• 1 Ó Deus, ouvimos com nossos próprios ouvidos as histórias dos nossos pais a respeito dos seus grandes feitos, em seus dias.
  • 2 Com a sua própria mão o Senhor arrancou desta terra os povos pagãos que aqui viviam, dando lugar ao nosso povo. Israel se tornou o dono de toda a terra, e o Senhor os fez prosperar.
  • 3 Não foi por sua própria força, nem com suas armas. Eles venceram os inimigos e conquistaram a terra pela mão direita do Senhor, pelo seu forte braço e iluminados pela luz do seu rosto. Conseguiram isso por causa do seu amor por eles.
  • 4 Ó Deus, o Senhor é o meu rei! O Senhor ordena e confirma a vitória de Israel, o seu povo.
  • 5 Pois somente com a sua ajuda podemos vencer os nossos inimigos; pelo seu nome pisamos naqueles que se levantam contra nós.
  • 6 Não confio em meu arco e na minha espada para me salvar,
  • 7 mas no Senhor que vence os nossos inimigos e cobre de vergonha os que nos odeiam.
  • 8 Deus é o motivo de nos gloriarmos a cada instante; louvaremos o seu nome para sempre.
  • 9 No entanto, o Senhor nos rejeitou e por isso passamos vergonha diante das nações. O Senhor já não sai às batalhas com os nossos exércitos,
  • 10 e por isso somos obrigados a fugir do inimigo; nossos adversários nos odeiam e roubam as nossas riquezas.
  • 11 O Senhor entregou os israelitas à morte, como ovelhas num matadouro; nosso povo foi espalhado entre as nações.
  • 12 O Senhor nos vendeu a troco de nada, não lucrando com o seu preço.
  • 13 As nações vizinhas zombam e riem de nós por causa do que aconteceu. Somos motivo de riso e menosprezo daqueles que nos rodeiam.
  • 14 O Senhor fez de nós motivo de zombaria entre as nações; os povos meneiam a cabeça quando nos veem.
  • 15 Onde quer que eu vá, sofro o mesmo vexame; o meu rosto está coberto de vergonha
  • 16 por causa daqueles que me afrontam e blasfemam, por causa dos meus inimigos que desejam vingança.
  • 17 Senhor, por que tudo isso aconteceu? Nós não nos esquecemos do Senhor, nem deixamos de cumprir a sua aliança.
  • 18 Nossos corações não abandonaram o Senhor; nossos pés não se desviaram do seu caminho.
  • 19 Então, por que razão o Senhor nos castiga nesta terra seca e sem vida? Por que o Senhor nos cobriu de densas trevas?
  • 20 Se tivéssemos esquecido o nome do nosso Deus e tivéssemos estendido as nossas mãos em oração a deuses estrangeiros,
  • 21 Deus com certeza saberia, pois ele conhece os segredos de cada coração!
  • 22 Mas o fato é que por sermos fiéis ao Senhor estamos sofrendo perigo de morte a todo instante; somos como ovelhas destinadas ao matadouro.
  • 23 Acorde, Senhor! Por que continua indiferente? Levante-se! Não nos abandone para sempre!
  • 24 Por que esconde de nós o seu rosto e esquece a nossa miséria e desespero?
  • 25 Já fomos tão humilhados que andamos com o rosto no chão, arrastando o corpo no pó.
  • 26 Levante-se, Senhor! Venha socorrer o seu povo! Salve-nos por causa do seu amor fiel e constante.

Pedido de socorro e alívio.

Vv. 1-8: As experiências anteriores do poder e da bondade de Deus são um forte apoio para a fé, e poderosos argumentos ao orar, quando se está submetido às calamidades presentes. As muitas vitórias obtidas por Israel não se deveram à sua própria força ou mérito, mas ao favor e à graça de Deus. Quanto menos o mérito for nosso, maior será o consolo que proporcionará, para que vejamos que tudo provém do favor de Deus. Ele pelejou a favor de Israel porque, caso contrário, o povo de Deus teria lutado em vão. Esta passagem pode ser aplicada à implantação da Igreja no mundo, o que não foi feito por uma política humana, e nem por um poder humano de qualquer tipo. O Senhor Jesus Cristo, por seu Espírito, saiu vencedor e para vencer. E, uma vez que implanta para si uma entidade neste mundo, sustentá-la-á por seu poder e bondade. Eles confiaram e triunfaram nEle, e através dEle. Os que se gloriam, gloriem-se no Senhor. Porém, se têm o consolo de seu nome, devem dar a Ele a glória devida ao seu nome.

Vv. 9-16. O crente pode passar por momentos de tentação, aflição e desalento; a igreja tem temporadas de perseguição. Nestes instantes, o povo de Deus terá a tendência de pensar que o Senhor os abandonou, e que o seu nome e a sua verdade serão desonrados. Porém, eles devem olhar para o alto, a Deus, acima dos que são os instrumentos de suas lutas, cientes que os seus piores inimigos não teriam qualquer poder contra eles, senão aquele que é concedido do alto.

Vv. 17-26. Não devemos buscar alívio das aflições por qualquer submissão pecaminosa. Temos que meditar continuamente na verdade, na pureza e no conhecimento do nosso Deus, que esquadrinha os corações. O coração peca, e os pecados secretos são conhecidos por Deus e devem ser reconhecidos. O Senhor conhece os segredos do coração; portanto, Ele julga as palavras e as atitudes. Mesmo que os nossos problemas não nos separem de nosso dever para com Deus, não devemos tolerar que nos afastem de nosso consolo em Deus. cuidemos para que nem a prosperidade e nem o conforto nos tornem negligentes ou fracos. A Igreja não pode se inclinar a esquecer-se de Deus durante a perseguição; o coração do crente não se aparta de Deus. O Espírito de profecia referia-se àqueles que sofreram até à morte por causa do testemunho que deram acerca do Senhor Jesus Cristo. Observemos os argumentos utilizados nos vv. 25 e 26. Não se referem a méritos e nem à justiça, mas aos rogos do pobre pecador. Ninguém que pertença a Cristo será lançado fora; cada um deles será salvo, e isto é para sempre. A misericórdia divina, adquirida, prometida, constantemente derramada e oferecida aos crentes, afasta toda a dúvida que surja dos nossos pecados, enquanto oramos com fé. Redime-nos, Senhor, por amor às tuas misericórdias.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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