• 1 No ano décimo do reinado de Zedequias em Judá, que era o ano décimo oitavo do reinado de Nabucodonosor na Babilônia, o SENHOR Deus falou comigo.
  • 2 Nesse tempo, o exército do rei da Babilônia cercava Jerusalém, e eu estava preso no pátio do palácio real.
  • 3 O rei Zedequias havia mandado me prender, acusando-me de anunciar que o SENHOR tinha dito o seguinte: “Eu entregarei esta cidade ao rei da Babilônia, e ele a conquistará.
  • 4 O rei Zedequias não escapará dos babilônios, mas será entregue ao rei deles. Zedequias verá o rei da Babilônia cara a cara e falará com ele pessoalmente.
  • 5 Será levado para a Babilônia e ficará ali até que eu cuide dele. Mesmo que lute contra os babilônios, não poderá vencer. Eu, o SENHOR, estou falando.”
  • 6 O SENHOR Deus me disse
  • 7 que Hanamel, filho do meu tio Salum, ia me procurar e pedir que eu comprasse as terras dele em Anatote. Isso porque sou o seu parente mais chegado e tenho o direito de comprá-las.
  • 8 Então, exatamente como o SENHOR tinha dito, o meu primo Hanamel me procurou no pátio da guarda e me disse: — Compre as minhas terras que ficam em Anatote, no território de Benjamim. Você é o meu parente mais chegado e por isso tem o direito de comprar essas terras e ficar com elas. Aí entendi que era Deus que estava me mandando fazer isso.
  • 9 Assim comprei as terras de Hanamel e pesei o dinheiro para ele. O preço foi de duzentos gramas de prata.
  • 10 Assinei a escritura e fechei-a com um selo. Depois, chamei testemunhas e pesei o dinheiro numa balança.
  • 11 Então peguei a cópia fechada com o selo, a qual tinha o contrato e as condições, e também a cópia aberta
  • 12 e dei as duas a Baruque, filho de Nerias e neto de Maaseias. Fiz isso na frente de Hanamel, das testemunhas que assinaram a escritura e de todos os judeus que estavam sentados no pátio.
  • 13 Diante de todos eles, eu disse a Baruque:
  • 14 — O SENHOR Todo-Poderoso, o Deus de Israel, mandou que você pegue estas escrituras de compra, tanto a cópia fechada com o selo como a aberta, e as coloque num pote de barro para que durem muitos anos.
  • 15 O SENHOR Todo-Poderoso, o Deus de Israel, disse que neste país ainda serão compradas casas, terras e plantações de uvas.
  • 16 Depois que dei a Baruque, filho de Nerias, a escritura de compra, eu orei assim:
  • 17 — Ó SENHOR, meu Deus, com o teu grande poder e com a tua força, fizeste o céu e a terra. Nada é impossível para ti.
  • 18 Tens sido bondoso para milhares de pessoas, mas também tens castigado os filhos por causa dos pecados dos seus pais. Tu és o grande e poderoso Deus; o teu nome é SENHOR, o Todo-Poderoso.
  • 19 Tu fazes grandes planos e coisas maravilhosas. Tu vês tudo o que as pessoas fazem e tratas cada uma de acordo com o seu modo de agir e de viver.
  • 20 Fizeste milagres e maravilhas na terra do Egito e continuas a fazer o mesmo até hoje, tanto em Israel como em todas as outras nações. Por isso, agora és conhecido em toda parte.
  • 21 Tiraste o povo de Israel da terra do Egito por meio do teu poder e da tua força e por meio de milagres e maravilhas que encheram de terror os nossos inimigos.
  • 22 Deste aos israelitas esta terra boa e rica, como havias prometido aos seus antepassados.
  • 23 Mas, quando eles entraram nesta terra e tomaram posse dela, não obedeceram aos teus mandamentos, nem viveram de acordo com os teus ensinamentos; não fizeram nada daquilo que havias mandado. Por isso, fizeste cair sobre eles toda esta desgraça.
  • 24 — Os babilônios construíram rampas de terra em volta das muralhas da cidade a fim de invadi-la e agora estão atacando. A guerra, a fome e as doenças vão fazer a cidade cair nas mãos deles. Como vês, tudo o que disseste aconteceu.
  • 25 No entanto, SENHOR, meu Deus, tu me mandaste comprar terras na presença de testemunhas, apesar de os babilônios estarem quase tomando a cidade.
  • 26 Então o SENHOR me respondeu:
  • 27 — Eu sou o SENHOR, o Deus de toda a humanidade. Nada é impossível para mim.
  • 28 Por isso, vou entregar esta cidade ao rei Nabucodonosor, da Babilônia, e ao seu exército, e eles a tomarão.
  • 29 Os babilônios, que estão atacando, vão entrar na cidade e pôr fogo nela. Eles queimarão as casas onde o povo me tem provocado queimando incenso ao deus Baal nos terraços e derramando bebidas como oferta a outros deuses.
  • 30 Desde o princípio, o povo de Israel e o povo de Judá só têm feito coisas más. As suas maldades têm provocado a minha ira.
  • 31 Esta cidade tem provocado a minha ira e o meu furor desde o dia em que foi construída. Eu resolvi acabar com ela
  • 32 por causa de todas as maldades que têm sido feitas pelo povo de Israel e pelo povo de Judá, pelos seus reis e autoridades, pelos seus sacerdotes e profetas e pelo povo de Jerusalém.
  • 33 Eles me viraram as costas. E, embora eu continuasse ensinando essa gente, eles não escutaram, não aprenderam a lição, nem deram atenção às ameaças.
  • 34 Até ídolos horrorosos eles colocaram no Templo construído em meu nome e o profanaram.
  • 35 No vale de Ben-Hinom, eles construíram altares ao deus Baal, para ali queimar os seus filhos e as suas filhas em honra do deus Moloque. Eu não lhes dei ordem para isso e nunca pensei que eles fizessem uma coisa tão nojenta como essa e levassem o povo de Judá a pecar.
  • 36 Depois, o SENHOR, o Deus de Israel, disse o seguinte: — Jeremias, o povo anda dizendo que a guerra, a fome e as doenças vão fazer esta cidade cair nas mãos do rei da Babilônia. Agora, escute o que vou dizer!
  • 37 Vou ajuntar aqueles que na minha ira, cólera e furor eu espalhei. Eu os trarei de volta a este lugar e os deixarei viver aqui em segurança.
  • 38 Eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus.
  • 39 Eu lhes darei este único propósito na vida: temer sempre a mim, para o próprio bem deles e dos seus descendentes.
  • 40 Vou fazer com eles esta aliança eterna: nunca deixarei de lhes fazer o bem; farei com que me respeitem com sinceridade para que nunca se afastem de mim.
  • 41 Terei prazer em lhes fazer o bem e com todo o meu coração e com toda a minha alma deixarei que fiquem morando nesta terra.
  • 42 — Assim como eu trouxe esta desgraça a este povo, também lhe darei todas as boas coisas que prometi.
  • 43 Jeremias, o povo anda dizendo que esta terra vai ficar como um deserto, sem gente e sem animais, e que será entregue aos babilônios. Mas eu digo que neste país ainda se comprarão terras.
  • 44 As pessoas vão comprar, assinar escrituras, fechá-las com selos e chamar testemunhas. Isso acontecerá nas terras da tribo de Benjamim, nos povoados em volta de Jerusalém, nas cidades de Judá e nas cidades das montanhas, das planícies e da região sul. Eu trarei o povo de volta ao seu país. Eu, o SENHOR, falei.

