• 1 Cantarei para sempre o grande amor do SENHOR! Anunciarei com a minha boca a sua fidelidade por todas as gerações!
  • 2 Pensei comigo mesmo: O grande amor de Deus é eterno e dura para sempre! A sua fidelidade está firmada nos céus.
  • 3 O Senhor Deus declara: “Fiz uma aliança com o meu escolhido e prometi solenemente a Davi, meu servo:
  • 4 Um dos seus descendentes sempre reinará; eu farei com que alguém da sua linhagem ocupe o trono de Israel por todas as gerações!”
  • 5 Os céus louvam as suas maravilhas, ó SENHOR! Os santos anjos louvam a sua fidelidade.
  • 6 Quem, em todo o céu, poderá ser comparado ao SENHOR? Quem dentre os seres celestiais chega aos pés do SENHOR?
  • 7 Deus fica muito acima da assembleia dos santos anjos; todos eles respeitam profundamente o Senhor.
  • 8 Ó SENHOR, Deus dos Exércitos, onde existe alguém tão forte e poderoso como o SENHOR? Em todas as coisas, o Senhor é fiel!
  • 9 O Senhor domina o mar, quando ele está revolto; o Senhor acalma as grandes ondas com a sua voz!
  • 10 O Senhor quebrou o Egito em pedaços! Com o seu grande poder feriu mortalmente os seus inimigos, e todos eles fugiram.
  • 11 Os céus são seus, a terra é sua! Sim, este mundo e tudo que nele existe foram criados pelo Senhor.
  • 12 Criou o Norte e o Sul; o monte Tabor e o monte Hermom cantam de alegria porque foram criados pelo seu grande poder.
  • 13 O seu braço é poderoso; a sua mão é forte! Sua mão direita é levantada, com poder e honra.
  • 14 O seu trono tem duas bases, a justiça e a retidão. Por onde quer que vá, o amor e a verdade o acompanham.
  • 15 Feliz é o povo que o adora com gritos de alegria, SENHOR, pois o seu caminho será iluminado pela luz do seu rosto.
  • 16 O Senhor é a alegria constante desse povo, e ele se alegra em conhecer a sua justiça e bondade,
  • 17 pois o Senhor é a nossa glória e a nossa força! Nossa força depende inteiramente da sua bondade.
  • 18 O SENHOR é o nosso escudo. Ó Santo de Israel, o Senhor é o nosso rei!
  • 19 Há algum tempo, numa visão, o Senhor disse ao seu profeta: “Dei a um soldado valente o poder para salvar o meu povo! Escolhi um homem humilde para ser rei.
  • 20 Escolhi Davi, o meu servo, para ser rei; como prova da minha escolha derramei o meu santo óleo sobre a sua cabeça.
  • 21 A minha mão confirmará as ações dele, e o meu braço será a sua força!
  • 22 Ele nunca será apanhado de surpresa pelos seus inimigos, nunca será derrotado pelos perversos!
  • 23 Eu mesmo destruirei os seus inimigos e castigarei quem odiar Davi.
  • 24 A minha fidelidade e o meu amor cuidadoso estarão sempre com Davi, e ele se tornará forte e poderoso graças a mim.
  • 25 Darei a Davi um reino que vai desde o mar Mediterrâneo até o rio Eufrates.
  • 26 Ele me agradecerá dizendo: ‘O Senhor é o meu Pai, o meu Deus, a Rocha onde eu encontro a salvação!’
  • 27 Por isso, darei a ele as honras de meu primeiro filho, e farei dele o rei mais poderoso em toda a terra.
  • 28 O meu amor fiel por ele permanecerá para sempre; a minha aliança com ele jamais será quebrada.
  • 29 Sua família nunca acabará; ele sempre terá um herdeiro para ocupar o seu trono, que será eterno como os céus.
  • 30 “Se os seus filhos e netos desprezarem a minha lei e não andarem nos meus caminhos,
  • 31 se não derem importância às minhas ordens escritas e desobedecerem aos meus mandamentos,
  • 32 então eu mesmo castigarei com varas a sua desobediência e com chicotadas o seu pecado;
  • 33 mas isso não significa que meu amor para com eles terminou, nem que deixarei de ser fiel à minha aliança com Davi.
  • 34 Não! Jamais quebrarei a minha aliança e nunca voltarei atrás em uma só das promessas feitas a ele.
  • 35 Porque eu fiz esta promessa solene, com base na minha santidade, e não mentirei a Davi;
  • 36 que a sua linhagem seja eterna e o seu trono permaneça para sempre diante de mim, como o sol,
  • 37 pois será estabelecido para sempre como a lua, a fiel testemunha no céu”.
  • 38 Por que, então, abandonou o seu escolhido? Por que ficou tão furioso com o seu ungido?
  • 39 Por que deixou de lado a aliança feita com o seu servo? A coroa do rei ficou sem valor, pois foi jogada na lama.
  • 40 Os muros de nossa capital e as nossas fortalezas foram reduzidos a ruínas.
  • 41 Quem passa por perto de nós leva um pouco do que sobrou, e todos os nossos vizinhos zombam de nós.
  • 42 O Senhor deu força aos inimigos do rei, e eles se alegraram com a nossa derrota.
  • 43 Tornou as nossas armas inúteis e não ajudou o rei na hora da batalha.
  • 44 O Senhor apagou o seu brilho glorioso e derrubou o seu trono no chão.
  • 45 Fez o rei envelhecer depressa demais e o cobriu com um manto de vergonha e humilhação.
  • 46 Ó SENHOR, até quando esta situação vai continuar? O Senhor ficará escondido de nós para sempre? O fogo da sua ira nunca irá se apagar?
  • 47 Lembre-se, Senhor, de como a minha vida é passageira! Será que o Senhor criou o homem sem motivo, sem um propósito para a vida?
  • 48 Todos os homens terão de enfrentar a morte um dia; ninguém vive aqui para sempre! Quem é capaz de livrar-se das garras da morte?
  • 49 Ó Senhor, onde está o seu antigo amor, que com fidelidade jurou a Davi?
  • 50 Lembre-se, Senhor, da vergonha que os seus servos estão passando. Meu coração está carregado com as ofensas de todos os povos,
  • 51 das zombarias dos seus inimigos, ó SENHOR, com que se divertem, humilhando o nosso rei, seu escolhido.
  • 52 Mesmo assim, bendito seja o SENHOR para sempre! Amém e amém!

