• 1 Ai da Samaria, rodeada pelo seu rico vale, coroa orgulhosa e o deleite dos bêbedos de Efraim! Ai da sua beleza passageira, o glorioso ornamento duma nação de gente caída nas valetas das ruas, vencida pelo vinho!
  • 2 Porque o Senhor enviará um poderoso exército contra vocês; será como uma tremenda saraivada que vos cairá em cima e vos abaterá até ao chão.
  • 3 A coroa soberba, o gozo dos ébrios de Efraim, será atirada ao chão e pisada aos pés dos seus inimigos.
  • 4 A sua beleza superficial, com todo aquele fértil vale a rodeá-la, desaparecerá de repente como o primeiro figo maduro que é rapidamente colhido e engolido.
  • 5 Então, por fim, o SENHOR dos exércitos, ele próprio se tornará a sua glória, a coroa de beleza do seu povo, daqueles que escaparam.
  • 6 Ele dará aos seus juízes um grande desejo de justiça e uma grande coragem aos seus soldados, que se batem até à última gota de sangue, fazendo recuar o combate até às portas da cidade.
  • 7 No entanto, neste momento Jerusalém é governada por bêbedos! Os seus sacerdotes e os seus profetas cambaleiam, vacilam e tropeçam, cometendo erros e enganos absolutamente estúpidos.
  • 8 As suas mesas estão cobertas de vómito. Por toda a parte há sujidade.
  • 9 “Mas afinal quem pensa Isaías que é”, diz o povo, “para falar assim desta maneira? Seremos nós criancinhas que ainda mal sabem falar?
  • 10 Anda aqui a dar-nos sentenças e mais sentenças, sempre aos bocadinhos, uma linha de cada vez, em palavras muito simples!”
  • 11 Na verdade, por lábios estranhos e por outra língua falará a este povo.
  • 12 A quem disse: “Este é o lugar de descanso! Deem repouso ao que está cansado! Este é o lugar do alívio!” Mas não quiseram ouvir.
  • 13 Então o SENHOR tornará a soletrar tudo novamente para eles, repetindo uma e outra vez em palavras muito simples. Mesmo assim, com essa mensagem simples e tão direta, eles tropeçarão e cairão, serão apanhados e capturados.
  • 14 Portanto, ouçam a palavra do SENHOR, governantes escarnecedores que dominam o povo que está em Jerusalém:
  • 15 “Fizemos um pacto com a morte, uma aliança com o mundo dos mortos!”, dizem vocês. “Quando o flagelo destruidor passar não nos apanhará, porque fizemos da mentira o nosso refúgio e da falsidade um esconderijo!”
  • 16 Mas o SENHOR Deus diz: “Eis que ponho em Sião a principal pedra da construção, uma pedra segura; será uma preciosa pedra de esquina, solidamente assentada. Aquele que nele crer não ficará ansioso.
  • 17 Pegarei na linha e no prumo da justiça para verificar a verticalidade da muralha que estão a construir. A saraiva varrerá o refúgio da mentira; uma avalanche inundará o esconderijo da falsidade.
  • 18 Anularei a vossa aliança com a morte e com o mundo dos mortos, de tal forma que, quando vier o flagelo destruidor, serão esmagados.
  • 19 Essa cheia tornará a vir, uma e outra vez, arrebatando-vos, até que por fim a força inconfundível da verdade dos meus avisos vos acordará.”
  • 20 A cama que fizeram é demasiado curta para se deitarem; os cobertores são muito curtos, não vos tapam o bastante.
  • 21 O SENHOR virá de repente e com ira, como no monte Perazim e no vale de Gibeão, para fazer algo estranho e invulgar, para destruir o seu próprio povo!
  • 22 Por isso, não escarneçam mais, para que o vosso castigo não venha a tornar-se ainda mais duro; porque Deus, o SENHOR dos exércitos, me disse duma forma muito clara que está decidido a esmagar-vos.
  • 23 Ouçam-me! Ouçam o que vos quero dizer!
  • 24 Será que um lavrador passa todo o tempo a lavrar sem nunca chegar a semear? Ficará ele o tempo todo a abrir sulcos na terra sem nunca vir a plantar?
  • 25 Não será que depois de nivelar o solo, acabará por plantar sementes, os grãos de nigela e depois os de cominho, o trigo, o milho miúdo e a cevada, nos regos convenientes, e o centeio nas margens?
  • 26 Ele bem sabe o que deve fazer, porque é Deus quem o ensina e lhe faz ver como são as coisas.
  • 27 Ele não debulha todos os grãos da mesma maneira. Um malho nunca é usado sobre a ervilhaca; bate-se antes com uma vara. Não se passa uma roda debulhadora sobre cominhos; sacodem-se antes, levemente, com um pau.
  • 28 O trigo esmiuça-se facilmente, por isso, não se trilha continuamente.
  • 29 O SENHOR dos exércitos é um conselheiro maravilhoso e dá sabedoria ao lavrador.

