• 1 Deem uma calorosa acolhida a qualquer irmão que deseje unir-se a vocês, mesmo que a sua fé seja fraca. Não o censurem por ele ter ideias diferentes das suas a respeito daquilo que está certo ou errado.
  • 2 Por exemplo, não discutam com ele a respeito de comer ou não carne. Pode ser que vocês creiam que não há nenhum mal nisso, porém outros têm a fé mais fraca; pensam que está errado, e não comerão carne alguma; eles preferem comer verduras a comer aquela espécie de carne.
  • 3 Aqueles que pensam que está certo comer esse tipo de carne não devem desprezar aqueles que não a comem. E se você faz parte daqueles que não comem, não acuse de erro aqueles que comem. Porque Deus os aceitou.
  • 4 Eles são servos de Deus, e não de vocês. Eles são responsáveis perante Deus, e não perante vocês. Deixem que ele lhes diga se eles estão certos ou errados. E Deus mesmo é capaz de levá-los a agir como devem.
  • 5 Alguns pensam que se deve observar os feriados judaicos como dias especiais para se adorar a Deus; já outros dizem que é um erro todo esse incômodo, visto que todos os dias pertencem igualmente a Deus. Em questões desse tipo, cada um deve decidir por si mesmo.
  • 6 Se vocês têm dias especiais para adorar ao Senhor e estão procurando honrá-lo, fazem uma boa coisa. Assim também a pessoa que come carne; ela come para o Senhor, pois dá graças a Deus. E a pessoa que não toca em tal carne também está desejosa em agradar ao Senhor, e também dá graças a Deus.
  • 7 Não mandamos em nós mesmos para vivermos ou morrermos como se nós mesmos pudéssemos escolher.
  • 8 Se vivemos, vivemos para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor. Assim, quer vivamos, quer morramos, somos do Senhor.
  • 9 Cristo morreu e ressuscitou por esta razão, para que pudesse ser Senhor tanto de vivos como de mortos.
  • 10 Vocês não têm nenhum direito de julgar um irmão ou olhar com desprezo para ele. Lembre-se de que cada um de nós comparecerá individualmente perante o tribunal de Deus.
  • 11 Porque está escrito: “Juro por mim mesmo”, diz o Senhor, “todo joelho se curvará diante de mim e toda língua confessará que sou Deus”.
  • 12 Assim, cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus.
  • 13 Assim, não julguemos mais uns aos outros. Em vez disso, procurem viver de tal modo que nunca façam um irmão tropeçar, se ele vir vocês fazerem alguma coisa que ele pensa que está errada.
  • 14 Quanto a mim, estou perfeitamente seguro, baseado na autoridade do Senhor Jesus, de que nenhuma comida é por si mesma impura. Entretanto, se alguém achar que isso está errado, então não deve comê-la, pois para essa pessoa ela é impura.
  • 15 Se um irmão ficar incomodado por causa daquilo que você come, você não estará procedendo com amor se continuar a comer. Não deixe que a sua comida faça perder-se alguém por quem Cristo morreu.
  • 16 Não faça nada que motive censura contra você, mesmo sabendo que aquilo que você faz está certo.
  • 17 Afinal de contas, o Reino de Deus não é o que comemos ou bebemos, mas sim a justiça, a paz e a alegria que vêm do Espírito Santo.
  • 18 Se vocês deixarem Cristo ser Senhor nessas coisas, Deus se agradará; e vocês serão aprovados pelos homens.
  • 19 Desta forma, tenhamos como alvo a harmonia e a edificação de uns para com os outros.
  • 20 Não desfaça a obra de Deus por causa da comida. Lembre-se: Não há nada errado com a carne, mas está errado comê-la se isso fizer uma outra pessoa tropeçar.
  • 21 A coisa certa a fazer é deixar de comer carne, ou de beber vinho, ou de fazer qualquer outra coisa que leve o seu irmão a pecar.
  • 22 Você pode saber que não há nada de errado na forma de crer a respeito destas coisas, mas que isso permaneça entre você e Deus. Nessa situação, feliz é o homem que não se condena quando faz aquilo que sabe que está certo.
  • 23 Entretanto, quando alguém acha que comer alguma coisa está errado, não deve fazê-lo. Ele peca se o fizer, pois não come com fé; e tudo o que não provém de fé é pecado.

Versículos 1-13: Os judeus convertidos são advertidos a não julgar e aos crentes gentios a não desprezarem uns aos outros; 14-23: Exorta-se os gentios a tomarem o cuidado de não ofender quando usam coisas indiferentes.

Vv. 1-13. As diferenças de opinião prevaleciam até mesmo entre os seguidores imediatos de Cristo e seus discípulos. Paulo não intentou acabar com elas. O estabelecimento forçado de qualquer doutrina ou a conformidade com os rituais exteriores sem estar convencido, é hipócrita e infrutífero. Os intentos de produzir a unanimidade absoluta nos cristãos serão inúteis. Que a comunhão cristã não seja perturbada por discórdias verbais. Bom será que nos perguntemos, quando formos tentados a desprezar e a culpar os nossos irmãos: Deus não os tem reconhecido? E se Ele o tem feito, me atrevo a não reconhecê-los? Que o cristão que usa a sua liberdade não despreze o seu irmão mais fraco por ser ignorante e supersticioso. Que o crente escrupuloso não procure defeitos em seu irmão, porque Deus o aceitou sem considerar as distinções da carne. Usurpamos o lugar de Deus quando nos colocamos a julgar assim os pensamentos e intenções do próximo, os quais estão fora de nossa vista. Muito parecido era o caso acerca de guardar os dias. Aqueles que sabiam que todas estas coisas tiveram fim com a vinda de Cristo, não davam atenção às festividades dos judeus. Mas não basta que as nossas consciências consintam com o que fazemos; é necessário que tudo o que fazemos seja certificado pela Palavra de Deus. Tenha o cuidado de agir contra a tua consciência quando existir dúvida. Temos a tendência de fazer das nossas opiniões a norma da verdade, para considerar como certas as coisas que para outros são duvidosas. Desta maneira, muitas vezes os cristãos se desprezam ou se condenam mutuamente por assuntos duvidosos e de pouca importância. O reconhecimento agradecido a Deus, Autor e Doador de todas as nossas misericórdias, as santifica e as suaviza.

