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Eliú disse mais:
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“Vocês que são sábios e instruídos, escutem o que vou dizer.
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3
Assim como os ouvidos julgam o valor das palavras, e o paladar prova os alimentos,
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assim nós agora vamos examinar o caso e resolvê-lo do jeito que nos parecer melhor.
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5
“Jó está dizendo que é inocente e que Deus não quer lhe fazer justiça.
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6
E pergunta: ‘Como é que eu poderia mentir, dizendo que estou errado? Sofro de uma doença que não tem cura, embora não tenha cometido nenhum pecado.’
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“Neste mundo não há ninguém como Jó, para quem é tão fácil zombar de Deus como beber um copo de água.
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8
Ele anda com homens maus e se ajunta com gente que não presta.
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9
E diz assim: ‘Não adianta nada procurar agradar a Deus.’
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10
“Agora, vocês que têm juízo, me escutem. Será que Deus faria alguma coisa errada? Será que o Todo-Poderoso cometeria uma injustiça?
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11
Ele nos paga de acordo com o que fazemos e dá a cada um o que merece.
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12
Na verdade, o Deus Todo-Poderoso não faz o mal e não é injusto com ninguém.
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13
Quem entregou o poder a Deus? Quem o fez governador do Universo?
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14
Se Deus quisesse, poderia fazer voltar para si o fôlego, a respiração da gente;
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então todas as pessoas morreriam juntas, no mesmo instante, e voltariam de novo para o pó.
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16
“Agora, Jó, se você é sábio, escute e preste atenção no que vou dizer.
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17
Se Deus odiasse a justiça, não poderia governar o mundo. Será que você quer condenar aquele que é justo e poderoso?
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18
Deus condena os reis e as autoridades quando são maus, quando não prestam.
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19
Ele não mostra preferência pelas pessoas que estão no poder, nem favorece os ricos em prejuízo dos pobres, pois todos foram criados por ele.
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20
A morte pode vir de repente, no meio da noite. A pessoa tem um ataque e morre. Deus não precisa de ajuda para matar os poderosos.
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21
Pois ele sabe tudo o que fazemos e vê todos os passos que damos.
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22
Não existe nenhum lugar, por mais escuro que seja, onde um pecador possa se esconder de Deus.
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23
Deus não precisa marcar um dia para que uma pessoa se apresente a fim de ser julgada por ele.
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24
Ele não necessita de examinar a vida dos poderosos para acabar com eles e dar a outros o seu lugar.
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25
Pois Deus conhece o que eles fazem; de noite ele os derruba e esmaga.
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26
Em público, na frente de todos, Deus os castiga como se fossem criminosos
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porque eles se afastaram dele e não quiseram obedecer a nenhum dos seus mandamentos.
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28
Eles fizeram com que os gritos dos pobres e explorados subissem até Deus, e ele os escutou.
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29
“Mas, se Deus se calar, ninguém poderá condená-lo. Se ele esconder o rosto, as pessoas e as nações ficarão sem defesa
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e nada poderão fazer para evitar que homens maus as governem e explorem.
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31
“Jó, será que você já reconheceu diante de Deus que você sofreu por causa dos seus pecados e que prometeu que não vai pecar mais?
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Será que você pediu a Deus que lhe mostrasse as suas faltas e resolveu parar de praticar o mal?
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33
Se você não aceita o que Deus faz, como espera que ele faça o que você quer? Você é quem precisa responder, e não eu; diga-nos o que está pensando.
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34
“As pessoas sábias e sensatas que me estão escutando certamente dirão assim:
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‘Jó não sabe o que está falando; o que ele diz não faz sentido.
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É só examinar bem as suas palavras, e a gente vê que ele responde como um perverso.
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37
Jó é pecador, um pecador rebelde. Na nossa presença, zomba de Deus e não para de falar contra ele.’ ”
Recurso de Estudo
Versículos 1-9: Eliú acusa a Jó por este culpar Deus de ser injusto; 10-15: Deus não pode ser injusto; 16- 30: O poder e a providência de Deus; 31-37: Eliú repreende Jó.
Vv. 1-9. Eliú pede aos presentes que decidam com ele sobre as palavras de Jó. O cristão mais sensível, cuja mente esteja iluminada, o coração santificado pelo Espírito de Deus e seja versado nas Escrituras, poderá dizer até que ponto concorda com a fé verdadeira nos assuntos, palavras ou ações, melhor que qualquer um que se apóie em seu próprio entendimento. Jó falara como se quisesse se justificar totalmente. O que diz: "Eu tenho limpado as minhas mãos em vão", não ofende somente aos filhos de Deus (sl 73.13-15), mas também gratifica os seus inimigos e fala como eles.
Vv. 10-15. Eliú mostrara a Jó que Deus não tinha intenções de causar-lhe dano ao afligi-lo; mas que procurava o seu beneficio espiritual. se anteriormente ele não ficara satisfeito, agora isto deveria calá-lo. Deus não pode fazer mal, nem o Todo-poderoso pode cometer erros. se as obras ficam sem recompensa no momento, e os pecados ficam igualmente sem castigo, contudo, há um dia vindouro no qual Deus tratará os homens conforme as suas obras. Além do mais, ainda que a condenação final seja anulada através do resgate feito pelo Salvador, de todo modo merece coisas piores que as aflições externas; assim, não lhe foi feito mal algum, por mais que tenha sido provado.
Vv. 16-30. Eliú apela diretamente a Jó. Poderia ele supor que Deus era como estes príncipes terrenos, que odeiam o que é bom, inaptos para reinar e algozes da humanidade? Uma presunção atrevida é condenar os procedimentos de Deus, como fez Jó através de seu desgosto. Eliú sugere várias considerações a Jó para produzir nele pensamentos elevados a respeito de Deus, e assim persuadi-lo a submeter-se. Jó desejara por várias vezes defender a sua causa diante de Deus, e Eliú pergunta com que propósito. Tudo o que Deus faz é bom, o que será confirmado pelos homens. O que pode inquietar aqueles cujas almas habitam tranquilas em Deus? Os sorrisos do mundo todo não podem trazer paz àqueles contra os quais Deus se ira.
Vv. 31-37. Quando repreendemos alguém pelo que está mal, devemos nos orientar pelo que é bom. Os amigos de Jó preferiram que este reconhecesse a sua própria maldade. Eliú somente o obrigava a reconhecer que usara os seus lábios imprudentemente. Não pioremos mais as coisas através de reprovações. Eliú leva Jó a humilhar-se diante de Deus por seus pecados, e a aceitar o castigo. Também o leva a orar a Deus, para que lhe mostre os seus erros. O homem bom está disposto a reconhecer o pior de si mesmo; particularmente, quando se submete a aflições, deseja que se lhe mostre porque Deus contende com ele. Não basta lamentar-se pelos pecados, mas deve parar de pecar. E, se somos filhos afetuosos, teremos prazer em falar com o nosso Pai e dizer-lhe tudo o que pensamos. Eliú argumenta com Jó acerca de seu descontentamento, por causa de sua aflição. Estamos sempre prontos para pensar que tudo o que nos concerne deve ser justo, como queremos; porém, não é racional esperar isto. Eliú pergunta se as palavras de Jó foram ou não néscias e pecaminosas. Deus é justo em todos os seus caminhos e santo em todas as suas obras (Sl 145.17). O crente deve dizer: "Que meu Salvador, meu sábio e amoroso Senhor, escolha tudo por mim. Tenho a segurança de que será o mais sábio e o melhor para a sua glória e para o meu bem".
Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público