• 1 Deem graças ao SENHOR porque ele é bom, porque o seu amor é eterno!
  • 2 Que aqueles a quem o SENHOR salvou contem como Deus os salvou dos seus inimigos!
  • 3 Como tornou trazê-los dos quatro cantos da Terra, do oriente e do ocidente, do norte e das zonas do mar.
  • 4 Andaram desgarrados pelo deserto, isolados, sem um lar onde pudessem descansar.
  • 5 Andaram famintos, sedentos, desfalecendo.
  • 6 Mas clamaram ao SENHOR, na sua tribulação, e ele os livrou das suas angústias.
  • 7 Levou-os, por fim, com segurança, a um lugar seguro onde habitaram.
  • 8 Louvem o SENHOR pela sua bondade e pelas suas maravilhas para com os homens!
  • 9 Porque satisfez plenamente a alma que tinha sede, encheu de bens a alma que tinha fome.
  • 10 Quem são esses que estão sentados nas trevas, nas sombras da morte, prisioneiros da miséria, pela opressão e pela escravidão?
  • 11 Pois rebelaram-se contra as palavras de Deus e desprezaram os decretos do Altíssimo.
  • 12 Foi por isso que ele os abateu com dificuldades; caíram e ninguém houve que pudesse ajudá-los a erguerem-se de novo.
  • 13 Mas clamaram ao SENHOR, na sua tribulação, e ele os livrou das suas angústias.
  • 14 Tirou-os daquelas trevas em que estavam, daquelas sombras da morte, e quebrou as cadeias que os amarravam.
  • 15 Louvem o SENHOR pela sua bondade e pelas suas maravilhas para com os homens!
  • 16 Derrubou os pesados portões de bronze e despedaçou as barras de ferro das suas prisões; fez em pedaços as correntes que os amarravam.
  • 17 Outros houve que foram afligidos por causa das suas muitas transgressões, da loucura que os levou por caminhos de maldade.
  • 18 À força de tanto sofrerem, chegaram a definhar; nem sequer a comida lhes apetecia, ficando às portas da morte.
  • 19 Então clamaram ao SENHOR, na sua tribulação, e ele os livrou das suas angústias.
  • 20 Lembrou-lhes a sua palavra, e as suas fraquezas foram saradas; livrou-os da destruição.
  • 21 Louvem o SENHOR pela sua bondade, e pelas suas maravilhas para com os homens!
  • 22 Ofereçam alegres sacrifícios de ação de graças, e anunciem a toda a gente as suas maravilhosas obras.
  • 23 E há ainda os navegantes, os marinheiros, que atravessam de lés a lés todos esses mares, cruzando as rotas do mundo;
  • 24 Também esses, lá no mar alto, podem ver obras maravilhosas que o SENHOR fez.
  • 25 À sua ordem, podem levantar-se ventos tempestuosos que fazem erguer vagas imensas.
  • 26 Pesados navios elevam-se nas suas cristas e são mergulhados novamente no profundo abismo.
  • 27 A própria gente do mar encolhe-se de terror, cambaleando, vacilando como bêbedos, perdendo mesmo o controlo de si mesmos.
  • 28 Mas clamaram ao SENHOR na sua tribulação, e ele livrou-os das suas angústias.
  • 29 Ele faz acabar a tormenta, acalma as vagas.
  • 30 A alegria volta de novo com essa bonança; Deus leva-os até ao porto desejado.
  • 31 Louvem o SENHOR pela sua bondade e pelas suas maravilhas para com os homens!
  • 32 Como deveriam dar toda a honra a Deus, publicamente, e perante os anciãos conselheiros!
  • 33 Deus seca os rios e transforma-os em desertos.
  • 34 Transforma a boa terra num deserto de sal, por causa da maldade dos que nela habitam.
  • 35 Por outro lado, converte os desertos em terra fértil, cheia de água.
  • 36 Ele traz gente faminta para ali habitar e construir as suas cidades.
  • 37 Semeiam os campos e plantam vinhas; comem de tudo o que a terra produzir.
  • 38 É assim que Deus os abençoa e os ajuda a constituírem grandes famílias, fazendo multiplicar o seu gado.
  • 39 Vemos também que há outros que ficam pobres; em vez de progredirem, definham, abatidos pela opressão, aflição e tristeza.
  • 40 Deus lança desprezo sobre os orgulhosos; faz com que governantes acabem por vaguear entre as ruínas daquilo que possuíram.
  • 41 Contudo, aos desfavorecidos Deus os salva da opressão; no seu abrigo seguro, faz as famílias a multiplicarem-se.
  • 42 Estas coisas alegram as pessoas que são retas, enquanto os maus ficam mudos, sem palavras.
  • 43 A sabedoria consiste em prestar atenção a estas coisas, em refletir sobre a grande bondade do SENHOR!