Versículos 1-4: A misericórdia, a verdade de Deus e o seu pacto; 5­ 14: A glória e a perfeição de Deus; 15-18: A felicidade dos que estão em comunhão com Ele; 19-37: O pacto de Deus com Davi como tipo de Cristo; 38- 52: O lamento por causa de um estado calamitoso; a oração pela retomada do pacto.

Vv. 1-4. Ainda que as nossas expectativas possam nos trazer desilusões, contudo, as promessas de Deus estão estabelecidas nos céus, em seu eterno conselho; estão fora do alcance dos oponentes do inferno e da terra. A fé na ilimitada misericórdia de Deus e em sua verdade eterna é capaz de consolar até em meio às provas mais profundas.

Vv. 5-14. Quanto mais conhecidas são as obras de Deus, mais também são admiradas. Louvar ao Senhor é reconhecê-lo como aquEle que não tem semelhante a si. seguramente, então, sentiremos e expressaremos reverência quando adorarmos a Deus; porém, quão pouco disto se manifesta em nossas reuniões e quantas causas temos para nos humilharmos por esta razão! O poder onipotente que abateu o Egito dispersará os inimigos da Igreja, enquanto todos os que confiam na misericórdia de Deus, regozijar-se-ão em seu nome, pois a verdade e a misericórdia dirigem tudo o que Ele faz. Os seus conselhos desde a eternidade, e as suas consequências para a eternidade são todos justiça e juízo.

