-
1
Em seguida Eliú disse:
-
2
“Jó, você não tem o direito de dizer que para Deus você é inocente
-
3
e também não pode perguntar assim: ‘Ó Deus, será que te sentes mal com o meu pecado? E que vantagem tenho se não pecar?’
-
4
Pois eu vou responder a você e também aos seus amigos.
-
5
“Olhe para o céu e veja como as nuvens estão muito acima de você.
-
6
Se você peca, isso não atinge a Deus lá no alto; as suas faltas, por muitas que sejam, não vão prejudicar a Deus.
-
7
Se você faz o bem, não está ajudando a Deus; ele não precisa de nada que é seu.
-
8
São os outros que sofrem por causa dos pecados que você comete; e também são eles que são ajudados quando você pratica o bem.
-
9
“Os homens, quando são perseguidos por todos os lados, gemem e gritam, pedindo que alguém os livre das mãos dos poderosos;
-
10
porém não voltam para Deus, o seu Criador, que dá forças nas horas mais escuras.
-
11
Eles não voltam para Deus, que os torna sábios, mais sábios do que as aves e os animais.
-
12
Eles gritam por socorro, mas Deus não responde porque são orgulhosos e maus.
-
13
Mas é falso dizer que Deus não ouve ou que o Todo-Poderoso não vê.
-
14
“Jó, você diz que não pode ver a Deus; mas espere com paciência, pois a sua causa está com ele.
-
15
Você pensa que Deus não castiga, que ele não presta muita atenção no pecado.
-
16
Não adianta nada continuar o seu discurso; você fala muito, porém não sabe o que está dizendo.”
Recurso de Estudo
Versículos 1-8: Eliú fala sobre a conduta do homem; 9-13: Porque não são considerados os que clamam quando estão em aflições? 14-26. Eliú reprova a impaciência de Jó.
Vv. 1-8. Eliú reprova a Jó, por justificar-se a si mesmo mais do que a Deus, e dirige a sua atenção aos céus. Eles estão muito acima de nós, e Deus muito acima deles; quão fora de alcance Ele está, seja de nós, ou de nossos serviços! Não temos razão para nos queixar, se não temos o que esperamos; é melhor que sejamos agradecidos por termos algo melhor do que aquilo que merecemos.
Vv. 9-13. Jó se queixou de que Deus não considerava os gritos dos oprimidos contra os seus opressores. Não havia como conciliar isto com a justiça de Deus e seu governo. Eliú resolve a questão: os homens não advertem nem agradecem as misericórdias que desfrutam em suas aflições e sob elas; portanto, não podem esperar que Deus os livre da aflição. Ele dá canções na noite; quando o nosso estado é triste e melancólico, há na providência e nas promessas de Deus o que basta para nos sustentar e capacitar, e até para nos regozijarmos na tribulação. Quando nos concentramos somente em nossas aflições, e nos descuidamos das consolações de Deus preparadas para nós, é justo que Deus rejeite as nossas orações. Nem sequer as coisas que matam o corpo são capazes de ferir a alma. se clamamos a Deus e pedimos que nos tire uma aflição e esta é não tirada, é porque não estamos suficientemente humilhados, e não porque a mão do Senhor tenha se encurtado ou que o seu ouvido se tenha agravado.
Vv. 14-26. Como na prosperidade estamos prontos a pensar que a nossa montanha nunca será rebaixada, assim na adversidade estamos prontos a julgar que o nosso vale nunca será aterrado. concluir que amanhã será como hoje é tão absurdo como pensar que o clima, bom ou mal, será sempre assim. Quando Jó olhou para Deus, não tinha razão para falar daquela maneira. Há um dia de juízo no qual tudo o que parece equivocado será achado bom, e tudo o que parece tenebroso e torcido será aclarado e endireitado. se existir ira divina em nosso dia-a-dia, isto se deve ao fato de discutirmos com Deus, ter medo e desconfiar da providência dEle. Este foi o caso de Jó. Eliú foi dirigido por Deus a levar Jó a humilhar-se a respeito de algumas coisas nas quais ele abrira a sua boca em vão, e sobre as quais ele multiplicara palavras sem conhecimento. Que sejamos admoestados em nossas aflições, não tanto para manifestar a grandeza de nosso sofrimento, mas a da misericórdia de Deus.
Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público