• 1 Então Eliú disse:
  • 2 “Você acha certo afirmar: ‘Sou justo diante de Deus’?
  • 3 Pois você também pergunta: ‘O que eu ganho com isso? Que vantagem há em não pecar?’.
  • 4 “Responderei a você e a todos os seus amigos.
  • 5 Olhe para o céu, e veja as nuvens lá no alto, muito acima de você.
  • 6 Se você pecar, em que isso afetará Deus? Mesmo que peque repetidamente, que efeito terá sobre ele?
  • 7 Se você for justo, isso será um grande presente para ele? O que você tem para lhe dar?
  • 8 Seus pecados só afetam gente como você; suas boas ações só afetam outros humanos.
  • 9 “As pessoas clamam por socorro quando oprimidas; gritam pedindo ajuda sob a força dos poderosos.
  • 10 E, no entanto, não perguntam: ‘Onde está Deus, meu Criador, aquele que me dá canções durante a noite?
  • 11 Onde está aquele que nos torna mais inteligentes que os animais e mais sábios que as aves do céu?’.
  • 12 Quando clamam, Deus não responde, por causa do orgulho dos maus.
  • 13 É errado, porém, dizer que Deus não ouve e afirmar que o Todo-poderoso não se importa.
  • 14 Você diz que não vê Deus, mas espere, e ele lhe fará justiça.
  • 15 Você diz que Deus, em sua ira, não castiga os pecadores, e, portanto, não faz muito caso da perversidade.
  • 16 Você não sabe o que diz, Jó; fala como um tolo”.

Versículos 1-8: Eliú fala sobre a conduta do homem; 9-13: Porque não são considerados os que clamam quando estão em aflições? 14-26. Eliú reprova a impaciência de Jó.

Vv. 1-8. Eliú reprova a Jó, por justificar-se a si mesmo mais do que a Deus, e dirige a sua atenção aos céus. Eles estão muito acima de nós, e Deus muito acima deles; quão fora de alcance Ele está, seja de nós, ou de nossos serviços! Não temos razão para nos queixar, se não temos o que esperamos; é melhor que sejamos agradecidos por termos algo melhor do que aquilo que merecemos.

Vv. 9-13. Jó se queixou de que Deus não considerava os gritos dos oprimidos contra os seus opressores. Não havia como conciliar isto com a justiça de Deus e seu governo. Eliú resolve a questão: os homens não advertem nem agradecem as misericórdias que desfrutam em suas aflições e sob elas; portanto, não podem esperar que Deus os livre da aflição. Ele dá canções na noite; quando o nosso estado é triste e melancólico, há na providência e nas promessas de Deus o que basta para nos sustentar e capacitar, e até para nos regozijarmos na tribulação. Quando nos concentramos somente em nossas aflições, e nos descuidamos das consolações de Deus preparadas para nós, é justo que Deus rejeite as nossas orações. Nem sequer as coisas que matam o corpo são capazes de ferir a alma. se clamamos a Deus e pedimos que nos tire uma aflição e esta é não tirada, é porque não estamos suficientemente humilhados, e não porque a mão do Senhor tenha se encurtado ou que o seu ouvido se tenha agravado.

Vv. 14-26. Como na prosperidade estamos prontos a pensar que a nossa montanha nunca será rebaixada, assim na adversidade estamos prontos a julgar que o nosso vale nunca será aterrado. concluir que amanhã será como hoje é tão absurdo como pensar que o clima, bom ou mal, será sempre assim. Quando Jó olhou para Deus, não tinha razão para falar daquela maneira. Há um dia de juízo no qual tudo o que parece equivocado será achado bom, e tudo o que parece tenebroso e torcido será aclarado e endireitado. se existir ira divina em nosso dia-a-dia, isto se deve ao fato de discutirmos com Deus, ter medo e desconfiar da providência dEle. Este foi o caso de Jó. Eliú foi dirigido por Deus a levar Jó a humilhar-se a respeito de algumas coisas nas quais ele abrira a sua boca em vão, e sobre as quais ele multiplicara palavras sem conhecimento. Que sejamos admoestados em nossas aflições, não tanto para manifestar a grandeza de nosso sofrimento, mas a da misericórdia de Deus.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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