-
1
Então o SENHOR Deus comunicou a Moisés estas ordens para o povo de Israel:
-
2
“Se alguém pecar, cometendo uma falta contra o SENHOR, enganando seu próximo em relação a algo que lhe foi confiado ou deixado sob seus cuidados como penhor; ou ainda, defraudando seu irmão, roubando-o ou extorquindo-lhe o que quer que seja,
-
3
ou se achar algum bem perdido e mentir a respeito disso, ou se jurar falso testemunho em relação a qualquer assunto ou pessoa, cometendo, portanto, pecado;
-
4
quando desse modo errar, tornando-se por isso culpado, terá de devolver o que furtou, extorquiu ou de que se apropriou indevidamente e lhe foi confiado, ou mesmo de algum bem perdido que tenha encontrado,
-
5
ou ainda sobre qualquer assunto em que tenha empenhado a palavra sob juramento falso. Fará a total restituição e acrescentará a esse montante um quinto do valor, entregando tudo ao devido proprietário no dia em que apresentar seu sacrifício pela culpa.
-
6
Depois trará ao SENHOR, como oferta de reparação, um carneiro sem defeito, do seu rebanho; será avaliado segundo o valor estabelecido tradicionalmente pelo sacerdote para um sacrifício de reparação.
-
7
O sacerdote fará por ele o rito de expiação diante do SENHOR, e ele será perdoado, qualquer que seja a ação que tenha resultado em pecado”.
-
8
Então o SENHOR convocou Moisés e orientou-o, dizendo:
-
9
“Ordena a Arão e a seus filhos o seguinte: Esta é a lei do ritual das ofertas que são completamente queimadas: o holocausto ficará na lareira do altar toda a noite até o raiar do dia, e nela se manterá aceso o fogo do altar.
-
10
O sacerdote vestirá sua túnica de linho e os calções de linho sobre a pele nua, e levantará a cinza, quando o fogo houver consumido o holocausto sobre o altar, e a porá junto a este.
-
11
Depois despirá suas vestes e porá outras; e levará a cinza para fora do arraial a um lugar limpo.
-
12
O fogo, pois, sempre arderá sobre o altar, não se apagará; mas o sacerdote acenderá lenha nele cada manhã, e sobre ele porá em ordem o holocausto, e sobre ele queimará a gordura das ofertas pacíficas.
-
13
O fogo arderá continuamente sobre o altar; jamais deverá ser apagado.
-
14
São estas as leis a respeito da oblação, a oferta de manjares de cereais: Após haver um dos filhos de Arão trazido a oferta de cereal em frente do altar,
-
15
o sacerdote apanhará um punhado da melhor farinha com óleo, juntamente com todo o incenso que está sobre a oferta de cereal, e queimará no altar a porção memorial, como aroma agradável ao SENHOR.
-
16
Arão, seus filhos e descendentes, ficarão com o restante da oferta de cereais. Com a farinha da oferta eles prepararão o pão sem fermento e se alimentarão desse pão em lugar sagrado, no átrio da Tenda do Encontro.
-
17
Não se cozerá com levedo a porção das minhas oferendas queimadas que lhes dou. É uma porção santíssima, como o sacrifício pelo pecado e o sacrifício de reparação.
-
18
Todo varão dentre os filhos de Arão poderá comer dessa porção das ofertas queimadas ao SENHOR. Essa é a parte que pertencerá perpetuamente a todos os descendentes de Arão, das ofertas de alimentos consagradas a Deus, o SENHOR. Contudo, fica estabelecida uma advertência: todo o que nelas tocar deverá ser santo, porquanto essas são ofertas sagradas!”
-
19
E disse mais o SENHOR a Moisés:
-
20
“Esta é a oferta de Arão e de seus descendentes, que oferecerão ao SENHOR no dia em que o sacerdote for ungido: um jarro da melhor farinha, como oferta regular de manjares; metade dela será oferecida pela manhã, e a outra metade, ao pôr do sol.
-
21
Numa assadeira, se fará com azeite; bem misturada a trarás; em pedaços cozidos trarás a oferta de cereais de aroma agradável ao SENHOR.
-
22
Também o sacerdote, que dentre os filhos de Arão for ungido como Grande Sacerdote, deverá fazer o mesmo; por estatuto perpétuo essa oferta será completamente queimada como sacrifício a Deus, o SENHOR.