Vv. 15-18. Felizes são os que conhecem o grato som do Evangelho e o obedecem, os que experimentam o seu poder em seu coração, e dão frutos durante a sua vida. Ainda que nada sejam em si mesmos, porém, por terem todas as coisas em Cristo Jesus, os crentes podem regozijar-se em seu nome. Que o nosso querido Senhor nos capacite para que o façamos assim. O gozo de Jeová é a fortaleza de seu povo, enquanto a incredulidade nos desanima e rouba o alento dos demais. Ainda que a incredulidade se infiltre em nosso meio, disfarçada por uma aparência de humildade, ela é, de todo modo, a própria essência do orgulho. O Senhor Jesus Cristo é o santo de Israel e este povo, que lhe é peculiar, foi abençoado nEle mais do que em qualquer bênção recebida antes.

Vv. 19-37. O Senhor ungiu a Davi com o óleo santo, não somente como emblema da graça e dos dons que recebeu, mas também para tipificar a Cristo, o Rei, sacerdote e Profeta, ungido sem medida com o Espírito Santo. Davi foi perseguido logo após a sua unção, mas ninguém foi capaz de levar vantagem sobre ele. No entanto, tudo isto era uma sombra pálida dos sofrimentos, da libertação, da glória e da autoridade do Redentor, o único em quem todas estas predições e promessas se cumpriram plenamente. Ele é o Deus Onipotente. Este é o Redentor nomeado para nós, o único capaz de completar a obra da nossa salvação. Procuremos nos interessar por estas bênçãos pelo testemunho do Espírito santo em nossos corações. Assim como o Senhor corrigiu a posteridade de Davi por causa das transgressões deles, do mesmo modo o seu povo será corrigido por causa dos pecados que vierem a praticar. Porém, trata-se de uma vara, e não de uma espada; tem a finalidade de corrigir, e não de destruir. É uma vara nas mãos de Deus, que é não somente sábio, mas a fonte de toda a sabedoria, e que sabe o que faz; é cheio de graça e fará o melhor. É uma vara que eles jamais sentirão, a menos que se faça necessário. Assim como o sol e a lua permanecem no céu, e não importa quais sejam as mudanças que aparentemente haja neles, e novamente reaparecem no devido momento, do mesmo modo o pacto da graça feito em Cristo Jesus não deve ser questionado, não importa qual seja a alteração que aparentemente aconteça entre as pessoas.

Vv. 38-52. Às vezes, não é fácil conciliar as providências de Deus com as suas promessas; porém, tenhamos a certeza de que as obras de Deus cumprem a sua Palavra. Quando o próprio Cristo estava na cruz, parecia que Deus o rejeitara; porém, não anulou o seu pacto, porque foi estabelecido para sempre. A honra da casa de Davi perdeu-se. Os tronos e as coroas muitas vezes jazem no pó; porém, há uma coroa de glória reservada para a semente espiritual de Cristo, que jamais se desvanece. De toda esta queixa, devemos aprender que obra terrível o pecado é capaz de fazer, tanto nas famílias nobres corno naquelas em que a religião foi manifestada. Eles imploram que o Senhor tenha misericórdia. A imutabilidade e fidelidade de Deus asseguram-nos que Ele jamais lançará fora aqueles a quem escolheu e com quem fez o pacto. Havia alguns que os censuraram por servirem a Deus. Os escarnecedores dos tempos posteriores censuram semelhantemente os passos do Messias, quando perguntam: "Onde está a promessa da sua vinda?" (2 Pe 3.3,4). Os registros dos pactos e do modo do Senhor tratar com a família de Davi ensinam-nos acerca de seu pacto com a Igreja e com cada crente em particular. As nossas aflições e angústias podem ser penosas; porém, Ele jamais nos lançará fora definitivamente. Os que enganam a si mesmos, costumam abusar desta doutrina e, outros, por andarem descuidados, encaminham-se para as trevas e a angústia. Porém, o verdadeiro crente confia nisto, para ter alento na senda do dever e levar a sua cruz. O salmo termina com louvor, mesmo após esta triste queixa. Os que agradecem a Deus por tudo o que Ele tem feito, podem também agradecer-lhe pelo que Ele ainda fará. As misericórdias de Deus seguirão os que o seguem com louvores.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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