• 1 Estaremos nós começando a ser como aqueles falsos mestres entre vocês, que precisam lhes contar tudo a respeito de si mesmos, e levar consigo longas cartas de recomendação? Creio que vocês não precisam de uma carta de alguém para falar-lhes a nosso respeito. E nós também não precisamos de uma recomendação de vocês!
  • 2 A única carta que eu necessito são vocês, vocês mesmos! Vocês são a nossa carta, escrita em nosso coração, conhecida e lida por todos.
  • 3 Eles podem ver que vocês são uma carta de Cristo, escrita por nós. Carta escrita não com pena e tinta, mas pelo Espírito do Deus vivo; não esculpida em tábuas de pedra, mas em corações humanos.
  • 4 Dizemos isso por causa da grande confiança que temos em Deus, por meio de Cristo.
  • 5 Não porque pensemos que podemos fazer por nós mesmos qualquer coisa de valor duradouro. O único poder que possuímos e o êxito que obtemos vêm de Deus.
  • 6 Ele é quem nos tem ajudado a contar aos outros a sua nova aliança. Nós não pregamos a Lei, mas anunciamos a aliança do Espírito, pois a letra mata, mas o Espírito lhes dá a vida.
  • 7 Entretanto, aquele velho sistema de lei, gravado com letras em pedras, que terminava em morte, veio com tal glória que o povo não podia fixar os olhos no rosto de Moisés, por causa do resplendor do seu rosto, ainda que esse brilho já estivesse se desvanecendo.
  • 8 Não deveríamos esperar uma glória muito maior nestes dias quando o Espírito Santo está concedendo vida?
  • 9 Se o plano que trouxe condenação era glorioso, muito mais glorioso ainda é o plano que justifica os homens perante Deus.
  • 10 De fato, aquela primeira glória, tal como foi mostrada no rosto de Moisés, não vale nada em comparação com a glória deslumbrante da nova aliança.
  • 11 Portanto, se o velho sistema, que se desvaneceu até acabar, era cheio de glória celestial, a glória do novo plano de Deus para a nossa salvação sem dúvida nenhuma é muito maior, pois é eterna.
  • 12 E, porque temos essa esperança, agimos com grande confiança.
  • 13 Não como Moisés fez, quando colocou um véu sobre o rosto para que os israelitas não pudessem ver a glória desvanecer-se.
  • 14 Não só o rosto de Moisés estava coberto com o véu, mas a mente e o entendimento do seu povo também estavam vendados e obscurecidos. Ainda agora, quando a antiga aliança é lida, os corações e as mentes dos judeus estão cobertos com um grosso véu, porque eles não podem ver nem entender o sentido verdadeiro da antiga aliança. Porque este véu só pode ser removido por meio de Cristo.
  • 15 Até o dia de hoje, quando eles leem os escritos de Moisés, um véu cobre os seus corações.
  • 16 Mas sempre que alguém se volta de seus pecados para o Senhor, o véu é retirado.
  • 17 O Senhor é o Espírito que lhes concede a vida, e onde está o Espírito, aí há liberdade.
  • 18 E todos nós, no entanto, não temos um véu sobre nosso rosto e podemos ser espelhos que refletem claramente a glória do Senhor. À medida que o Espírito do Senhor trabalha dentro de nós, somos transformados com glória cada vez maior, e tornamo-nos mais e mais semelhantes a ele.

Versículos 1-11: A preferência do Evangelho em relação à lei dada por Moisés; 12-18: A pregação do apóstolo era adequada à excelência e evidência do Evangelho por meio do poder do Espírito Santo.

Vv. 1-11. Até a aparência de elogiar-se a si mesmo e de buscar o aplauso humano traz resultados dolorosos para a mente espiritual e humilde. Nada é mais excelente para os ministros fiéis, ou mais digno de elogio para eles, que o êxito de seu ministério demonstrado no espírito e nas vidas daqueles entre quem trabalha. A lei de Cristo foi escrita em seus corações, e o amor de Cristo foi derramado neles amplamente. Não foi escrita em tábuas de pedras, como a lei de Deus dada a Moisés, mas sobre as tábuas de carne do coração - não carnais, porque a carnalidade denota sensualidade (Ez 36.26). Os seus corações foram humilhados e abrandados para receber esta impressão pelo poder regenerador do Espírito Santo. Atribui toda a glória a Deus. Lembre-se de que toda a nossa dependência é do Senhor, e toda a glória pertence somente a Ele. A letra mata: a letra da lei é a ministração da morte, e se nos apoiamos somente na letra do Evangelho não seremos melhores por agir assim; porém, o Espírito Santo dá vida espiritual e eterna. A dispensação do Antigo Testamento era a ministração de morte, porém, a do Novo Testamento, de vida. A lei deu a conhecer o pecado, a ira e a maldição de Deus; nos mostra Deus sobre nós, e um Deus contra nós; porém, o Evangelho deu a conhecer a graça e ao Emanuel de Deus por nós. NEle a justiça de Deus é revelada por fé; e isto nos mostra que o justo viverá pela fé. Isto mostra a graça e a misericórdia de Deus por meio de Jesus Cristo para se obter o perdão dos pecados e a vida eterna. O Evangelho excede tanto a lei em glória, que eclipsa a glória da dispensação da lei. Porém, até o Novo Testamento será uma letra que mata se for mostrado somente como um sistema ou forma, e sem a dependência do Espírito Santo para dar poder vivificador.

Vv. 12-18. É dever dos ministros do Evangelho usar grande simplicidade ou clareza para falar. Os crentes do Antigo Testamento tiveram somente visões nebulosas e passageiras do glorioso Salvador, e os incrédulos não viram nada além da instituição externa. Porém, os grandes preceitos do Evangelho: crer, amar e obedecer, são verdades estipuladas tão claramente quanto possível. Toda a doutrina de Cristo crucificado é exposta de maneira tão simples quanto a linguagem humana possa fazê-lo. Os que viveram sob a lei tinham um véu sobre os seus corações. Este véu foi tirado pelas doutrinas da Bíblia acerca de Cristo. Quando uma pessoa se converte a Deus, então o véu da ignorância é tirado. A condição daqueles que desfrutam e crêem no Evangelho é feliz, porque o coração é colocado em liberdade para correr pelos caminhos dos mandamentos de Deus. Eles têm luz, e com o rosto descoberto contemplam a glória do Senhor. Os cristãos devem apreciar e realçar estes privilégios. Não devemos descansar sem conhecer o poder transformador do Evangelho, pela obra do Espírito, que nos leva a procurar ser como o caráter e a tendência do glorioso Evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, e a união com Ele. Contemplemos a Cristo como no cristal de sua Palavra; e como o reflexo de um espelho que faz com que o rosto brilhe, assim também brilham os rostos dos cristãos.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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