• 1 Foi assim que Cristo nos libertou. Agora, cuidem de permanecer livres e não fiquem novamente presos pelas cadeias da escravidão.
  • 2 Escutem bem o que eu, Paulo, digo a vocês: Se vocês estão contando com a circuncisão e a guarda das leis judaicas para fazê-los justos diante de Deus, então Cristo não pode salvá-los.
  • 3 E vou repetir: Qualquer um que se deixa circuncidar precisa obedecer a toda a Lei.
  • 4 Cristo é inútil para vocês se estão achando que podem saldar a sua dívida para com Deus pela guarda daquela Lei; vocês se privaram da graça de Deus.
  • 5 Mas nós, pela ajuda do Espírito, estamos aguardando pela fé a justiça que é a nossa esperança.
  • 6 Porque os que estão em Jesus Cristo não precisam se preocupar em serem circuncidados ou não, porque a circuncisão não tem efeito algum, pois tudo quanto precisamos é a fé operando pelo amor.
  • 7 Vocês estavam indo tão bem. Que foi que aconteceu com vocês para impedi-los de seguir a verdade?
  • 8 Certamente que não foi Deus.
  • 9 “Basta um pouco de fermento para levedar toda a massa”.
  • 10 Estou confiando no Senhor para fazê-los voltar a crer como eu a respeito dessas coisas. Deus se encarregará daquela pessoa, seja quem for, que vem perturbando e confundindo vocês.
  • 11 Irmãos, eu não prego que a circuncisão e as leis judaicas são necessárias ao plano da salvação. Se eu pregasse tal coisa, não seria mais perseguido — pois essa mensagem não desagrada a ninguém. O fato de ainda estar sendo perseguido prova que eu continuo pregando o escândalo da cruz.
  • 12 Quanto a esses mestres que perturbam vocês, eu gostaria que eles mesmos se mutilassem!
  • 13 Porque vocês, caros irmãos, receberam a liberdade: não a liberdade para dar lugar à vontade da carne, mas a liberdade para amarem e servirem uns aos outros.
  • 14 Pois toda a Lei pode ser resumida neste único mandamento: “Ame o seu próximo como a si mesmo”.
  • 15 Mas se, em lugar de mostrarem amor entre si, vocês estão sempre se mordendo e se devorando, cuidado para não se destruírem mutuamente.
  • 16 Eu os aconselho a obedecerem somente às instruções do Espírito Santo. Ele lhes dirá aonde ir e o que fazer, e assim vocês não estarão sempre satisfazendo os desejos da natureza pecaminosa.
  • 17 Porque nós por natureza gostamos de fazer as coisas ruins que são justamente o oposto das coisas que o Espírito nos manda fazer; e as coisas boas que desejamos fazer quando o Espírito nos domina são justamente o oposto dos nossos desejos naturais. Estas duas forças dentro de nós estão lutando constantemente uma contra a outra, a fim de ganharem o domínio sobre nós, e os nossos desejos nunca estão livres de suas pressões.
  • 18 Se vocês são guiados pelo Espírito Santo, não estão mais debaixo da Lei.
  • 19 Ora, as obras da natureza humana produzirão os seguintes resultados: imoralidade sexual; impureza e libertinagem;
  • 20 idolatria e feitiçaria; ódio e discórdia; ciúme e ira; esforço constante para conseguir o melhor para si próprio; queixas e críticas; dissensões, facções,
  • 21 inveja, embriaguez, orgias e toda essa espécie de coisas. Vou dizer-lhes novamente, como já o fiz antes, que todo aquele que levar esse tipo de vida não herdará o reino de Deus.
  • 22 Mas, quando o Espírito Santo controlar as nossas vidas, ele produzirá em nós esta espécie de fruto: amor, alegria, paz, paciência, retidão, bondade, fidelidade,
  • 23 mansidão e domínio próprio; e aqui não há conflito algum com as leis judaicas.
  • 24 Aqueles que pertencem a Cristo Jesus crucificaram seus maus desejos e paixões.
  • 25 Se agora estamos vivendo pelo poder do Espírito Santo, sigamos a liderança do Espírito Santo em todos os aspectos da nossa vida.
  • 26 Então não precisaremos mais andar em busca de honras e de popularidade, que levam à inveja e aos maus sentimentos.

Versículos 1-12: Uma fervorosa exortação a estarem firmes na liberdade do Evangelho; 13l5: Uma fervorosa exortação a terem o cuidado de não consentirem com um temperamento pecador; 16-26. Urna fervorosa exortação a caminharem no Espírito, e não darem lugar às luxúrias da carne: as obras de ambos são descritas.