Nomes deste capítulo

Versículos 1-15: Jeremias compra um campo; 16-25: A oração do profeta; 26-44: Deus declara que entregará o seu povo, mas promete restaurá-lo.

Vv. 1-15. Estando preso por profetizar, Jeremias compra um terreno. Isto serviria para significar que ainda que Jerusalém estivesse sitiada, e provavelmente todo o país ficaria destruído, chegaria um momento em que novamente teria casas, campos e vinhedos. Cabe aos ministros demonstrar aos demais que crêem naquilo que pregam. É bom administrar com fé até mesmo os nossos assuntos cotidianos, realizar os negócios comuns na dependência da providência e das promessas de Deus.

Vv. 16-25. Jeremias adora ao Senhor e a sua excelência infinita. Quando estivermos confusos com os métodos da providência, é bom observar os primeiros princípios. Consideremos que Deus é a fonte de todo ser, poder e vida; que com Ele nenhuma dificuldade é tal que seja insuperável; que Ele é Deus de misericórdia ilimitada, de justiça estrita e que dirige tudo para melhor. Jeremias reconhece que Deus foi justo ao permitir que lhe sobreviesse esse mal. Qualquer que seja o problema que estejamos enfrentando, seja pessoal ou público, podemos nos consolar por saber que o Senhor o está vendo, e sabe como remediá-lo. Não devemos discutir com a vontade de Deus, mas podemos procurar saber o que significa.

Vv. 26-44. A resposta de Deus revela os propósitos de sua ira contra a geração dos judeus e os propósitos de sua graça quanto às gerações futuras. o pecado, e nada mais que ele, é o que os destrói. A restauração de Judá e Jerusalém é prometida. Agora, este povo foi levado a um grande desespero, mas Deus lhes dá esperança da misericórdia, guardada para eles depois destas coisas. Sem dúvida as promessas são seguras para todos os crentes. Deus as reconhecerá como suas e se mostrará como sendo deles, e lhes dará um coração que tema. Todos os cristãos verdadeiros terão a disposição ao amor mútuo. Ainda que possam ter diferentes pontos de vista sobre as questões menores, todos serão um em relação às grandes coisas de Deus, em seus critérios sobre o mal do pecado e o mísero estado do homem caído, o caminho da salvação por meio do salvador, a natureza da verdadeira piedade, a vaidade do mundo e a importância das coisas eternas. Aqueles a quem Deus ama, ama até o fim. Não temos razões para não crer na fidelidade e na constância de Deus, mas somente do nosso coração. Ele os instalará novamente em Canaã. Com toda certeza as promessas se cumprirão. A compra de jeremias era um sinal das muitas compras que seriam feitas após o cativeiro; e estas herdades são somente fracas semelhanças das possessões da Canaã celestial, que estão reservadas para todos aqueles que possuem o temor de Deus em seus corações e não se afastam dEle. Então, suportemos as nossas provas, seguros de que alcançaremos todo bem que Deus nos tem prometido.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

Recurso de Estudo
Palavras no original
Hebraico e grego: STEP Bible (Tyndale House, Cambridge) · CC BY 4.0
Referências cruzadas
Referências cruzadas: OpenBible.info (CC BY)