-
23
Nenhuma parte de qualquer oferta de manjares apresentada por um sacerdote poderá ser comida; a oferta toda será queimada!”
-
24
Disse mais o SENHOR a Moisés:
-
25
“Ordena a Arão e a seus descendentes as seguintes instruções: Esta é a lei da oferta pelo pecado: O animal da oferta pelo pecado será morto diante do SENHOR no local onde é sacrificado o holocausto; é uma oferta santíssima.
-
26
O sacerdote que a oferecer pelo pecado a comerá; no lugar sagrado, no átrio da Tenda do Encontro.
-
27
Tudo o que tocar na carne se tornará santo; se o sangue respingar sobre as vestimentas, estas deverão ser lavadas em local santo.
-
28
E o vaso de barro em que for cozida será quebrado: porém, se for cozida num vaso de bronze, este será esfregado e lavado na água.
-
29
Somente os homens da família dos sacerdotes poderão comê-la; porquanto se trata de oferta santíssima.
-
30
No entanto, toda oferta pelo pecado, cujo sangue for trazido para a Tenda do Encontro para expiação no Lugar Santo, não será comida; terá de ser completamente queimada.
Recurso de Estudo
Versículos 1-7: Acerca das ofensas contra o nosso próximo; 8-13: Acerca dos holocaustos; 14-23: Acerca da oferta de farinha; 24-30: Acerca da oferta pelo pecado.
Vv. 1-7. Ainda que todos os casos se relacionem com nosso próximo, de todas as maneiras são chamados ofensa contra o Senhor. Ainda que a pessoa ofendida seja miserável e até desprezível, não obstante, a ofensa se reflete em que Deus nos tem dado o mandamento de amar nosso próximo, e Ele o tem colocado no mesmo nível de amar-se a si mesmo. As leis humanas estabelecem diferenças quanto aos castigos; porém, todos os métodos para fazer dano aos demais são violações da lei divina, até mesmo o conservar algo achado, quando se pode descobrir quem é o dono. As fraudes geralmente vêm acompanhadas de mentiras e juramentos falsos. Se o ofensor quer escapar da vingança de Deus, deve efetuar uma ampla restituição, conforme seu poder, e buscar o perdão por fé na única Oferta que tira o pecado do mundo. As transgressões aqui mencionadas são violações da lei de Cristo, que insiste muito na justiça e na verdade, como lei da natureza ou lei de Moisés.
Vv. 8-13. Aqui, a principal referência é o sacrifício diário de um cordeiro. O sacerdote devia cuidar do fogo do altar. O primeiro fogo do altar veio do céu (9.24); se este fosse conservado aceso continuamente, podia dizer-se que todos os sacrifícios eram consumidos pelo fogo do céu, como sinal de aceitação de Deus. Assim devem ser incessantes o fogo de nosso santo afeto, o exercício de nossa fé e amor, e da oração e louvor.
Vv. 14-23. A lei dos holocaustos impunha muito cuidado e trabalho aos sacerdotes; a carne era totalmente queimada e os sacerdotes nada tinham senão o couro. Porém, a maior parte da oferta de farinha era deles. A vontade de Deus é que seus ministros sejam abastecidos com o que lhes é necessário.
Vv. 24-30. O sangue da oferta pelo pecado deveria ser retirado das roupas sobre as quais casualmente era espargido, o que indica o cuidado que devemos ter com o sangue de Cristo, a fim de não tomá-lo como coisa comum. A vasilha na qual se servia a carne pela oferta pelo pecado deveria ser quebrada, se fosse de barro; mas se fosse de bronze, deveria ser muito bem lavada. Isto mostra que a oferta não tira completamente a contaminação; mas o sangue de Cristo limpa completamente todo pecado. Todas essas regras estabeleciam a natureza contaminante do pecado e a transferência da culpa do pecador ao sacrifício. Observai e maravilhai-vos no amor de Cristo, em que Ele se contentou em ser feito oferta pelo pecado a nosso favor, e deste modo procurou o perdão por nossos contínuos pecados e fracassos. "Aquele que não conheceu pecado, foi feito pecado por nós [isto é, uma oferta pelo pecado] (2 Co 5.21). Daqui, temos perdão, e não somente perdão, mas também poder contra o pecado (Rm 8.3).
Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público