• 1 Moisés disse ao povo: — Eu já anunciei a vocês as bênçãos e as maldições que Deus prometeu mandar. Quando ele fizer cair sobre vocês os castigos, e vocês estiverem espalhados por todas as nações onde o SENHOR, nosso Deus, os tiver jogado, vocês lembrarão daquelas bênçãos e maldições.
  • 2 Portanto, se vocês e os seus descendentes se voltarem arrependidos para Deus e com todo o coração e com toda a alma obedecerem ao que ele manda fazer, conforme as ordens que hoje eu estou dando a vocês,
  • 3 então o SENHOR, nosso Deus, terá pena de vocês. Ele os reunirá de todos os países por onde os tiver espalhado e os trará de volta à pátria.
  • 4 Mesmo que vocês estejam espalhados até os cantos mais distantes do mundo, o SENHOR, nosso Deus, os reunirá e os fará voltar
  • 5 para a terra que os antepassados de vocês tinham possuído. Ela será de vocês, e Deus os abençoará ainda mais do que abençoou os seus antepassados.
  • 6 O SENHOR, nosso Deus, dará a vocês e aos seus descendentes corações dispostos a obedecer, a fim de que o amem com todo o coração e com toda a alma e assim continuem a viver naquela terra.
  • 7 Com aquelas maldições o SENHOR Deus castigará todos os inimigos, todos os que odeiam e perseguem vocês,
  • 8 e vocês obedecerão de novo a Deus, o SENHOR, e cumprirão todos os seus mandamentos que hoje eu estou dando a vocês.
  • 9 Então Deus os abençoará em tudo o que fizerem e lhes dará muitos filhos, muitos animais e boas colheitas. Deus novamente terá prazer em fazê-los prosperar, como fez com os seus antepassados.
  • 10 Isso ele fará se vocês obedecerem ao SENHOR, nosso Deus, se cumprirem todas as suas leis e todos os seus mandamentos que estão escritos neste Livro da Lei de Deus e se voltarem com todo o coração e com toda a alma para o SENHOR, nosso Deus.
  • 11 — Os mandamentos que hoje estou dando a vocês não são difíceis de entender, nem de cumprir.
  • 12 Não estão lá em cima, no céu, de modo que vocês perguntem: “Quem subirá até o céu a fim de nos trazer os mandamentos, para os ouvirmos e cumprirmos?”
  • 13 Nem estão do outro lado do mar, de modo que perguntem: “Quem atravessará o mar a fim de nos trazer os mandamentos, para os ouvirmos e cumprirmos?”
  • 14 Pelo contrário, os mandamentos estão aqui com vocês; vocês os guardam no coração e podem recitá-los e por isso devem cumpri-los.
  • 15 — Hoje estou deixando que vocês escolham entre o bem e o mal, entre a vida e a morte.
  • 16 Se vocês obedecerem aos mandamentos do SENHOR, nosso Deus, que hoje eu estou dando a vocês, e o amarem, e andarem no caminho que ele mostra, e cumprirem todas as suas leis e todos os seus mandamentos, vocês viverão muito tempo na terra que vão invadir e que vai ser de vocês. E Deus os abençoará e lhes dará muitos descendentes.
  • 17 [17-18] Porém eu lhes afirmo hoje mesmo que, se abandonarem a Deus e não quiserem obedecer e se caírem na tentação de adorar e servir outros deuses, nesse caso vocês serão completamente destruídos e não viverão muito tempo na terra que estão para possuir no outro lado do rio Jordão.
  • 18 [17-18] Porém eu lhes afirmo hoje mesmo que, se abandonarem a Deus e não quiserem obedecer e se caírem na tentação de adorar e servir outros deuses, nesse caso vocês serão completamente destruídos e não viverão muito tempo na terra que estão para possuir no outro lado do rio Jordão.
  • 19 Neste dia chamo o céu e a terra como testemunhas contra vocês. Eu lhes dou a oportunidade de escolherem entre a vida e a morte, entre a bênção e a maldição. Escolham a vida, para que vocês e os seus descendentes vivam muitos anos.
  • 20 Amem o SENHOR, nosso Deus, obedeçam ao que ele manda e fiquem ligados com ele. Assim vocês continuarão a viver e viverão muitos anos na terra que o SENHOR Deus jurou que daria aos nossos antepassados Abraão, Isaque e Jacó.

