado?
7 mesmo sabendo que não sou ímpio e que ninguém me pode livrar da tua mão? Bem sabes que eu não sou culpado; todavia, não há ninguém que possa me livrar da tua mão.”
8 Foram as tuas mãos que me fizeram e me deram forma. E agora te voltas para me destruir? “As tuas mãos me plasmaram e me fizeram, porém, agora, queres destruir-me.
9 Lembra-te de que do barro me formaste! Agora queres devolver-me ao pó? Lembra-te de que me formaste como em barro. E, agora, queres reduzir-me a pó?
10 Não me derramaste como leite e não me coalhaste como queijo? Por acaso, não me derramaste como leite e não me coalhaste como queijo?
11 De pele e carne me revestiste, de ossos e nervos me teceste. De pele e carne me vestiste e de ossos e tendões me teceste.
12 Tens-me concedido vida e misericórdia, e a tua providência tem conservado o meu espírito. Tu me deste vida e bondade, e o teu cuidado guardou o meu espírito.
13 Contudo, ocultaste estas coisas no teu coração; bem sei que este foi o teu plano. Mas ocultaste estas coisas no teu coração; e agora sei que este era o teu plano.
14 Se eu peco, tu me observas e não me inocentas da minha maldade. Se eu pecar, tu me observas; e da minha iniquidade não me perdoarás.
15 Se for culpado, ai de mim! Mesmo se for justo, não poderei levantar a cabeça, pois estou envergonhado e olho para o meu sofrimento. Se for iníquo, ai de mim! E, se for justo, não ouso levantar a cabeça, pois estou envergonhado e olho para a minha miséria.
16 Se a minha cabeça se exaltar, tu me caças como a um leão feroz; de novo ages com poder contra mim. Porque, se levanto a cabeça, tu me caças como um leão feroz e de novo revelas o teu poder maravilhoso contra mim.
17 Tu trazes novas testemunhas contra mim e aumentas a tua ira; males e lutas me assolam. Renovas contra mim as tuas testemunhas e multiplicas contra mim a tua ira; males e lutas se sucedem contra mim.”
18 Por que me tiraste do ventre? Ah! se eu tivesse morrido e olho algum me tivesse visto! “Por que me tiraste do ventre de minha mãe? Eu deveria ter morrido antes que um olho me visse!
19 Seria como se eu nunca tivesse existido; e do ventre teria sido levado para a sepultura. Teria sido como alguém que nunca existiu e já do ventre teria sido levado à sepultura.
20 Não é curta a minha vida? Para, deixa-me, para que eu me alegre pelo menos por um pouco; Não são poucos os meus dias? Cessa, pois, e deixa-me em paz, para que por um pouco eu tome alento,
21 antes que eu seja levado para o lugar de onde não voltarei, para a terra da escuridão e das densas trevas, antes que eu vá para o lugar do qual não voltarei, para a terra das trevas e da sombra da morte,
22 terra de trevas densas como a própria escuridão, terra da sombra terrível e do caos, onde a própria luz é como a escuridão. terra de escuridão, de trevas profundas, terra da sombra da morte e do caos, onde a própria luz é como a escuridão.”