• 1 “Grite por socorro, se quiser, mas ninguém responderá ao seu pedido de ajuda. Peça ajuda aos anjos, mas será tudo em vão.
  • 2 O ressentimento destrói o insensato, e a falta de juízo leva à morte.
  • 3 Eu observei a vida do homem que se revolta contra Deus; a princípio tudo vai bem, mas logo vem a desgraça sobre a sua casa.
  • 4 Os filhos do homem rebelde sofrem por causa do pecado do pai; são desprezados pela sociedade e não recebem ajuda de ninguém.
  • 5 O homem rebelde fica sem o que plantou, porque os ladrões roubam tudo; tudo que ele ajuntar acabará no bolso de gente desonesta.
  • 6 Todo esse sofrimento não brota da terra; e a desgraça não nasce do chão.
  • 7 E esse é o fim da vida humana: tristeza e frustração; isso é tão natural quanto as faíscas de uma fogueira que voam para cima.
  • 8 “Vou lhe dar um conselho: procure a Deus e apresente a sua causa a ele.
  • 9 Pois ele faz maravilhas, milagres que nem se podem explicar.
  • 10 Ele manda a chuva cair sobre a terra e regar os campos.
  • 11 Ele exalta os humildes, e coloca em segurança os que choram.
  • 12 “Ele acaba com os planos de homens perversos e não permite que façam as maldades que planejam.
  • 13 Os perversos acabam sendo destruídos pela sua própria maldade; seus planos violentos são cortados por Deus.
  • 14 Em pleno dia eles ficam no escuro, como cegos; a luz do dia será tão escura quanto a meia-noite!
  • 15 “Deus salva os órfãos e necessitados, salva-os das mãos dos poderosos.
  • 16 Por isso há esperança para os pobres, porque os perversos serão destruídos pela sua própria injustiça.
  • 17 “Feliz é o homem a quem Deus corrige! Portanto não despreze o castigo do Todo-poderoso.
  • 18 Ele mesmo trata da ferida que ele fez. Ele machuca, mas suas mãos curam.
  • 19 Ele estará sempre ao seu lado para livrá-lo de todos os problemas que surgirem.
  • 20 “Se houver fome na terra, ele lhe dará comida. Ele o protegerá do golpe da espada na guerra.
  • 21 Ele cuidará para que você não seja destruído por palavras mentirosas. E mesmo no meio da destruição, você não precisará temer.
  • 22 “Sim, você rirá da destruição e da fome, e não precisará ter medo dos animais ferozes.
  • 23 Deus fará com que as pedras do campo sejam úteis para você, e os animais do campo serão seus amigos.
  • 24 “Você pode ter certeza de que a paz guardará a sua casa, e você não achará falta de nada quando contar os bens da sua morada.
  • 25 Sua família se tornará muito grande e poderosa na terra, e os seus descendentes serão como as folhas do pasto.
  • 26 A morte chegará na hora certa, quando você já tiver vivido uma vida longa e feliz, como um feixe de trigo que se colhe quando está maduro.
  • 27 “Eu venho observando a vida por muito tempo e sei que o que lhe disse é a verdade. Para seu próprio bem, ouça e aproveite o meu conselho”.

Versículos 1-5: Elifaz insiste em que o pecado dos pecadores é a ruína deles; 6-16. Deus deve ser honrado na aflição; 17-27: O final feliz da correção que Deus faz.

Vv. 1-5. Aqui, Elifaz insiste com Jó para que responda os seus argumentos. Algum dos santos servos de Deus foi visitado com juízos divinos, como foi Jó? Algum deles se comportou como Jó, quando se viu submetido a tais sofrimentos? A palavra "santo", ou mais especificamente "consagrado", parece que foi aplicada ao povo de Deus em todas as épocas através do sacrifício realizado na sua reconciliação. Elifaz não tem dúvidas de que o pecado leva os pecadores diretamente à ruína. Eles se matam por uma ou outra luxúria; portanto, sem dúvida, Jó cometera algo néscio que o levara a esta situação. A alusão é claramente ao estado anterior à prosperidade de Jó; contudo, não há evidência de maldade na vida de Jó, e aplicar-lhe isto era injusto e cruel.