Versículos 1-10: Promessas de misericórdia ao arrependido; 11­ 14: A valorização do mandamento; 15-20: A vida e a morte são colocados diante deles.

Vv. 1-10. Existe neste capítulo um claro anúncio da misericórdia que Deus tem reservada para Israel nos tempos vindouros. Esta passagem refere-se às advertências proféticas dos últimos versículos deste capítulo, que se cumpriram principalmente na destruição de Jerusalém pelos romanos, e em sua dispersão. Não há dúvida de que há promessas proféticas, contidas nestes versículos, que ainda estão por se cumprir. A nação judaica se converterá à fé em Cristo em algum período futuro, talvez não muito distante; e muitos crêem que se estabelecerá novamente na terra de Canaã. A linguagem que aqui se utiliza é, em grande medida, de promessas "absolutas"; não somente fruto de um compromisso condicional, mas que declara um feito que ocorrerá com toda certeza. O próprio Senhor se compromete aqui: "E o Senhor, teu Deus, circuncidará o teu coração", e quando a graça regeneradora tiver eliminado a natureza corrupta, e o amor divino tiver suplantado o amor pelo pecado, eles certamente refletirão, arrepender-se-ão, voltar-se-ão a Deus e o obedecerão. E Deus se regozijará em fazer-lhes o bem. A mudança ocasionada neles não será somente exterior, e nem uma mudança que consista apenas em opiniões, mas chegará à sua alma, produzirá neles um supremo ódio por todo o pecado e um fervoroso amor para com Deus, como seu Deus reconciliado em Cristo Jesus; eles o amarão de todo o seu coração e de toda a sua alma. Atualmente estão muito distantes deste estado mental; porém, assim estavam os assassinos do Senhor Jesus Cristo no dia de Pentecostes, os que, não obstante, em certa hora converteram-se a Deus. Assim será no dia do poder de Deus: uma nação nascerá em um dia; o Senhor o acelerará em seu tempo. Como promessa condicionada, esta passagem pertence a todas as pessoas e a todos os povos, não somente a Israel; assegura-nos que se os maiores pecadores se arrependerem e se converterem, receberão o perdão de seus pecados e serão restaurados ao favor do Senhor.

Vv. 11-14. A lei não é demasiadamente elevada para nós. Não é conhecida somente em lugares distantes, nem está restrita a homens doutos. Está escrita em nossos livros claramente, para que ainda correndo, sejamos capazes de lê-la. Está em nossa boca, na linguagem que utilizamos normalmente, para que possamos ouvi-la quando a lermos e dela falarmos a nossos filhos. Foi dada de uma tal maneira que esteja ao alcance do entendimento mais simples. Isto é especialmente correto em relação ao Evangelho de Cristo, ao qual o apóstolo o aplica. Porém, a Palavra está próxima a nós, e Cristo está nesta Palavra; de modo que se crermos em nosso coração que as promessas do Messias cumprem-se em nosso Senhor Jesus Cristo, e as confessarmos com a nossa boca, então teremos Cristo conosco.

Vv. 15-20. O que poderia ser mais comovente e que tenha maior probabilidade de causar impressões profundas e permanentes? Todo homem deseja obter vida e bem-estar, e escapar da morte e do mal; deseja a felicidade e teme a infelicidade. A compaixão do Senhor é tão grande, que por sua Palavra favoreceu os homens com o conhecimento do bem e do mal, que os faria felizes para sempre se não fosse pela própria falta deles. Ouçamos o resumo de todo o assunto. Se eles e os seus amassem a Deus e o servissem, viveriam e seriam felizes. Se eles ou os seus distanciar-se de Deus, desertarem do seu serviço e adorarem a outros deuses, isto certamente será a sua ruína. Jamais houve, desde a queda do homem, mais do que um único caminho para o céu, o qual está destacado em ambos os testamentos, ainda que não com a mesma claridade. Moisés se referia ao mesmo caminho de aceitação que Paulo descreveu claramente; e as palavras do apóstolo referem-se à mesma obediência, da qual Moisés tratou plenamente. Em ambos testamentos, aproxima-se de nós o bom e reto caminho que nos foi claramente revelado.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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