• 1 Não me repreendas, SENHOR, na tua ira, nem me castigues no teu furor.
  • 2 Cravam-se em mim as tuas setas, e a tua mão recai sobre mim.
  • 3 Não há parte sã na minha carne, por causa da tua indignação; não há saúde nos meus ossos, por causa do meu pecado.
  • 4 Pois já se elevam acima de minha cabeça as minhas iniquidades; como fardos pesados, excedem as minhas forças.
  • 5 Tenho feridas que cheiram mal e estão cheias de pus, por causa da minha insensatez.
  • 6 Sinto-me encurvado e muito abatido, ando de luto o dia todo.
  • 7 Os meus lombos ardem, e não há parte sã na minha carne.
  • 8 Estou aflito e mui quebrantado; dou gemidos por causa do desassossego do meu coração.
  • 9 Na tua presença, Senhor, estão os meus desejos todos, e a minha ansiedade não te é oculta.
  • 10 O meu coração bate acelerado, faltam-me as forças, e a luz dos meus olhos, até essa me deixou!
  • 11 Os meus amigos e companheiros afastam-se da minha desgraça, e os meus parentes ficam de longe.
  • 12 Armam ciladas contra mim os que tramam tirar-me a vida; os que me procuram fazer o mal dizem coisas perniciosas e imaginam engano todo o dia.
  • 13 Mas eu, como surdo, não ouço e, qual mudo, não abro a boca.
  • 14 Sou como quem não ouve e em cujos lábios não há réplica.
  • 15 Pois em ti, SENHOR, espero; tu me responderás, Senhor, Deus meu.
  • 16 Porque eu dizia: “Não deixes que eles se alegrem de mim e contra mim se engrandeçam quando me resvala o pé.”
  • 17 Pois estou prestes a tropeçar; a minha dor está sempre diante de mim.
  • 18 Confesso a minha iniquidade; suporto tristeza por causa do meu pecado.
  • 19 Mas os meus inimigos são vigorosos e fortes, e são muitos os que sem motivo me odeiam.
  • 20 Aqueles que pagam o mal pelo bem são meus adversários, porque eu sigo o que é bom.
  • 21 Não me desampares, SENHOR; Deus meu, não te ausentes de mim.
  • 22 Apressa-te em socorrer-me, Senhor, salvação minha.

Versículos 1-11: O desagrado de Deus por causa do pecado; 12­ 22: Os sofrimentos e orações do salmista.

Vv. 1-11. Nada inquietará tanto o coração de um homem bom como sentir a ira de Deus. A maneira de termos o nosso coração tranquilo é mantermos o amor de Deus. contudo, o sentimento de culpa é demasiadamente pesado para suportá-lo; e o homem naufragará no desespero e na ruína, a menos que seja tirado pela misericórdia perdoadora de Deus. Se não houvesse pecados em nossa alma, não existiria dor em nossos ossos, nem enfermidades em nossos corpos. A culpa pelo pecado é uma carga para toda a criação, que geme sob ela. É uma carga para os próprios pecadores, quando estão afetados e carregados por ela, e será uma carga de ruína quando submergirem no inferno. Quando nos damos conta de nossa verdadeira condição, valorizamos, buscamos e obedecemos ao Bom Médico. Porém, muitos deixam que as suas feridas se infeccionem, porque tardam a ir a seu Amigo misericordioso. A qualquer momento em que estivermos enfermos em nossos corpos, devemos nos recordar como Deus foi desonrado, tanto em nossos corpos como por meio deles. Os gemidos inexprimíveis não são ocultos ao que esquadrinha o coração. Em seus sofrimentos, Davi tipificou as agonias de Cristo em sua cruz, sofredor e abandonado.

Vv. 12-22. Os maus odeiam a bondade, ainda que se beneficiem dela. Davi parece referir-se a Cristo nas queixas que faz contra os seus inimigos. Porém, os nossos inimigos somente nos causam verdadeiros males quando conseguem nos distanciar de Deus e dos nossos deveres. O problema do verdadeiro crente torna-se útil; ele aprende a esperar pelo Senhor seu Deus e não procurará o alívio da parte do mundo, nem de si mesmo. Quanto menos percebermos a maldade e os danos que nos causem, mais consultaremos com a paz de nossa mente. As aflições de Davi foram castigo e consequência das suas transgressões, enquanto o Senhor Jesus Cristo sofreu por causa dos nossos pecados, e somente pelos nossos, pois Ele mesmo jamais peco~. Que direito pode ter um pecador para render-se à impaciência ou à ira quando os seus pecados são corrigidos por misericórdia? Davi era muito sensível às obras da corrupção presentes nele mesmo. Os homens bons têm estado a ponto de cair quando começam a colocar as suas penas continuamente diante de si; porém, ao colocarem a Deus sempre adiante, têm mantido a sua firmeza. se estivermos verdadeiramente arrependidos do pecado, seremos pacientes na aflição. Nada se aproxima ainda mais do coração do crente aflito, do que estar sob a apreensão de que Deus o abandone; tampouco há algo que saia do coração com mais sentimento do que a oração: "Não te alongues de mim". O Senhor socorrerá prontamente os que confiam nEle, bem como na sua salvação.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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