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1
Ó Eterno, Deus de minha salvação, dia e noite clamo a ti!
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2
Chegue à tua presença minha oração, presta ouvido ao meu clamor!
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3
Minha alma está saturada de desgraças, minha vida está à beira das profundezas da morte.
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4
Já sou contado entre os que baixam à sepultura, sou como uma pessoa absolutamente alquebrada;
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5
Sinto-me abandonado à minha própria sina, entre os mortos. Sou como os trucidados, que jazem na região dos mortos, dos quais já não te lembras, pois estão apartados de tua mão.
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6
Tu me depositaste nas profundezas do fosso, nos lugares tenebrosos e abismais.
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7
Sobre mim pesa a tua cólera; com todas as tuas grandes ondas do mar me afligiste.
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8
Afastaste de mim os meus conhecidos, fizeste de mim um horror para eles. Enclausurado,
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9
meus olhos anuviam-se de preocupação. Todo dia te invoquei, SENHOR, estendendo para Ti minhas mãos.
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10
Farás, entretanto, um milagre para aqueles que já se despediram da vida? Porventura os mortos virão a se levantar e te louvar?
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11
Será que teu amor é também proclamado no túmulo, e a tua fidelidade no Abismo da Morte?
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12
Será teu sinal milagroso conhecido na região das trevas, e tua justiça, na dimensão do esquecimento?
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13
Contudo, eu, ó SENHOR, clamo a ti por socorro; já ao romper da alvorada a minha oração chega à tua presença.
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14
Por que, SENHOR, me rejeitas e escondes de mim a tua face?
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15
Desde muito jovem tenho sofrido e ando próximo da morte; os teus terrores levaram-me ao desespero.
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16
Sobre minha existência se abateu a tua ira; os pavores que me causas me consumiram.
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17
Cercam-me o dia todo como uma inundação; fazem-me submergir em agonia.
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18
Afastaste de mim os meus amigos e todos os meus conhecidos de jornada; as trevas são a minha única companhia.
Recurso de Estudo
Versículos 1-9: O salmista derrama a sua alma na presença de Deus, e lamenta-se; 10-18: Luta por fé, e ora a Deus por consolo.
Vv. 1-9. As primeiras palavras do salmista são as únicas de consolo e sustento deste salmo. Deste modo, os bons podem ser muito afligidos, podem chegar a ter pensamentos desanimadores sobre as suas aflições, e chegar a conclusões sombrias sobre o seu final, pela força da melancolia e fraqueza da fé. Queixa-se principalmente do desagrado de Deus. Até mesmo os filhos do amor de Deus podem pensar, às vezes, que são filhos da ira, e que nenhum problema exterior pode ser tão difícil para eles como este. Provavelmente o salmista referia-se ao seu próprio caso, ainda que indique a Cristo. Assim somos chamados a olhar para Jesus, ferido e moído por nossas iniquidades. Porém, a ira de Deus verteu a maior amargura em seu cálice. Isto o consumiu em trevas e em profundidade.
Vv. 10-18. As almas que partiram podem declarar a fidelidade, a justiça e a benignidade de Deus; porém, os corpos mortos não podem receber os favores de Deus como consolo, nem retribuí-los por meio do louvor. O salmista decide orar ainda mais, porque a libertação não chegou logo. Ainda que algumas das nossas orações não sejam respondidas logo, jamais devemos deixar de orar. Quanto maiores forem os nossos problemas, mais fervorosos e sérios devemos ser para orar. Nada entristece tanto a um filho de Deus como perdê-lo de vista; nem tão pouco há algo que lhe cause mais temor do que pensar na possibilidade de ter a sua alma excluída por Ele. Se o sol se torna nublado, a terra se torna escura; porém, se o sol não brilhasse mais sobre a terra, que masmorra seria! Até os que são beneficiados pelos favores de Deus podem sofrer os seus terrores por certo tempo. Observe quão profundamente estes terrores feriram o salmista. se os amigos se afastam de nós por providência divina ou pela morte, temos razão para considerá-lo como uma aflição. Este era o estado calamitoso de um homem bom. Porém, os pedidos aqui utilizados são particularmente adequados a Cristo. Não temos que pensar que Jesus sofreu por nós somente no Getsêmani e no calvário. Toda a sua vida foi trabalho e dor; foi afligido como homem algum jamais o foi, a partir de sua mais tenra juventude. Foi preparado para esta morte que começou a experimentar ao longo de sua vida. Nenhum homem pode participar dos sofrimentos através dos quais outros homens seriam redimidos. Todos o abandonaram e fugiram. Algumas vezes, bendito Senhor Jesus, nós te abandonamos; porém, suplicamos-te que não nos abandones; não apartes de nós o teu Espírito santo.
Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público