Vv. 7-13. Ainda que alguns sejam mais fracos e outros mais fortes, não obstante, todos devem estar de acordo e não viver para si mesmos. Ninguém que tenha dado o seu nome a Cristo tem permissão para ser egoísta; isso é contrário ao cristianismo verdadeiro. A atividade de nossas vidas não é agradarmos a nós mesmos, mas agradar a Deus. Cristianismo verdadeiro é o que faz de Cristo o tudo em todos. Ainda que os cristãos sejam de diferentes forças, capacidades e costumes em questões menores, ainda assim, todos são do Senhor; todos olham para Cristo, servem-no e procuram ser aprovados por Ele, Ele é o Senhor dos que estão vivos e os comanda; e aos que estão mortos, revive e levanta. Os cristãos não devem julgar nem desprezar uns aos outros, porque tanto um como outro prestarão contas dentro de pouco tempo. Uma consideração ciente do juízo do grande dia deveria silenciar os juízos precipitados. Que cada homem examine o seu coração e a sua vida; aquele que é rigoroso para julgar-se e humilhar-se não é capaz de julgar e desprezar o seu irmão. Devemos tomar o cuidado de não fazer e dizer coisas que possam fazer com que outros tropecem ou caiam. Uma pode significar um grau menor de ofensa, outra um maior; as quais podem ser ocasião de sofrimento ou de culpa para nosso irmão.

Vv. 14-18. Cristo trata bondosamente aos que têm a graça verdadeira, ainda que sejam fracos nela. Consideremos a intenção da morte de Cristo. Se alguém levar uma alma ao pecado, ameaçará destruir essa alma. Cristo negou-se a si mesmo em nosso benefício e de nossos irmãos ao morrer por nós; e nós não negaremos a nós mesmos por eles, ao nos resguardarmos de toda indulgência? Não podemos impedir que as línguas desenfreadas falem mal, porém, não devemos dar-lhes ocasião. Devemos negar a nós mesmos em muitos casos, mesmo naquilo que for lícito, quando as nossas atitudes podem prejudicar a nossa boa fama. Muitas vezes o nosso bem costuma vir em ocasiões em que falam mal de nós, quando somos acusados de utilizarmos as coisas lícitas de maneira egoísta e nada caridosa. Como valorizamos a reputação do bem que professamos e praticamos, busquemos aquilo sobre o que não se pode falar mal. Justiça, paz e gozo são palavras de grande significado. Quanto a Deus, o nosso grande interesse é apresentarmo-nos diante dEle justificados pela morte de Cristo, santificados pelo Espírito de sua graça, porque o justo Senhor ama a justiça. Quanto aos nossos irmãos, devemos viver em paz, amor e caridade para com eles, e seguir a paz com todos os homens. Quanto a nós mesmos, é o gozo no Espírito Santo; esse gozo espiritual realizado pelo bendito Espírito nos corações dos crentes, que respeitam a Deus como seu Pai reconciliado, e ao céu como seu lugar esperado. Com respeito a cumprirmos os nossos deveres para com Cristo, somente Ele pode tomá-los aceitáveis. São mais agradáveis a Deus os que mais se comprazem nEle, e abundam em paz e gozo do Espírito Santo. São aprovados pelos homens sábios e bons, e a opinião dos demais não deve ser levada em conta.

Vv. 19-23. Muitos que desejam a paz falam dela em alta voz, porém, não seguem aquilo que é capaz de fazer ou contribuir para a paz. Mansidão, humildade, abnegação e amor são capazes de fazer a paz. Não podemos nos edificar uns aos outros enquanto contendemos. Muitos destroem a obra de Deus em si mesmos por causa de comida e bebida; nada é mais destrutivo à alma de um homem do que afagar e agradar a própria carne, e satisfazer a luxúria desta. Deste modo, outros são prejudicados por uma ofensa voluntariamente cometida. As coisas lícitas podem se tornar ilícitas se forem feitas de modo que ofendam a algum irmão. Isto compreende todas as coisas indiferentes pelas quais um irmão seja levado a pecar, ou a envolver-se em problemas, e que façam com que ele se enfraqueça na graça, em seus consolos ou decisões. Tens fé? Esta pergunta se refere ao conhecimento e à claridade quanto à nossa liberdade cristã. Desfrute o conforto que lhe é concedido, mas não perturbes os demais pelo mau uso deste. Tampouco devemos agir contra uma consciência que está em dúvidas. Quão excelentes são as bênçãos do reino de Cristo, que não consistem em rituais e cerimónias exteriores, mas de justiça, paz e gozo no Espírito Santo! Quão preferível é o serviço a Deus em relação a todos os demais serviços! Ao servirmos a Deus, não somos chamados a viver e a morrer por nós mesmos, mas por Cristo, a quem pertencemos e a quem devemos servir.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

Recurso de Estudo