Vv. 6-16. Elifaz lembra a Jó que nenhuma aflição acontece por acaso, nem deve ser atribuída a causas secundárias. A diferença entre a prosperidade e a adversidade não se dá exatamente como o dia e a noite, o verão e o inverno, mas segundo a vontade e o conselho de Deus. Não devemos atribuir as nossas aflições à sorte, porque elas são permitidas por Deus; nem nossos pecados ao destino, porque são nossos. O homem nasce em pecado; portanto, possui a tendência para pecar. Não há algo neste mundo para o qual tenhamos nascido, e que possamos chamar próprio, salvo o pecado e as adversidades da vida. As transgressões concretas são faíscas que voam do forno da corrupção que há em nós. Tal é a fragilidade de nossos corpos e a vaidade de nossos prazeres, que nossos problemas surgem deles como as labaredas enormes: são tantos, e rapidamente seguem uns após outros. Elifaz reprova Jó por não buscar a Deus, ao invés de discutir com Ele. Alguém está aflito? Ore. A tranquilidade do coração é um bálsamo para toda a ferida. Elifaz fala da chuva, e que somos propensos a considerá-la como algo comum; porém, se pensamos na maneira como ela é produzida, e o que por ela se produz, veremos que é uma grande obra de poder e bondade. com frequência não percebemos o grande Autor de todo o nosso consolo, nem a maneira pela qual Ele nos foi enviado, porque são apenas tidos como dádivas. Nos caminhos da providência, as experiências de uns são estímulos para outros, a fim de se esperar o melhor nos piores momentos; porque é gloria de Deus enviar ajuda ao indefeso e esperança ao desesperado. E os pecadores atrevidos confundem-se e vêem-se obrigados a reconhecer a justiça dos procedimentos de Deus.

Vv. 7-27. Elifaz dá a Jó uma palavra de advertência e exortação: "Não desprezes, pois, o castigo do Todo-poderoso". Considere-a como castigo que vem do amor do Pai, e que é para o bem do filho; e considere-o como mensageiro do céu. Elifaz também exorta Jó a submeter-se a seu estado. Um homem bom está feliz; ainda que seja afligido, porque não tem perdido o gozo de Deus, nem seu direito ao céu; sim, mesmo quando passa por aflições, os verdadeiros cristãos podem conservar a sua alegria. A correção mortifica as suas corrupções, aparta o seu coração do mundo, aproxima-o de Deus, leva-o à Bíblia, e coloca-o de joelhos. Mesmo que permita que o seu povo seja ferido, Deus sustenta os seus eleitos até quando estão submetidos a aflições, e liberta-os no momento oportuno. O ferimento, às vezes, faz parte do processo de cura. Elifaz dá a Jó promessas preciosas do que Deus faria por ele, se ele se humilhasse. Qualquer que seja o problema que os homens bons enfrentam, estes não lhes causarão danos reais. Resguardados de pecar, são guardados do mal. E, se os servos de Cristo não são livres de seus problemas, são libertos quando os enfrentam, e ainda que sejam oprimidos por uma dificuldade, vencerão a todas as adversidades. Qualquer coisa que se diga maliciosamente a respeito deles não os ferirá. Eles terão sabedoria e graça para enfrentar suas preocupações. A maior bênção, tanto em nossas tristezas como em nossas alegria, é sermos guardados do pecado. Os servos do Senhor terminarão sua carreira com gozo e honra. O homem que realiza toda a sua obra e está pronto para o outro mundo, vive muito tempo. Misericórdia é morrer no tempo certo, como se corta o milho e se guarda quando está totalmente maduro, pois não suportará continuar por mais tempo. Nossos tempos estão nas mãos de Deus, e é bom que seja assim. Os crentes não devem esperar grandes riquezas, vida longa, ou serem livres de provações. Porém, tudo será dirigido para o melhor. Podemos destacar na historia de Jó a constância da mente e do coração submetidos a provas: é uma das vitórias mais elevadas da fé. A fé é pouco exercitada quando tudo vai bem. Porém, se Deus parece estar longe de nossas orações, permite uma tormenta ou deixa que o inimigo envie onda após onda, devemos seguir apegados a Deus e confiar nEle, mesmo quando não podemos encontrá-lo. Esta é a paciência que os santos possuem. Bendito Salvador! quão doce é olhar para ti em tais momentos, Autor e consumador da fé!

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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