• 1 Dario, filho de Xerxes , do país da Média, era rei da Babilônia.
  • 2 No primeiro ano do seu reinado, eu estava estudando os livros sagrados e pensando nos setenta anos que Jerusalém ficaria arrasada, de acordo com o que o SENHOR Deus tinha dito ao profeta Jeremias.
  • 3 Em sinal de tristeza, eu vesti uma roupa feita de pano grosseiro, sentei-me sobre cinzas, deixei de comer e orei com fervor ao Senhor Deus, fazendo-lhe pedidos e súplicas.
  • 4 Orei ao SENHOR, meu Deus, e fiz a seguinte confissão: — Senhor Deus, tu és grande e poderoso! Tu guardas a aliança que fizeste com os que te amam e obedecem aos teus mandamentos e sempre lhes dás provas do teu amor.
  • 5 Nós temos cometido pecados e maldades; fizemos coisas más e nos revoltamos contra ti; desobedecemos às tuas leis e aos teus mandamentos.
  • 6 Não demos atenção aos teus servos, os profetas, que falaram em teu nome aos nossos reis, aos nossos líderes, aos nossos antepassados, sim, a todo o povo de Israel.
  • 7 Tu, ó Senhor, és sempre justo; mas agora sentimos vergonha, nós, o teu povo, tanto os que vivem na Judeia e em Jerusalém como os que tu espalhaste pelos países de perto e de longe. Tu fizeste isso porque eles se revoltaram contra ti.
  • 8 Os nossos reis, os nossos líderes, os nossos antepassados, todos nós temos pecado contra ti, ó SENHOR, e por isso estamos envergonhados.
  • 9 Mas tu és misericordioso e estás pronto para nos perdoar, mesmo quando nos revoltamos contra ti.
  • 10 Desobedecemos à tua ordem, ó SENHOR, nosso Deus, e não seguimos as leis que nos deste por meio dos teus servos, os profetas.
  • 11 Todo o povo de Israel quebrou os teus mandamentos e não obedeceu às tuas ordens. Pecamos contra ti, e por isso fizeste cair sobre nós as maldições e as desgraças que estão escritas na Lei de Moisés, servo de Deus.
  • 12 Tu cumpriste as ameaças que fizeste contra nós e contra os nossos líderes e nos castigaste duramente. Nunca, em lugar nenhum, houve uma desgraça tão grande como a que caiu sobre Jerusalém,
  • 13 e isso aconteceu de acordo com o que está escrito na Lei de Moisés. Mas mesmo assim nós não temos abandonado os nossos pecados, nem temos nos esforçado para seguir a tua verdade; não fizemos nada para agradar ao SENHOR, nosso Deus.
  • 14 Portanto, tu, ó SENHOR, preparaste esse castigo e o fizeste cair sobre nós. Tu és o SENHOR, nosso Deus; tu és justo em tudo o que fazes, e nós não temos dado atenção às tuas ordens.
  • 15 — Ó Senhor, nosso Deus, tu mostraste o teu grande poder quando tiraste o teu povo do Egito, e a fama que ganhaste com isso continua até hoje. Mas nós temos pecado e feito o mal.
  • 16 Ó Senhor, tu és misericordioso; portanto, não continues irado e furioso com Jerusalém, que é a tua cidade e o teu monte santo. Por causa dos nossos pecados e dos pecados dos nossos antepassados, os povos de todos os países vizinhos zombam de Jerusalém e do teu povo.
  • 17 Ó nosso Deus, ouve a minha oração, atende a súplica deste teu servo. Para que todos saibam que tu, Senhor, és Deus, derrama as tuas bênçãos sobre o teu Templo, que agora está abandonado.
  • 18 Ouve, ó meu Deus, e atende a minha oração. Abre os olhos, vê a nossa desgraça e olha para a tua cidade. Fazemos os nossos pedidos por causa da tua grande compaixão e não porque sejamos bons e honestos.
  • 19 Ouve, ó Senhor! Perdoa-nos, Senhor! Atende-nos, Senhor, e vem ajudar-nos. Para que todos saibam que tu és Deus, não demores em nos socorrer, ó meu Deus, pois nós somos o teu povo, e Jerusalém é a tua cidade.
  • 20 Eu continuei a orar, e a confessar os meus pecados e também os do meu povo, e a fazer ao SENHOR, meu Deus, as minhas súplicas em favor do seu monte santo.
  • 21 Ainda estava orando quando Gabriel, o mesmo anjo que eu já tinha visto na visão, veio voando rapidamente e parou perto de mim. Eram três horas, a hora do sacrifício da tarde.
  • 22 Ele disse: — Daniel, eu vim explicar o que quer dizer a visão.
  • 23 Logo que você começou a orar, Deus atendeu o seu pedido. Deus o ama muito e por isso me mandou explicar a visão a você. Portanto, preste atenção e procure entender o que vou dizer.
  • 24 — Daniel, o castigo do seu povo e da sua santa cidade vai durar setenta anos vezes sete, até que termine a revolta, e o pecado acabe. Então o seu povo vai conseguir o perdão dos seus pecados, e a justiça eterna de Deus será feita. A visão e a profecia serão cumpridas, e o santo Templo será inaugurado de novo.
  • 25 Preste atenção, Daniel, e compreenda. Depois de ser dada a ordem para reconstruir Jerusalém, sete anos vezes sete vão passar até que chegue o líder escolhido por Deus. As novas ruas e muralhas de Jerusalém durarão sessenta e dois anos vezes sete, mas será um tempo de muito sofrimento.
  • 26 No fim desse tempo, o líder escolhido por Deus será morto injustamente. Chegará um rei com o seu exército e destruirá a cidade e o Templo. O fim virá como uma enchente, trazendo a guerra e as destruições que Deus resolveu mandar.
  • 27 Esse rei fará com muitos povos um acordo que durará sete anos; mas, quando passar metade desse tempo, ele acabará com os sacrifícios de animais e as ofertas de cereais no Templo. “O grande terror” será colocado no lugar mais alto do Templo e ali ficará até que aquele que fez isso seja destruído, conforme Deus resolveu.

