• 1 Quando Jó acabou de falar, Elifaz, natural de Temã, respondeu:
  • 2 “Será muito difícil para você ouvir algumas palavras, sem deixá-lo impaciente. Mas há algumas coisas que eu não posso deixar de lhe dizer.
  • 3 No passado, você ensinou pessoas que estavam sofrendo a confiar em Deus.
  • 4 Você ajudou os fracos, caídos e desesperados a começar de novo; você fortaleceu os que estavam com os joelhos vacilantes.
  • 5 No entanto, agora que chegou a sua vez de passar pelos mesmos sofrimentos, você se desespera; quando você é tocado, perde a vontade de viver!
  • 6 “Não é o seu temor a Deus a sua confiança? Você, que vivia uma vida íntegra e justa, onde está a sua esperança?
  • 7 “Pense um pouco: Por acaso Deus já destruiu um inocente? Onde os íntegros sofreram destruição?
  • 8 Na minha opinião, os que cultivam o mal e semeiam maldade, esses é que colhem, como castigo de Deus, a maldade que fizeram.
  • 9 Sim, Deus destrói esses homens com o sopro da sua ira, da mesma maneira que o calor do sol faz murchar a erva.
  • 10 Eles podem rugir e rosnar como os leões, mas até os dentes dos grandes leões se quebram.
  • 11 Morrerão de fome, como um leão velho que não pode mais conseguir alimento, e os filhotes se espalham.
  • 12 “Uma grande verdade foi revelada a mim, um grande segredo, que eu mal consegui ouvir quando me foi contado.
  • 13 Certa noite, quando todos dormiam, eu tive uma visão perturbadora.
  • 14 De repente, o temor e o tremor me sobrevieram e meu corpo inteiro estremeceu.
  • 15 Um espírito apareceu diante de mim, e os pelos do meu corpo se arrepiaram.
  • 16 Eu percebi que o espírito estava à minha frente, mas não era possível ver sua forma; parecia uma sombra, um vulto diante dos meus olhos. Então, no silêncio ouvi uma voz abafada:
  • 17 “Por acaso o homem poderá ser mais justo do que Deus? Por acaso o homem poderá ser mais puro que o seu Criador?”
  • 18 “Deus não pode confiar nem em seus mensageiros, e em seus próprios anjos encontra imperfeições!
  • 19 Que dizer então do homem feito do pó da terra, que Deus pode destruir com a mesma facilidade com que o homem esmaga um inseto?
  • 20 A vida humana é tão curta! O homem nasce pela manhã e morre ao pôr do sol! Morre para sempre e ninguém se importa!
  • 21 Quando se cortam as cordas da sua barraca, morrem e se vão, sem terem alcançado sabedoria.

Versículos 1-6. Elifaz repreende a Jó; 7-11: Ele afirma que os juízos de Deus são para os ímpios; 12-21: A visão de Elifaz.

Vv. 1-6. Satanás tentou provar que Jó era um hipócrita, através da aflição. E seus amigos, ao notarem quão aflito ele estava e que se mostrava impaciente, concluíram que realmente era um hipócrita. Devemos ter isto em mente, para entendermos o que aconteceu. Elifaz fala de Jó e de sua aflição com ternura; porém, acusa-o de fraqueza e de ter o coração covarde. Os homens são muito estritos com aqueles que ensinam aos demais, e mesmo os amigos mais piedosos podem considerar como um simples arranhão o que sentimos seruma ferida. Aprendamos a desviar o pensamento do que sofre, para que não remoa a sua aflição, e olhe para o Deus das misericórdias em suas dores. E isto só pode ser bem feito quando se olha para Jesus Cristo, em cujos sofrimentos inigualáveis todo o filho de Deus aprende a esquecer os seus próprios sofrimentos rapidamente.

Vv. 7-11. Elifaz argumenta: 1. Os homens bons nunca sofreram uma ruína como a de Jó. O mesmo sucede ao justo e ao ímpio (Ec 9.2), na vida e na morte; a grande e certa diferença está depois da morte. Os nossos piores erros acontecem porque tiramos más conclusões. 2. Os maus costumam ser arruinados da seguinte maneira: para prová-lo, Elifaz apresenta a sua própria observação. Podemos ver o mesmo a cada dia.

Vv. 12-21. Elifaz narra uma visão: Quando estamos em comunhão com nossos corações, e calados (sl 4.4), o Espírito santo tem comunhão conosco. Esta visão traz-lhe um medo muito grande. Desde que o homem pecou, tem sido terrível para ele receber uma mensagem do céu, consciente de que não pode esperar boas noticias de lá. Homem pecador! Pretenderás ser mais justo e mais puro do que Deus, o qual, por ser teu Criador, é teu Senhor e Dono? Quão horrível então é o orgulho e a presunção do homem! E quão grande é a paciência de Deus. Observai um homem em sua vida! O mesmo fundamento desta casa de barro na qual o homem habita, está no pó, e afundar-se-á sob o seu próprio peso. Nós nos sustentamos sobre pó e nada mais. Alguns têm uma quantidade maior de pó sobre a qual se firmam, de maneira que ultrapassam aos demais; porém, sempre será terra, o que nos sustém e em pouco tempo nos tragará. O homem é prontamente ferido; não resistirá se alguma doença persistente, que consuma como traça, vier a destruí-lo. Esta classe de criaturas deve culpar a Deus por seus desígnios? Observe um homem em sua morte. A vida é curta e em pouco tempo os homens são cortados. Beleza, força e sabedoria não podem livrá-lo da morte, pois estas coisas também morrem com ele; tampouco a pompa, a riqueza e o poder continuam depois deles. Uma criatura pecadora, moribunda e fraca pretenderá ser mais justa que Deus, e mais pura que seu Criador? Não: ao invés de amargurar as suas aflições, deve se maravilhar de não estar no inferno. Pode um homem ser limpo sem seu Criador? Deus justificará aos mortais pecadores, e os limpará da culpa? Ou o fará sem que eles tenham interesse na justiça e na bondosa ajuda de seu prometido Redentor, quando até um grupo de anjos, que foram espíritos ministradores, diante de seu trono receberam a justa recompensa por seus pecados? Apesar da aparente impunidade dos homens por curto tempo, ainda que vivam sem Deus no mundo, sua condenação é tão certa como a dos anjos caídos. contudo, os pecadores negligentes estão tão despercebidos que não esperam a mudança, nem são sábios para considerar o seu fim.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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