• 1 “Estou cansado de viver. Vou me desabafar e falar da amargura que tenho no coração.
  • 2 Ó Deus, não me condenes! Dize-me de que me acusas!
  • 3 Tu mesmo me criaste. Como, então, podes ter prazer em me maltratar e desprezar e em aprovar os planos dos maus?
  • 4 Por acaso, tens olhos, como nós? Será que vês as coisas como nós vemos?
  • 5 Por acaso, a tua vida é tão curta como a nossa? Será que vives tão pouco quanto os seres humanos?
  • 6 Então por que procuras saber de todos os meus pecados? Por que te informas das maldades que cometi?
  • 7 Pois sabes que não sou culpado e que ninguém pode me salvar das tuas mãos.
  • 8 “As tuas mãos me fizeram, me deram forma e agora essas mesmas mãos me destroem.
  • 9 Lembra que me fizeste de barro; vais me fazer virar pó outra vez?
  • 10 Tu fizeste com que o meu pai e a minha mãe me gerassem, que me dessem a vida.
  • 11 Formaste o meu corpo de ossos e nervos e os cobriste com carne e pele.
  • 12 Tu me deste vida e me deste amor, e os teus cuidados me conservam vivo.
  • 13 Mas agora sei que no teu coração tinhas este plano secreto:
  • 14 tu querias ver se eu ia pecar para depois me negares o teu perdão.
  • 15 Se sou culpado, estou perdido; se sou inocente, não tenho coragem para levantar a cabeça, pois fico envergonhado quando olho para a minha desgraça.
  • 16 Se levanto a cabeça, orgulhoso da minha inocência, tu, como um leão, me persegues; e até fazes milagres para me destruir.
  • 17 Tu sempre tens testemunhas que me acusam; a tua ira contra mim vai aumentando, e tu me atacas sem parar, como se fosses um exército.
  • 18 “Ó Deus, por que me deixaste nascer? Eu deveria ter morrido antes mesmo que alguém me visse.
  • 19 Eu teria ido do ventre da minha mãe para a sepultura, teria sido como se nunca tivesse existido.
  • 20 A minha vida está chegando ao fim. Então me deixa em paz! Deixa que eu tenha um pouco de alegria
  • 21 antes que me vá na viagem que não tem volta, antes que vá para o país da escuridão e das trevas,
  • 22 para o país das sombras e da desordem, onde a própria luz é como a escuridão.”

Versículos 1-7: Jó queixa-se de suas dificuldades; 8-13; Jó apela fervorosamente a Deus como seu Criador. 14-21: Ele se queixa da severidade de Deus.

Vv. 1-7. Por estar cansado da vida, Jó resolve queixar-se; porém, não acusa a Deus de injustiça. Aqui ele ora e pede que seja livre do aguilhão de suas aflições, que é o pecado. Deus contende conosco quando permite que sejamos afligidos, e quando isto acontece sempre há uma razão; é desejável que a conheçamos para nos arrependermos e abandonarmos o pecado pelo qual Deus contende conosco. Quando falamos como Jó, com amargura em nossa alma, aumentamos a culpa e o sofrimento. Não abriguemos maus pensamentos contra Deus: e daí por diante veremos que não existe causa para eles. Jó está certo de que Deus não expõe publicamente as coisas nem as julga como fazem os homens; portanto, pensa ser estranho que Deus o aflija, como se utilizasse o tempo para inquirir o seu pecado.

Vv. 8-13. Jó parece discutir com Deus como se Ele somente o tivesse formado e preservado para a desgraça. Estes corpos podem ser instrumentos de injustiça, mas também são capazes de ser templos do Espírito Santo! A alma é a vida, o homem será conforme a sua alma, e esta é uma dádiva de Deus. se argumentamos conosco como indução ao dever, "Deus me fez e me sustenta", poderíamos argumentar em prol da misericórdia: "Tu me fizeste, faz-me de novo; eu sou teu, salva-me".

Vv. 14-22. Jó não nega que, como pecador, merece seus sofrimentos; só pensa que a justiça para ele é executada com rigor peculiar. seu desalento, incredulidade e maus pensamentos acerca de Deus podem ser atribuídos a tentações internas por parte de Satanás, e à angustia de sua alma, submetida à sensação do desagrado de Deus, às suas provas externas, e aos vestígios de depravação. Nosso Criador, feito também nosso Redentor em Cristo, não destruirá a obra de suas mãos em nenhum crente humilde, mas o renova para a santidade, a fim de que possa desfrutar a vida eterna. se a angustia na terra faz com que a sepultura seja um refúgio desejável, qual será o estado dos que estão condenados à escuridão das trevas para sempre? Que todo pecador busque a libertação deste estado espantoso, e cada crente agradeça a Jesus por tê-lo livrado da ira vindoura.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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