• 1 Então Elifaz, da região de Temã, em resposta disse:
  • 2 “Jó, um sábio não responde com palavras ocas, não fica inchado com opiniões que não valem nada.
  • 3 Um sábio não falaria palavras inúteis, nem se defenderia com argumentos sem valor.
  • 4 Mas você quer acabar com o sentimento religioso; se dependesse de você, ninguém oraria a Deus.
  • 5 Você fala assim por causa do seu pecado e procura enganar os outros com as suas palavras.
  • 6 Eu não preciso acusá-lo, pois as suas próprias palavras o condenam.
  • 7 “Você está pensando que é o primeiro ser humano que nasceu? Por acaso, você veio ao mundo antes das montanhas?
  • 8 Será que você conhece os planos secretos de Deus? Será que só você é sábio?
  • 9 Será que você sabe o que nós não sabemos ou compreende as coisas melhor do que nós?
  • 10 O que sabemos nós aprendemos com pessoas idosas, que nasceram antes do seu pai.
  • 11 “Por que você não quer aceitar o consolo que Deus lhe oferece? Em nome dele nós falamos delicadamente com você.
  • 12 Por que você se deixa levar pelo seu coração? Por que esses olhares de ódio?
  • 13 Por que essa revolta, essa ira contra Deus? Por que você se queixa assim?
  • 14 “Será que alguém pode ser puro? Poderá alguma pessoa ser correta diante de Deus?
  • 15 Se Deus não confia nos anjos, e se nem o céu é puro aos seus olhos,
  • 16 que diremos do ser humano, imundo e nojento, que bebe o pecado como se fosse água?
  • 17 “Escute, Jó, que eu vou explicar; vou contar aquilo que tenho visto.
  • 18 Os sábios ensinam verdades que aprenderam com os seus pais,
  • 19 e estes moravam numa terra que não recebeu a influência de estrangeiros.
  • 20 “Aquele que é mau, que persegue os outros, sofre atormentado a vida inteira.
  • 21 Vozes de terror enchem os seus ouvidos, e, quando pensa que está seguro, os bandidos o atacam.
  • 22 Ele não tem esperança de escapar da escuridão da morte, pois um punhal está pronto para matá-lo.
  • 23 Os urubus estão esperando para devorar o seu corpo; ele sabe que o dia da escuridão está perto.
  • 24 Ele será dominado pela angústia e pela aflição, como acontece quando um rei espera o ataque dos inimigos.
  • 25 Tudo isso acontece porque ele levanta a mão contra Deus e desafia o Todo-Poderoso.
  • 26 Ele é rebelde e, protegido por um pesado escudo, se joga contra Deus.
  • 27 O seu olhar é orgulhoso, e o seu coração é egoísta.
  • 28 “Esse homem mau conquistou cidades e ficou com as casas abandonadas pelos moradores, mas essas cidades e casas virarão um monte de ruínas.
  • 29 Ele não ficará rico por muito tempo e perderá tudo o que tem. Até a sua sombra vai desaparecer da terra.
  • 30 O homem mau não escapará da escuridão. Ele será como uma árvore cujos galhos foram queimados e cujas flores foram levadas pelo vento.
  • 31 Como não tem juízo e confia na mentira, a própria mentira será a sua recompensa.
  • 32 Ele secará antes da hora, como um galho que seca e nunca mais fica verde.
  • 33 Ele será como uma parreira que perde as uvas ainda verdes, como uma oliveira que deixa cair as suas flores.
  • 34 Os maus não terão descendentes, e o fogo destruirá as casas dos desonestos.
  • 35 Eles planejam a maldade, fazem o que é errado e só pensam em enganar os outros.”

Versículos 1-16. Elifaz repreende a Jó; 17-35: A inquietude dos homens ímpios.

Vv. 1-16. Elifaz inicia um segundo ataque a Jó, em lugar de abrandar-se com suas queixas. Ele acusa injustamente o amigo de abandonar o temor de Deus e toda a consideração para com Ele: e de reprimir a oração. Observe no que se resume a religião: temer a Deus e orar a Ele; o primeiro é o princípio mais necessário; e o ultimo, o costume mais necessário. Elifaz acusa Jó de enganar-se a si mesmo. Acusa-o de desprezar os conselhos e consolos dados por seus amigos. somos propensos a pensar que o que dizemos é o mais importante, quando todos os demais às vezes o consideram como algo de pouca importância com toda a razão, Ele o acusa de opor-se a Deus. Elifaz não deveria ter interpretado duramente as palavras de alguém bem conhecido como piedoso, e que agora se encontrava em tentação. Claro que estes causadores de polêmicas estavam profundamente convencidos da doutrina errônea do pecado original, e da depravação total da natureza humana. Não devemos admirar a paciência de Deus para nos suportar? E ainda mais seu amor por nós através da redenção de Cristo Jesus, seu Amado Filho?

Vv. 17-35. Elifaz sustenta que os maus certamente são desgraçados, e infere-se que os desgraçados são certamente maus; portanto, Jó o era. Porém, devido ao fato de que muitos dentre o povo de Deus têm prosperado neste mundo, não significa que aqueles iracundos e empobrecidos, como Jó, não sejam povo de Deus. Elifaz também destaca que os homens maus, particularmente os opressores, estão sujeitos ao terror contínuo, vivem desconfortavelmente e perecem miseráveis. A prosperidade dos pecadores presunçosos terminará miseravelmente, como aqui é descrito? Então, que as calamidades que recaem sobre os demais sejam advertências para nós. Ainda que no presente nenhuma disciplina pareça ser motivo de gozo, mas penosa, posteriormente produzirá os frutos aprazíveis da justiça nos exercitados por ela. Nenhuma calamidade ou transtorno, por mais duro e severo que seja, pode tirar o favor do Senhor de algum de seus seguidores. O que nos separará do amor de Cristo?

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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