Lendo…
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1
Cá estou eu no meu jardim, minha querida esposa! Colhi a minha mirra e as minhas especiarias. Comi o meu favo com o mel. Bebi o meu vinho e o meu leite. Oh! Querido e amado, come e bebe! Sim, bebe abundantemente!
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2
Uma noite, estava eu a dormir, o meu coração acordou, num sonho. É que ouvi a voz do meu amor, que estava a bater à porta do meu quarto: “Abre, minha querida, minha amada! Minha pomba sem defeito! Passei a noite toda fora e estou coberto de orvalho.”
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3
Mas eu respondi-lhe: “Já me despi, iria vestir-me de novo? Já lavei os pés, iria tornar a sujá-los?”
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4
O meu amor tentou abrir, ele próprio, o fecho da porta e as minhas entranhas estremeceram por amor dele.
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5
Saltei, por fim, da cama para lhe abrir. As minhas mãos destilavam mirra, quando puxei a fechadura da porta.
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6
Abri, então, ao meu amado, mas ele já se tinha ido embora. O meu coração parou de bater. Busquei-o por toda a parte, sem o encontrar. Chamei por ele, mas não obtive resposta.
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7
Os guardas, que faziam a ronda na cidade, viram-me e espancaram-me, deixando-me ferida; a sentinela da muralha rasgou-me o manto.
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8
Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, que se encontrarem o meu amor lhe digam que estou doente de amor.
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9
Ó mulher de rara beleza, que tem o teu amado mais do que qualquer outro, para que nos peças tal coisa?
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10
O meu querido tem uma pele de cor saudável; é elegante e melhor do que dez mil outros mais!
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11
A sua cabeça é como ouro puríssimo; tem os cabelos ondulados e pretos retintos.
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12
Os seus olhos são duas pombas, junto a uma corrente de águas límpidas e calmas.
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13
As suas faces são um canteiro de especiarias; os seus lábios, perfumados, são como lírios que gotejassem mirra!
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14
Os seus braços parecem argolas de ouro engastadas de topázios; o seu corpo é como esplêndido marfim, escrustado de safiras.
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15
As sua pernas, é como se fossem pilares de mármore, assentes em bases de ouro puro, parecem-se com os maravilhosos cedros do Líbano; não têm rival!
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16
O seu falar é doce! Sim, é todo desejável! Tal é o meu amado, o meu amigo, ó filhas de Jerusalém!
Nomes deste capítulo
Recurso de Estudo
Palavras no original
Hebraico e grego: STEP Bible
(Tyndale House, Cambridge) · CC BY 4.0
Versículos 1: A resposta de Cristo; 2-8: As desilusões da Igreja em relação às suas próprias atitudes néscias; 9-16: A excelência de Cristo. V. 1. Observe quão pronto Cristo está para aceitar os convites de seu povo. O pouco de bom que há em nós se perderia, se Ele não o preservasse para si. Também convida o seu amado povo a comer e a beber abundantemente. As ordenanças em que eles o honram são meios da graça.
Vv. 2-8. As igrejas e os crentes, por indiferença e segurança provocam a Cristo, para que Este se retire. Devemos observar as nossas asperezas e o descontrole de nosso temperamento. Cristo nos chama para despertarmos, através de sua palavra e seu Espírito, chama através de aflições e de nossa consciência (Ap 3.20). Mesmo quando não pensamos em Cristo, Ele jamais nos esquece. O amor de Cristo por nós deveria nos comprometer com Ele, até mesmo nas instâncias supremas de negarmos a nós mesmos; e somente assim seremos vencedores. As almas indiferentes tratam Jesus Cristo com marcante insolência. Outro não pode ser enviado para abrir a porta. Cristo nos chama, mas não nos importamos ou pretendemos fingir que não temos forças ou tempo, e pensamos que podemos ser desculpados. Desculpar-se é não levar Cristo a sério. Desprezam a Cristo os que não têm corações para enfrentar um golpe de frio, ou sair do leito aconchegante por amor a Ele. Observe a poderosa influência da graça divina. Com a sua mão arromba a porta, como quem se cansa de esperar. Isto é sinal da obra do Espírito Santo na alma. O crente supera a sua própria indulgência, busca com oração os consolos de Cristo e elimina todo tropeço à comunhão com Ele; estas ações da alma estão representadas pelas mãos que gotejam a mirra, docemente perfumada, sobre as maçanetas das fechaduras. Porém, o Amado fora embora! Ao ausentar-se, Cristo ensina o seu povo a valorizar, como ainda mais preciosas, as visitas de sua graça. Note que a alma chama o seu amado, Cristo. Nem toda deserção representa falta de esperança. Senhor, creio, e ainda devo dizer: "Senhor ajuda a minha incredulidade". Suas palavras me derreteram; porém, infeliz como era, ainda assim me escusei. É muito amargo pensar em sufocar e suprimir as convicções quando Deus abre os nossos olhos. A alma o buscou; não somente orou, mas usou os meios necessários, buscou-o nos caminhos onde costumava encontrá-lo. Os vigilantes me feriram. Alguns referem isso aos que aplicam mal a Palavra às consciências vivificadas. O encargo às filhas de Jerusalém parece significar o desejo do crente inquieto pelas orações do cristão mais fraco. As almas vivificadas são mais sensíveis à partida de Cristo do que a qualquer outro transtorno.
Vv. 9-16. Os que têm pouca familiaridade com Cristo podem apenas ver a beleza amável nos demais que levam a sua imagem. Há esperanças para os que começam a fazer perguntas a respeito de Cristo e sua perfeição. Os cristãos que estão bem familiarizados com Cristo devem fazer tudo o que lhes for possível, para que os demais conheçam algo sobre Ele. A glória divina o torna verdadeiramente belo aos olhos de todos os que estão iluminados para discernir as coisas espirituais. Ele é branco na inocência imaculada de sua vida; vermelho nos infortúnios sangrentos pelos quais passou em sua morte. Esta descrição da pessoa do Amado formaria, na linguagem figurativa daquela época, um retrato de beleza da pessoa e da graça de seu comportamento; porém, a precisão de algumas destas alusões pode não ser evidente para nós. Ele será glorificado em seus santos e admirado por todo o que crê. Que o seu amor nos constranja a viver para a sua glória.
Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público