Nomes deste capítulo

Versículos 1-4: As desolações de Samaria; 5-15: A prosperidade de Judá, com repreensão pela pecaminosidade e desobediência; 16-22: Cristo é nomeado como o firme fundamento de todos os crentes; 23-29: O tratamento de Deus para com o seu povo.

Vv. 1-4. Aquilo pelo que os homens estão orgulhosos, ainda que atenda apenas a eles, lhes é como uma coroa, e o orgulho é o precursor da destruição. Como os ébrios atuam nesciamente! os que são vencidos pelo vinho o são também por Satanás, e não há escravidão maior neste mundo do que beber em excesso. A saúde é arruinada; os homens são quebrantados em seus trabalhos e em seu património, e suas famílias são arruinadas. suas almas correm perigo de ser reprovadas paras sempre, e tudo simplesmente por satisfazer a uma luxuria vil. Esta, no povo que professa a Deus, como Israel, é pior do que em qualquer outro. Ele é justo ao tirar a abundância daqueles que dela abusam. A abundância da qual se orgulham é apenas uma flor que murcha; é como o fruto temporão, cortado e comido tão rapidamente quando descoberto.

Vv. 5-15. Após isto o profeta retorna a Judá, a qual chama de resíduo de seu povo. Felizes os que se gloriam somente no Senhor dos exércitos. É daí que o seu povo tem sabedoria e força para todo o serviço e luta, e somente em Jesus, o santo Deus se comunica com o pecador. Se os que ensinam estão embriagados com o vinho, ou intoxicados com falsas doutrinas e noções acerca do reino, e da salvação que é proporcionada pelo Messias, não somente erram, mas também desviam multidões. Todos os lugares onde estas pessoas têm ensinado estão cheios de erros. Para a nossa instrução a respeito das coisas de Deus, é necessário que o mesmo preceito e a mesma linha nos sejam repetidas muitas vezes, a fim de entendê-las melhor. Deus, por sua Palavra, nos chama para aquilo que realmente é para nosso proveito; o ensino de Deus é o único repouso verdadeiro para os cansados de servir ao pecado, e não existe descanso senão debaixo do suave jugo do Senhor Jesus. Tudo isto surtiu pouco efeito no povo. os que não entendem o que é claro, antes zombam e o desprezam como vil e fútil, serão justamente castigados. Se temos paz com Deus, fizemos um pacto que tem poder sobre a morte; quando ela vier, não poderá nos fazer nenhum dano real se realmente formos de Cristo. Porém, é absurdo pensar em fazer da morte nossa amiga, se por causa do pecado estivermos fazendo de Deus nosso inimigo. Aqueles que confiam em sua própria justiça ou em um arrependimento no leito da morte, transformam o seu refúgio em uma grande mentira, pois tomam uma decisão de não mais pecar quando já não podem mais fazê-lo.

Vv. 16-22. Aqui há uma promessa de Cristo como único fundamento para a esperança de escapar da ira vindoura. Este fundamento foi lançado em Sião, nos conselhos eternos de Deus, e é a rocha firme e capaz de sustentar a sua igreja. É a provada, escolhida e aprovada por Deus, e nunca falhou com aqueles que a provaram. Uma pedra angular, que une todo o edifício e sustenta todo o peso, preciosa aos olhos do Senhor e de todo o crente; um fundamento seguro sobre o qual podemos edificar. Em qualquer época ou nação, não será confundido aquele que crê neste testemunho e coloca todas as suas esperanças e a sua alma sobre este fundamento. o resultado justo da fé em Cristo é sossegar e acalmar a alma até que os sucessos sejam, no tempo certo, ordenados por aquEle que possui todos os tempos e poder em suas mãos. Serão insuficientes qualquer proteção na qual os homens confiem para a sua justificação, que não seja a justiça de Cristo, ou sabedoria, força e santidade que não sejam do Espírito Santo, ou felicidade que não seja o favor de Deus. Aqueles que descansam em uma justiça própria enganam-se a si mesmos: a cama é muito curta e as cobertas muito estreitas. Deus será glorificado no cumprimento de seus conselhos. Se os que professam ser membros da igreja de Deus se fazem como filisteus e cananeus, devem esperar ser tratados como tais. Então, não ousem ridicularizar as repreensões da Palavra de Deus ou os anúncios de juízos.

Vv. 23-29. O agricultor se aplica à sua tarefa com dores e prudência, conforme a natureza dela. Assim, o Senhor que tem dado a sabedoria aos homens é maravilhoso em conselho e excelente em seu trabalhar. Conforme requeira a situação, Ele ameaça, corrige, salva, mostra misericórdia ou executa vingança. As aflições são os habituais instrumentos que Deus permite para nos soltar do mundo, separar-nos daquilo que está em nós e não convém, e preparar-nos para ser usados. Deus as fará proporcionais à nossa força; não serão mais pesadas do que o necessário. Quando o seu fim for alcançado, as provas e os sofrimentos de seu povo cessarão, seu trigo será reunido no celeiro e a palha será queimada com o fogo que nunca se apaga.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

Recurso de Estudo
Palavras no original
Hebraico e grego: STEP Bible (Tyndale House, Cambridge) · CC BY 4.0
Referências cruzadas
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