• 1 Ó Senhor, Deus da minha salvação, dia e noite clamo diante de ti.
  • 2 Chegue à tua presença a minha oração, inclina os teus ouvidos ao meu clamor;
  • 3 porque a minha alma está cheia de angústias, e a minha vida se aproxima do Seol.
  • 4 Já estou contado com os que descem à cova; estou como homem sem forças,
  • 5 atirado entre os finados; como os mortos que jazem na sepultura, dos quais já não te lembras, e que são desamparados da tua mão.
  • 6 Puseste-me na cova mais profunda, em lugares escuros, nas profundezas.
  • 7 Sobre mim pesa a tua cólera; tu me esmagaste com todas as tuas ondas.
  • 8 Apartaste de mim os meus conhecidos, fizeste-me abominável para eles; estou encerrado e não posso sair.
  • 9 Os meus olhos desfalecem por causa da aflição. Clamo a ti todo dia, Senhor, estendendo-te as minhas mãos.
  • 10 Mostrarás tu maravilhas aos mortos? ou levantam-se os mortos para te louvar?
  • 11 Será anunciada a tua benignidade na sepultura, ou a tua fidelidade no Abadom?
  • 12 Serão conhecidas nas trevas as tuas maravilhas, e a tua justiça na terra do esquecimento?
  • 13 Eu, porém, Senhor, clamo a ti; de madrugada a minha oração chega à tua presença.
  • 14 Senhor, por que me rejeitas? por que escondes de mim a tua face?
  • 15 Estou aflito, e prestes a morrer desde a minha mocidade; sofro os teus terrores, estou desamparado.
  • 16 Sobre mim tem passado a tua ardente indignação; os teus terrores deram cabo de mim.
  • 17 Como águas me rodeiam todo o dia; cercam-me todos juntos.
  • 18 Aparte de mim amigos e companheiros; os meus conhecidos se acham nas trevas.

Versículos 1-9: O salmista derrama a sua alma na presença de Deus, e lamenta-se; 10-18: Luta por fé, e ora a Deus por consolo.

Vv. 1-9. As primeiras palavras do salmista são as únicas de consolo e sustento deste salmo. Deste modo, os bons podem ser muito afligidos, podem chegar a ter pensamentos desanimadores sobre as suas aflições, e chegar a conclusões sombrias sobre o seu final, pela força da melancolia e fraqueza da fé. Queixa-se principalmente do desagrado de Deus. Até mesmo os filhos do amor de Deus podem pensar, às vezes, que são filhos da ira, e que nenhum problema exterior pode ser tão difícil para eles como este. Provavelmente o salmista referia-se ao seu próprio caso, ainda que indique a Cristo. Assim somos chamados a olhar para Jesus, ferido e moído por nossas iniquidades. Porém, a ira de Deus verteu a maior amargura em seu cálice. Isto o consumiu em trevas e em profundidade.

Vv. 10-18. As almas que partiram podem declarar a fidelidade, a justiça e a benignidade de Deus; porém, os corpos mortos não podem receber os favores de Deus como consolo, nem retribuí-los por meio do louvor. O salmista decide orar ainda mais, porque a libertação não chegou logo. Ainda que algumas das nossas orações não sejam respondidas logo, jamais devemos deixar de orar. Quanto maiores forem os nossos problemas, mais fervorosos e sérios devemos ser para orar. Nada entristece tanto a um filho de Deus como perdê-lo de vista; nem tão pouco há algo que lhe cause mais temor do que pensar na possibilidade de ter a sua alma excluída por Ele. Se o sol se torna nublado, a terra se torna escura; porém, se o sol não brilhasse mais sobre a terra, que masmorra seria! Até os que são beneficiados pelos favores de Deus podem sofrer os seus terrores por certo tempo. Observe quão profundamente estes terrores feriram o salmista. se os amigos se afastam de nós por providência divina ou pela morte, temos razão para considerá-lo como uma aflição. Este era o estado calamitoso de um homem bom. Porém, os pedidos aqui utilizados são particularmente adequados a Cristo. Não temos que pensar que Jesus sofreu por nós somente no Getsêmani e no calvário. Toda a sua vida foi trabalho e dor; foi afligido como homem algum jamais o foi, a partir de sua mais tenra juventude. Foi preparado para esta morte que começou a experimentar ao longo de sua vida. Nenhum homem pode participar dos sofrimentos através dos quais outros homens seriam redimidos. Todos o abandonaram e fugiram. Algumas vezes, bendito Senhor Jesus, nós te abandonamos; porém, suplicamos-te que não nos abandones; não apartes de nós o teu Espírito santo.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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