• 1 Oh! Se ao menos fosses meu irmão! Poder-te-ia beijar à vontade! Fosse quem fosse que estivesse a olhar, não haveria de rir-se de mim.
  • 2 Trazer-te-ia para a casa da minha mãe, aquela que me ensinou. Dar-te-ia a beber vinho aromático e mosto das minhas romãs.
  • 3 Pôr-me-ias a mão esquerda debaixo da cabeça e com a direita me abraçarias.
  • 4 Conjuro-vos, filhas de Jerusalém, não acordem o meu amor, até que ele queira!
  • 5 Quem é esta que sobe do deserto, encostada tão aprazivelmente ao seu amado? Debaixo da macieira, onde a tua mãe te deu à luz, aí eu te acordei.
  • 6 Põe-me como um selo sobre o teu coração, grava-me como marca forte no teu braço. Porque o amor é forte como a morte e o ciúme cruel como o mundo dos mortos. Flameja como labaredas de fogo, são labaredas da chama divina.
  • 7 Nem a água toda poderia apagar este amor; tão-pouco enchentes de rios o poderiam fazer. Alguém que quisesse comprar este amor, com a riqueza toda que possuísse, não conseguiria.
  • 8 Temos uma irmã, pequenina, que ainda não tem seios. Que faremos à nossa irmã, se alguém pretender pedi-la em casamento?
  • 9 Se ela for uma muralha, construiremos sobre ela um palácio de prata; se ela for uma porta, cercá-la-emos com placas de cedro.
  • 10 Eu sou uma muralha. Os meus seios são como torres. Por isso, eu sou, aos seus olhos, como aquela que lhe traz contentamento.
  • 11 Salomão teve uma vinha em Baal-Hamom que entregou a uns rendeiros dali; cada um dava-lhe mil peças de prata.
  • 12 Quanto à minha vinha, ó Salomão, trato eu dela! Leva as tuas mil peças de prata e eu darei duzentas aos guardas que se ocupam dela.
  • 13 Ó meu amor, que habitas em jardins, os teus companheiros atentam para a tua voz! Deixa-me ouvi-la também!
  • 14 Vem depressa, meu querido! Faz-te semelhante à gazela, ao veado novo, correndo sobre montes perfumados!

Nomes deste capítulo

Versículos 1-4: O desejo de comunhão com Cristo; 5-7: A veemência deste desejo; 8-12: A Igreja pede por outros; 13,14: A Igreja ora pela vinda de Cristo.

Vv. 1-4. A Igreja quer a intimidade e liberdade constantes com o Senhor Jesus, da mesma forma que uma irmã as tem com um irmão. Que sejam como os seus irmãos, que o são quando por graça são feitos participantes da natureza divina. Cristo chega a ser como nosso irmão; onde quer que o encontremos, estejamos preparados para reconhecer nossa relação com Ele e o nosso afeto por Ele, e não temamos ser desprezados por isto. Existe em nós um desejo ardente de servir mais e melhor a Cristo? Então, o que temos armazenado para mostrar o nosso afeto pelo Amado de nossa alma? Que fruto de santidade? A Igreja encarrega a todos os seus filhos que jamais convidem a Cristo a retirar-se. jamais pensemos, quando somos tentados, em fazer algo que entristeça o Espírito.

Vv. 5-7. A Igreja judaica saiu do deserto, sustentada pelo poder e favor divinos. A Igreja de Cristo foi tirada de um estado baixo e desolado, apoiada pela graça de Jesus. Os crentes são tirados do deserto pelo poder da graça. O estado pecaminoso é um deserto no qual não há verdadeiro bem-estar; é um estado de necessidade, e vagabundo; não há saída neste deserto, a não ser quando nos apoiamos em Cristo como nosso Amado, por fé. Não apoiados em nossos próprios entendimentos, não confiantes na justiça própria, mas no poder do que é o Senhor, justiça nossa. As palavras da Igreja a Cristo, que prosseguem, constroem um lugar permanente em seu amor, e de proteção por seu poder. "Põe-me como selo sobre o teu coração"; deixa-me ter sempre um lugar em teu coração, colocar uma chancela de amor nele. A alma será assegurada disto, e depois encontrará repouso. Os que amam verdadeiramente a Cristo são zelosos em relação a tudo o que os afasta dEle, especialmente em si mesmos. Para que não aconteça que façam algo que o provoque a retirar-se deles, se amamos a Cristo, o temor de perder o seu amor ou as tentações de abandoná-lo serão sumamente penosas para nós. Não há água que possa sufocar o amor de Cristo por nós, nem qualquer negação que possa afogá-lo. Que nada abata o nosso amor por Ele. Nem a vida e nem todos os seus confortos incitam o crente para que deixe de amar a Cristo. O amor de Cristo nos capacita para resistirmos e vencermos as tentações dos sorrisos do mundo, como da mesma maneira a sua face franzida.

Vv. 8-12. A Igreja roga pelos gentios, que então não tinham a Palavra de Deus, nem os meios da graça. Os que são levados a Cristo, devem considerar o que podem fazer para ajudar o próximo a ir a Ele, sempre há bebês em Cristo, entre os cristãos, e o bem-estar de seus irmãos mais fracos é objeto de oração continua dos crentes mais fortes, se os princípios desta obra são comparados a uma parede edificada sobre Ele, como Fundamento precioso e pedra angular, então a Igreja seria como um palácio para o Rei, edificado com prata maciça, se a primeira pregação do Evangelho fosse como abrir uma porta no muro divisório, esta passagem seria duradoura, como que feita de tábuas de cedro. Ela estaria cuidadosa e eficazmente protegida, para não ser danificada. A Igreja está cheia de cuidado pelos que ainda não foram chamados. Cristo disse: Eu farei por eles tudo o que for necessário. Observe com quanta satisfação devemos olhar para traz, para as épocas e tempos em que aos seus olhos éramos como os que encontram favor; nossos corações são as vinhas que devemos manter com toda a diligência. Todos os nossos frutos devem ser dedicados a Cristo e ao seu louvor. Toda esta obra por Cristo trabalha a favor deles mesmos, e serão os extraordinários beneficiados por ela.

Vv. 13 e 14. Estes versículos encerram o diálogo entre Cristo e a sua Igreja. Ele se dirige primeiro a ela, como quem habita nos jardins, nas assembléias e nas ordenanças de seus santos. Ele a exorta a ser constante e frequente em oração, súplicas e louvores, no que Ele se compraz. Ela responde, no desejo de seu pronto retorno, para que a leve a estar totalmente com Ele. Os céus, os elevados montes de doces especiarias, devem conter a Cristo até que chegue o tempo, quando todo olho o verá, em toda a glória do mundo melhor. Os verdadeiros crentes como estes, buscam, e, assim, apressam a vinda do dia do Senhor. Que todo cristão se proponha a cumprir os deveres de sua posição, para que os homens vejam as suas boas obras e glorifiquem ao seu Pai celestial. Ao seguirmos fervorosos em oração pelo que nos falta, abundaremos nesta ação de graças e o nosso gozo será completo; nossas almas serão enriquecidas e os nossos trabalhos prósperos, seremos capacitados para esperar a morte e o juízo sem temer. Até então, ora vem Senhor Jesus.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

Recurso de Estudo
Palavras no original
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