Versículos 1-3: Daniel considera o tempo de seu cativeiro; 4-19: A sua confissão de pecado, e a sua oração; 20-27: A revelação acerca da vinda do Messias.

Vv. 1-3. Daniel aprendeu dos livros dos profetas, especialmente de Jeremias, que a desolação de Jerusalém duraria setenta anos, e que esta aproximava-se de seu final. As promessas de Deus servem para estimular as nossas orações, e não para torná-las desnecessárias; e quando percebemos que o seu cumprimento se aproxima, devemos rogar a Deus com maior fervor.

Vv. 4-19. Em todas as nossas orações devemos fazer ‘confissão’, não somente dos pecados pelos quais fomos culpáveis, mas de nossa fé em Deus e de nossa dependência dEle; de nossa tristeza por causa do pecado, e de nossa decisão contra ele. A linguagem de nossas convic­ ções deve ser a ‘nossa’ confissão. Aqui está a oração séria, humilde e devota de Daniel a Deus, na qual ele lhe dá a glória como Deus temível e fiel. Devemos contemplar, em oração, a gran­ deza e a bondade, a majestade e a misericórdia de Deus. Aqui há uma confissão penitente de pecados, que é a causa dos transtornos sob os quais o povo gemeu por tantos anos. Todos aqueles que queiram encontrar misericórdia devem confessar os seus pecados. Aqui há um reconhecimento da justiça de Deus que humilha o ego; e o caminho do verdadeiro penitente é sempre reconhecer, deste modo, que Deus é justo. As aflições são permitidas ou enviadas para levarem os homens a abandonarem os seus pecados e compreenderem a verdade de Deus. Aqui há uma apelação de fé à misericórdia de Deus. É um consolo saber que Deus tem sempre estado pronto para perdoar pecados. Nos dá ânimo recordar que as misericórdias pertencem a Deus, assim como é convincente e humilhante lembrarmo-nos que a justiça lhe pertence. Existem abundantes misericórdias em Deus, não somente perdão para uma trans­ gressão, mas perdão para todas as transgressões. Aqui argumenta-se acerca da reprovação sob a qual o povo de Deus encontrava-se subme­ tido, e a ruína do santuário de Deus. O pecado é uma reprovação para qualquer povo, espe­ cialmente para o povo de Deus. As desolações do santuário são tristeza para todos os santos. Aqui há um fervoroso pedido a Deus, que restaure os pobres judeus cativos aos seus pri­ vilégios anteriores. Oh, Senhor, ouça e realize a obra. Não somente escutes e fales, mas rea­ lizes a obra de que necessitamos; faça por nós aquilo que ninguém mais pode fazer; e não demores. Aqui há vários pedidos e argumentos para colocar as petições em vigor. Faça-o por amor ao Senhor Jesus; Cristo é o Senhor de todos, e por Ele Deus faz com que o seu rosto brilhe sobre os pecadores, quando se arrependem e se voltam a Ele. Em todas as nossas orações esta deve ser a nossa súplica; devemos mencionar a sua justiça, a de seu Unigénito. O fervor de fé confiado e humilde desta oração, deve ser sempre seguido por nós.

Vv. 20-27. Imediatamente foi enviada uma resposta memorável à oração de Daniel. Não esperemos que Deus envie respostas às nossas orações por meio de anjos, mas oremos fer­ vorosamente por tudo aquilo que Deus nos tem prometido, e que podemos, por fé, tomar por promessa como resposta imediata de nossas orações; aquEle que prometeu é fiel. Foi revela­ da a Daniel uma redenção muito mais grandiosa e gloriosa, a qual Deus realizaria a favor de sua Igreja nos dias derradeiros. Aqueles que desejam familiarizar-se a Cristo e sua graça de­ vem orar muito. A oferta vespertina tipificava o grande sacrifício que o Senhor Jesus ofereceria por ocasião do crepúsculo do mundo; em virtude deste sacrifício, a oração de Daniel foi aceita. E por amor a Ele, foi-lhe feita esta revelação gloriosa do amor redentor. Nos versos 24 a 27 temos uma das profecias mais notáveis a respeito do Senhor Jesus Cris­ to, de sua vinda e da salvação que Ele nos concederia. Mostra que os judeus são culpáveis pela mais obstinada incredulidade, ao esperar por um outro Messias, tanto tempo depois daquEle que foi expressamente designado para a sua vinda. Cada dia das setenta semanas representa um ano, o que resulta 490 anos. Ao final deste período, se ofereceria um sacrifício que expi­ aria completamente o pecado e produziria a justiça eterna, para a justificação completa de todo o crente. Então os judeus, crucificando o Senhor Jesus, cometeriam este crime, pelo qual a medida da culpa deles chegaria ao limite máximo, sobrevindo assim angústias à sua nação. Todas as bênçãos outorgadas ao homem pecador vêm por meio do sacrifício expiatório de Cristo, que sofreu de uma vez por todas por nossos pecados; o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus. Aqui está o nosso caminho de acesso ao trono da graça, e de nossa entrada no céu. Isto sela a profecia como um todo, e confirma o pacto com muitos. Enquanto nos rego­ zijamos nas bênçãos da salvação, devemos nos lembrar de quanto custaram ao Redentor. Como escaparão aqueles que rejeitarem uma tão grande salvação!

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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