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1
“Todos somos fracos desde o nascimento; a nossa vida é curta e muito agitada.
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2
O ser humano é como a flor que se abre e logo murcha; como uma sombra ele passa e desaparece.
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3
Nada somos; então por que nos dás atenção? E quem sou eu para que me leves ao tribunal?
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4
O ser humano, que é impuro, nunca produz nada que seja puro.
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5
Tu já marcaste quantos meses e dias cada um vai viver; isso está resolvido, e ninguém pode mudar.
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6
Para de olhar para nós e deixa-nos em paz, até que o nosso dia chegue ao fim, como chega ao fim o dia de um trabalhador.
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7
“Para uma árvore há esperança; se for cortada, brota de novo e torna a viver.
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8
Mesmo que as suas raízes envelheçam, e o seu toco morra na terra,
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9
basta um pouco de água, e ela brota, soltando galhos como uma planta nova.
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10
Mas, quando alguém morre, está acabado; depois de entregar a alma, para onde vai?
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11
“Como lagoas que secam, como rios que deixam de correr,
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12
assim, enquanto o céu existir, todos vamos morrer. Vamos dormir o sono da morte, para nunca mais levantar.
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13
“Ah! Se tu me pusesses no mundo dos mortos e ali me escondesses até que a tua ira passasse e então marcasses um prazo para lembrares de mim!
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14
Mas será que alguém tornará a viver depois de ter morrido? Eu, porém, esperarei por melhores tempos, até que as minhas lutas acabem.
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15
Então me chamarás, e eu responderei; e tu ficarás contente comigo, pois me criaste.
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16
Cuidarás para que eu não erre, em vez de ficares espiando para me veres pecar.
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17
Esquecerás os meus pecados e apagarás os meus erros.
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18
“Mas assim como as montanhas vão se desmoronando, e as rochas saem dos seus lugares;
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19
e assim como as águas escavam as pedras, e as correntezas levam a terra, assim tu acabas com a esperança do ser humano.
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20
Tu o derrotas, ele se vai para sempre, e mudas a sua aparência quando o despedes deste mundo.
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21
Se os seus filhos recebem homenagens, ele não fica sabendo e, se caem na desgraça, ele não tem notícia.
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22
Ele sente apenas as dores do seu próprio corpo e a agonia do seu espírito.”
Recurso de Estudo
Versículos 1-6. Jó fala da vida do homem; 7-15: Da morte do homem; 16-22: Por causa do pecado, o homem está sujeito à corrupção.
Vv. 1-6. Jó desabafa sobre a condição do homem, e dirige-se também a Deus. Todos nós, descendentes de Adão, temos a vida curta. Toda a sua exibição de beleza, felicidade e esplendor cai diante do golpe da enfermidade ou da morte, como a flor diante do machado; ou se desvanece como a sombra. Como é possível que a conduta de um homem seja sem pecado, quando o seu coração é, por natureza, inclinado a transgredir? Eis aqui uma prova clara de que Jó entendia e cria nesta inclinação ao pecado, e além de expor isto como defesa, pede que o Senhor não o trate conforme as suas próprias obras, mas de acordo com a sua misericórdia e graça. No conselho e decreto de Deus está determinado quanto tempo viveremos. Nossa existência está em suas mãos, as forças da natureza atuam submetidas a Ele; nEle vivemos e nos movemos. É muito útil refletir seriamente sobre a brevidade e a incerteza da vida humana, e na natureza perecível de todos os prazeres terrenos. Porém, ainda mais importante é considerar a causa e o remédio de todos estes males. Até que nasçamos do Espírito, nada espiritualmente bom habita em nós, nem pode proceder de nós. Até os poucos bens dos regenerados podem estar contaminados com o pecado. Portanto, devemos nos humilhar diante de Deus e colocarmo-nos totalmente a mercê do Senhor, através de nossa segurança divina. Devemos procurar diariamente a renovação do Espírito Santo, e olhar para o céu como o único lugar de perfeita santidade e felicidade.
Vv. 7-15. Ainda que se corte uma árvore em um lugar úmido, não obstante haverá renovos que brotarão e crescerão como árvore recémplantada. Porém, quando o homem é cortado pela morte, é tirado para sempre de seu lugar neste mundo. A vida do homem pode apropriadamente ser comparada com as águas de uma inundação da terra, que chegam longe; porém, rapidamente se secam. Todas as expressões de Jó nesta passagem mostram sua crença na gloriosa doutrina da ressurreição. Por terem seus amigos se tornado maus consoladores, Jó se contenta com a expectativa da mudança. se nossos pecados são perdoados e nossos corações renovados para a santidade, o céu será o repouso de nossas almas, enquanto nossos corpos estiverem na sepultura a salvo da maldade de nossos inimigos, sem sentir mais a dor de nossas corrupções ou correções.
Vv. 16-22. A fé e a esperança de Jó falaram, e a graça pareceu reviver; porém, a depravação voltou a prevalecer. Ele apresenta Deus como quem aumenta o castigo contra ele. Deus pode enviar enfermidades e dor, podemos perder todas as consolações dos que estão próximos a nós, e daqueles a quem amamos, e toda a esperança de felicidade terrena pode ser destruída; porém, Deus receberá ao crente no âmbito da felicidade eterna. No entanto, que mudança espera o incrédulo próspero? O que responderá quando Deus o chamar ao seu tribunal? O Senhor ainda está no trono da graça, disposto a mostrar a sua bondade. Oh! Que os pecadores sejam sábios, e considerem o seu fim definitivo! O homem terá dores enquanto estiver na carne, isto é, o corpo que se nega a submeter-se; lamentará enquanto a sua alma estiver dentro de si, isto é, a alma e o espírito aos quais não quer renunciar. O trabalho de morrer é uma tarefa árdua; as dores da morte ài vezes são terríveis. Uma atitude néscia é que o homem postergue o arrependimento até a ocasião em que esteja no leito de sua morte, e seja obrigado a tomar a única atitude que é realmente necessária, na ocasião em que estiver impedido de fazer qualquer outra coisa.
Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público