• 1 A humanidade é obrigada a lutar. A vida duma pessoa é longa e dura; os seus dias são semelhantes aos dum assalariado.
  • 2 É como um escravo que suspira pela sombra, pelo fim do dia; como um assalariado, que suspira pelo seu salário.
  • 3 A mim também me deram meses de frustração, com longas e pesadas noites.
  • 4 Quando vou para a cama penso: ‘Oh! Se fosse já de manhã!’ E assim me agito até que o Sol nasce.
  • 5 Tenho a pele cheia de vermes e de terra; A minha carne abre-se com chagas, cheias de pus.
  • 6 Os meus dias passam mais rápido que a lançadeira do tecelão que não para; um segue-se ao outro sem esperança alguma.
  • 7 Lembra-te de que a minha vida é como o vento que passa sem deixar rasto; nada fica de bom.
  • 8 Estão a ver-me, neste momento, mas não será por muito mais tempo; em breve estarão a ver apenas um morto.
  • 9 Da mesma forma que a nuvem se desfaz e desaparece, assim os que descem ao mundo dos mortos, se vão para sempre.
  • 10 Vão-se para sempre das suas famílias, dos seus lares; nunca mais serão vistos.
  • 11 Ah! Deixa-me expressar a minha angústia! Quero sentir-me livre para dizer toda a amargura que me vai na alma.
  • 12 Ó Deus, serei eu o mar ou algum grande animal marinho, para que ponhas um guarda sempre a meu lado?
  • 13 Tento esquecer a minha miséria no sono.
  • 14 Mas tu horrorizas-me com pesadelos.
  • 15 Preferia antes morrer estrangulado, a continuar a viver sempre assim.
  • 16 Desprezo a minha vida; não quero viver para sempre! Deixa-me sozinho, pois os meus dias não têm sentido.
  • 17 Que vale um simples homem, para que lhe dês tanta atenção?
  • 18 Será obrigatório que sejas o seu inquisidor logo de manhã e fiques a experimentá-lo cada momento do dia?
  • 19 Porque não me deixas só, nem mesmo o tempo de engolir a saliva?
  • 20 Feriu-te o meu pecado, ó meu Deus, guarda da humanidade? Por que razão fizeste de mim o teu alvo preferido, tornando-me a vida num pesado fardo?
  • 21 Porque não perdoas, enfim, o meu pecado e não o atiras para longe? Porque em breve jazerei debaixo da terra, morto; quando forem à minha procura, já terei desaparecido.”

Versículos 1-6: Os problemas de Jó; 7-16. Jó protesta em termos amistosos; 1 7-21: Ele pede libertação.

Vv. 1-6. Aqui Jó escusa o que não podia justificar: seu desejo de morrer. Observe o lugar presente do homem: está sobre a terra, não no inferno. Não há um tempo designado para a sua permanência aqui? Sim, certamente há, e aquEle que nos criou e nos enviou para cá é quem o determina. Durante este tempo, a vida do homem é uma luta e, como o jornaleiro, tem o trabalho do dia, para que seja feito no mesmo dia, e do qual devem dar contas à noite. Jó acreditava ter muita razão para desejar a morte, como um pobre servo que está cansado de seu trabalho e que deseja as sombras da noite, quando descansará. O sono do trabalhador é doce; nenhum rico pode satisfazer-se tanto em sua riqueza como o trabalhador em sua jornada diária. A comparação é simples; veja sua queixa: seus dias eram inúteis e há muito tempo eram assim; porém, quando não somos capazes de trabalhar para Deus, mas esperarmos nEle em silêncio, seremos aceitos. Suas noites eram inquietas. É bom considerarmos o sofrimento reservado para nós, e que pode se tornar um santo benefício. Quando temos noites confortáveis, devemos considerá-las como preparadas para nós, e sermos agradecidos por elas. o corpo de Jó fedia, mostrando que corpos vis nós temos. Sua vida se precipitava. Enquanto vivemos cada dia, deixamos um fio para traz de nós como a lançadeira, fio que muitos tecem como uma frágil teia de aranha (8.14). Porém, enquanto vivermos, vivamos para o Senhor em obras de fé e trabalhos de amor, e receberemos o benefício porque cada homem colherá o que semeou e se vestirá com a roupa que teceu.

Vv. 7-16. Verdades simples, como a brevidade, quão vã é a vida do homem e a certeza da morte, fazem-nos bem quando pensamos e falamos delas e as aplicamos a nós mesmos. Morre-se somente uma vez; portanto, é necessário morrer em Cristo, pois neste caso, um erro não pode ser remediado. outras nuvens surgem, mas as mesmas nunca regressam; assim se levanta uma nova geração de homens, enquanto a geração anterior se desvanece. os santos glorificados jamais retornarão aos afãs e pesares de seus lugares; nem os pecadores condenados retornarão às alegrias e prazeres de suas casas. cabe a nós assegurarmos um lugar melhor para quando morrermos. Destas razões Jó poderia ter extraído uma conclusão melhor que esta: Queixar-me-ei. Quando nos restam apenas uns poucos suspiros de vida, devemos gastá-los em respiros santos e bondosos de fé e oração; não nos suspiros objetáveis e danosos do pecado e da corrupção. Temos diversas razões para orar, a fim de que o guarda de Israel, que não tosqueneja nem dorme, nos guarde quando nos deitamos e dormimos. Jó anela descansar em sua sepultura. Sem dúvida, esta era a sua enfermidade, pois mesmo que um homem bom escolha a morte, e não o pecado, de qualquer maneira deve estar contente em viver enquanto Deus lhe der existência, porque a vida é a nossa oportunidade de glorificá-lo e nos prepararmos para o céu.

Vv. 17-21. Jó argumenta com Deus no tocante aos seus tratos para com o homem. Porém, em meio a este discurso, ele demonstra elevar seus pensamentos a Deus com fé e esperança. Observe a preocupação em que ele se encontra por causa de seus pecados. os melhores homens devem lamentar-se por seus erros; e quanto melhores forem, mais se lamentarão. Deus é quem preserva a nossa vida, e é o Salvador da alma de todos os que crêem. Provavelmente Jó quis dizer algo sobre o observador da alma de todos os seres humanos, cujos olhos estão sobre os caminhos e corações de todos os homens. Nada podemos ocultar dEle; portanto, declaremo-nos culpados diante do trono de sua graça, para não ser condenados no trono de seu juízo. Jó sustentou perante os seus amigos que ele não era hipócrita nem mal; porém, reconhece diante de seu Deus que pecara. o melhor dos homens deve, da mesma maneira, reconhecer o seu pecado diante do Senhor. Jó inquire como poderia estar em paz com Deus, e sinceramente roga-lhe o perdão de seus pecados. Refere-se a algo maior do que a solução de seu problema externo, e está anelante de receber de volta o favor de Deus. Onde quer que o Senhor elimine a culpa do pecado, Ele quebranta também o poder do pecado. Para fortalecer a sua oração e pedir perdão, Jó alega a perspectiva que tinha de morrer prontamente. se meus pecados não forem perdoados enquanto estou vivo, encontro-me perdido e excluído para sempre. Que desgraçado é o homem pecador sem o conhecimento do Salvador!

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

Recurso de Estudo
Palavras no original
Hebraico e grego: STEP Bible (Tyndale House, Cambridge) · CC BY 4.0