Versículos 1-9: O cuidado providencial de Deus para com os filhos dos homens que estiverem angustiados, exilados e dispersos; 10-16: Em meio ao cativeiro; 17-22: Em meio à enfermidade; 23-32: O perigo no mar. 33-43: A mão de Deus deve ser vista por seu próprio povo.

Vv. 1-9. Nestes versos há uma referência à libertação do povo de Deus que esteve no Egito, e provavelmente à de Babilónia; porém, as circunstâncias dos viajantes nestes países também são comentadas. Raramente é possível imaginar os horrores sofridos pelos indefesos viajantes quando cruzam as areias que não têm caminhos ou estradas definidas, expostos aos raios quentes de sol. As palavras aqui descrevem o caso dos que o Senhor tem redimido da escravidão de Satanás, dos que atravessam o mundo como quem cruza um deserto perigoso e sombrio, muitas vezes prontos a desmaiar por causa das dificuldades, do medo e da tentação. Os que têm fome e sede da justiça de Deus, e que possuem comunhão com Ele, serão saciados pela bondade de sua casa, por meio de sua graça e de sua glória.

Vv. 10-16. Esta descrição de prisioneiros e cativos indica que eles estão desolados e aflitos. Nas prisões orientais, os presos eram e ainda são tratados severamente. As aflições podem ser amenizadas pela humilhação; neste caso, os que não têm os corações quebrantados e humilhados nestas situações, perderão o benefício de crescimento pessoal que estas situações poderão trazer. Esta é uma sombra da libertação do pecador, de um confinamento muito pior. o pecador desesperado descobre a sua culpa e a miséria. Após lutar em vão pela libertação, ele encontra que não há socorro para ele, senão na misericórdia e na graça de Deus. o seu pecado é perdoado pelo Deus misericordioso, e o seu perdão, pela influência santificadora e consoladora do Espírito santo, derrota o poder do pecado e do Diabo.

Vv. 17-22. Se não conhecêssemos o pecado, não seríamos atingidos pelas enfermidades. os pecadores são néscios. Causam danos à sua saúde física pela intemperança, e colocam a sua vida em perigo, a fim de satisfazerem os seus apetites. Este caminho deles é a sua característica néscia. A fraqueza do corpo é o efeito da enfermidade. Pelo poder e misericórdia de Deus somos recuperados das enfermidades, e o nosso dever é sermos agradecidos. Todas as curas milagrosas feitas pelo Senhor Jesus foram emblemas de que Ele cura as enfermidades da alma. São também aplicáveis às curas espirituais que o Espírito Santo opera por sua graça. Ele envia a sua Palavra e cura as almas. Ele convence-as do pecado, converte-as, torna-as santas, e tudo isto é realizado através da Palavra. Mesmo nos casos comuns de recuperação de períodos de enfermidades, Deus, em sua providência, fala e tudo acontece; por sua Palavra e por seu Espírito, a alma é restaurada à saúde e à santidade.

Vv. 23-32. Os que vão ao mar devem considerar e adorar o Senhor. os marinheiros têm as suas atividades no oceano tempestuoso, e aí presenciam livramentos que os demais sequer podem imaginar. Quão oportuno é orarmos nestes momentos! Isto pode nos lembrar dos terrores e angústias de consciência que muitos têm, e das cenas de problemas profundos pelos quais muitos passam em sua carreira cristã. Contudo, em resposta aos seus clamores, o Senhor transforma a sua tormenta em calmaria, e faz com que as suas provas terminem em alegria.

Vv. 33-43. Que transformações surpreendentes costumam acontecer nos negócios dos homens! Que o atual estado de desolação de Israel e de outros países explique este fato. se analisarmos o mundo, veremos que muitos crescem grandemente em seus bens e posições, apesar de terem começado pequenos. Veremos muitos que tiveram uma ascensão repentina, bem como também uma queda repentina, que os levou à miséria. A riqueza do mundo é incerta; muitas vezes os que estão abastados e enriquecidos com ela perdem-na antes mesmo de darem-se conta do que possuíam. Existem muitas maneiras pelas quais o Senhor permite que alguém empobreça. O justo se regozijará, e convencerá plenamente a todos os que negam a providência de Deus. Quando os pecadores se dão conta do modo tão justo pelo qual Deus lhes retira as dádivas de que abusaram, não têm sequer palavras para se expressar. É de grande utilidade para nós termos a plena certeza da bondade de Deus, e ser devidamente tocados por ela. É nossa sabedoria preocuparmo-nos com o nosso dever, e encomendarmos o nosso consolo a Ele. As pessoas verdadeiramente sábias guardarão este salmo em seus corações. Por esta passagem compreenderá plenamente a fraqueza e a desgraça do homem, e o poder da bondade de Deus, não por nossos méritos, mas no altar de sua misericórdia.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

Recurso de Estudo
Palavras no original
Hebraico e grego: STEP Bible (Tyndale House, Cambridge) · CC BY 4.0
Referências cruzadas
Referências cruzadas: OpenBible.info (CC BY)