Vv. 1-6. Cristo não será o Salvador de alguém que não o receba e confie nEle como o seu único Salvador. Demos ouvidos às advertências e às exortações do apóstolo, a estarmos firmes na doutrina e na liberdade do Evangelho. Todos os verdadeiros cristãos, que são ensinados pelo Espírito Santo, esperam pela vida eterna, pela recompensa da justiça, e pelo objeto de sua esperança, como dádiva de Deus por meio de sua fé em Jesus Cristo, e não por amor às suas próprias obras. O judeu convertido pode observar as cerimónias ou afirmar a sua liberdade; o gentio pode desprezá-las ou tomar parte nelas, sempre e quando não dependa destas. Nenhum privilégio ou profissão exterior de fé, servirão para que sejam aceitos por Deus, sem que tenham a fé sincera em nosso Senhor Jesus Cristo. A verdadeira fé é uma graça que age, trabalha por amor a Deus e aos nossos irmãos. Que estejamos entre aqueles que, pelo Espírito Santo, aguardam a esperança da justiça pela fé. O perigo anterior não estava em coisas sem importância em si mesmas, como agora o são em muitas formas e observâncias. Porém, sem a fé que trabalha por meio do amor, tudo mais carece de valor, e comparado a isto, todas as demais coisas são de escasso valor.

Vv. 7-12. A vida do cristão é uma carreira na qual ele deve correr e manter-se, se desejar alcançar o prêmio. Não basta que professemos o cristianismo; devemos correr bem, vivendo conforme esta confissão. Muitos que começam bem na religião são prejudicados em seu avanço ou desviam-se pelo caminho. Aqueles que começaram a desviar-se do caminho e a mostrarem-se cansados, deveriam perguntar a si mesmos, de modo sério, o que é que lhes está atrapalhando. A opinião ou a persuasão (v. 8) era sem dúvida a de mesclar as obras da lei com a fé em Cristo quanto à justificação. O apóstolo deixa que eles mesmos julguem de onde surgiu o problema, e mostra o suficiente para indicar que esta situação deve-se a Satanás, e a mais ninguém. Para as igrejas cristãs, é perigoso dar ânimo àqueles que seguem a erros destruidores, e especialmente àqueles que os difundem. Ao repreender o pecado e o erro, devemos sempre distinguir entre os líderes e os liderados. Os judeus se ofendiam por ser pregado que Cristo é a única salvação para os pecadores. se Paulo e os demais tivessem aceito que a observância da lei de Moisés deveria unir-se à fé em Cristo, como necessária para a salvação, então os crentes poderiam evitar muitos dos sofrimentos que tiveram. Deve-se resistir aos primeiros indícios deste fermento. Certamente aqueles que persistem em perturbar a Igreja de Cristo, devem suportar o seu juízo.

Vv. 13-15. O Evangelho é uma doutrina que está de acordo com a piedade (1 Tm 6.3), e está longe de consentir com o menor pecado que seja, e vem nos submeter à obrigação mais forte de evitá-lo e vencê-lo. O apóstolo insiste em que toda a lei se cumpre em uma só palavra: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. se os cristãos, que devem ajudar-se uns aos outros e regozijarem-se uns nos outros, brigam entre si, o que se pode esperar senão que o Deus de amor negue a sua graça, e que o Espírito de amor se retire, e prevaleça o espírito maligno que procura destruí-los? Bom seria que os crentes se posicionassem contra o pecado em si mesmos e nos lugares aonde vivem, ao invés de morderem-se e devorarem-se uns aos outros, sob o pretexto de terem diferentes opiniões.

Vv. 16-26. Se fôssemos cuidadosos para agir sob a direção e poder do bendito Espírito Santo, mesmo que não fôssemos libertos dos estímulos e da oposição da natureza corrupta que procura permanecer em nós, esta não nos dominaria. Os crentes estão envolvidos em um conflito, onde desejam esta graça capaz de alcançar a vitória plena e rápida. Aqueles que desejam entregar-se à direção do Espírito Santo, não estão sob a lei como pacto de obras, nem expostos à sua espantosa maldição. O ódio que possuem contra o pecado e a sua busca pela santidade mostram que possuem uma parte na salvação que é trazida pelo Evangelho. As obras da carne são muitas, e são manifestas. Estes pecados excluíram os homens do céu. Porém, quantas pessoas que se dizem cristãs vivem desta maneira, e declaram que estão à espera do céu! Os frutos do Espírito, ou da natureza renovada que devemos ter, são enumerados. Assim, o apóstolo os nomeia, bem como as obras da carne, que são daninhas não somente para os próprios homens, mas tendem a tomá-los mutuamente nocivos. Deste modo o apóstolo observa aqui o fruto do Espírito, que tende a tornar os cristãos mutuamente agradáveis e felizes. O fruto do Espírito mostra a evidência de que eles são dirigidos pelo Espírito. A descrição das obras da carne e do fruto do Espírito nos diz o que devemos evitar e resistir, e o que devemos desejar e cultivar; este é o anelo e a obra sincera de todos os verdadeiros cristãos. O pecado já não reina agora em seus corpos mortais, de modo que o obedeçam (Rm 6.12), pois eles procuram destruí-lo. O Senhor Jesus Cristo jamais reconhecerá aqueles que se rendem para serem servos do pecado. E não basta que cessemos de fazer o mal, mas devemos aprender a fazer o bem. A nossa conversação deverá estar de acordo com o princípio que nos dirige e nos governa (Rm 8.5). Devemos mortificar as obras da carne, e a caminhar na nova vida sem desejar a -vanglória, nem de modo indevido a estima e o aplauso dos homens; não provoquemo-nos nem invejemo-nos mutuamente, mas buscando dar estes bons frutos com maior abundância, que são, por meio de Jesus Cristo, para o louvor e a glória de Deus.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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