• 1 Balaão disse para o rei: “Levanta sete altares aqui e prepara sete novilhos e sete carneiros para serem sacrificados.”
  • 2 Balaque fez como este lhe dissera e foi sacrificado em cada altar um novilho e um carneiro.
  • 3 Então Balaão disse para o rei: “Fica aqui junto do holocausto e verei se o SENHOR vem ao meu encontro. O que ele me disser, comunicar-to-ei.” Depois foi a um sítio mais elevado;
  • 4 lá Deus encontrou-se com ele e Balaão disse-lhe: “Preparei sete altares e sacrifiquei um novilho e um carneiro em cada um.”
  • 5 E o SENHOR comunicou-lhe a mensagem que deveria transmitir a Balaque.
  • 6 Quando Balaão regressou, o rei estava de pé ao lado dos holocaustos, com todos os altos conselheiros de Moabe.
  • 7 Esta foi a mensagem que Balaão lhe trouxe: “O rei Balaque, rei de Moabe, trouxe-me aqui desde a terra de Aram, desde as montanhas lá do oriente. ‘Vem’, disse, ‘amaldiçoa-me Jacob!’
  • 8 Como poderei eu amaldiçoar o que Deus não amaldiçoou? Como detestarei um povo que o SENHOR não condena?
  • 9 Estou a vê-lo do alto do monte, observo-os do cimo da montanha. Este povo é separado das outras gentes; quer viver sem se misturar com outros, com outras nações.
  • 10 Quem contou os grãos de pó de Jacob ou enumerou a quarta parte de Israel? Se ao menos eu pudesse morrer tão feliz como morre um justo! Se o meu fim pudesse ser como o deles!”
  • 11 “Mas o que é que me fizeste?”, exclamou o rei Balaque. “Disse-te para amaldiçoares os meus inimigos e acabaste por abençoá-los!”
  • 12 Mas Balaão replicou: “Posso eu falar seja o que for que o SENHOR não me mande dizer?”
  • 13 Então Balaque tentou novamente: “Vem comigo a outro lugar; dali verás apenas uma parte de Israel: amaldiçoa ao menos só esses que vires!”
  • 14 Então Balaque trouxe Balaão até aos campos de Zofim, subiu ao monte Pisga, levantou sete altares e ofereceu um novilho e um carneiro em cada um.
  • 15 Balaão tornou a dizer ao rei: “Fica aqui, junto dos holocaustos, enquanto vou ali encontrar-me com o SENHOR.”
  • 16 E de novo o SENHOR veio ter com Balaão e lhe disse o que devia proferir.
  • 17 Por isso, regressou até onde estava o rei e os conselheiros moabitas, ao lado dos holocaustos. “Que foi que te disse o SENHOR?”, perguntou o rei ansioso.
  • 18 E a sua resposta foi: “Levanta-te, Balaque, e ouve. Escuta-me tu, filho de Zípor.
  • 19 Deus não é um homem para que possa mentir. Ele não muda de intenções como fazem os seres humanos. Alguma vez ele prometeu uma coisa sem que tenha cumprido o que disse?
  • 20 Ouve! Recebi ordem para os abençoar, porque é Deus mesmo quem abençoa, e não seria eu quem poderia alterar tal coisa!
  • 21 Ele não vê desgraça em Jacob; nem contemplará algum sofrimento em Israel. O SENHOR, o seu Deus, está com eles. Ele é aclamado como seu Rei!
  • 22 Deus o tirou do Egito. Israel tem a força de um boi selvagem.
  • 23 Não há maldição que possa ser lançada sobre Jacob. Não há encantamento que consiga virar-se contra Israel. Porque desde agora será dito de Jacob e de Israel: ‘Quantas maravilhas Deus fez por eles!’
  • 24 Este povo levanta-se com o impulso de uma leoa. Não descansarão enquanto não tiverem devorado a presa toda, e enquanto não tiverem bebido todo o sangue!”
  • 25 “Ao menos, já que não os amaldiçoas, não os abençoes!”, exclamou o rei.
  • 26 Mas ele replicou-lhe: “Não te disse eu que havia de falar apenas o que o SENHOR me dissesse?”
  • 27 Então Balaque insistiu: “Vou levar-te ainda para outro lugar. Talvez Deus te deixe amaldiçoá-los ali.”
  • 28 Balaque levou Balaão para o cimo do monte Peor, sobranceiro ao deserto.
  • 29 Balaão disse ao rei para construir sete altares e para sacrificar sete novilhos e sete carneiros.
  • 30 Balaque fez conforme essa indicação e ofereceu os animais nos altares como anteriormente.

Nomes deste capítulo

Versículos 1-10: O sacrifício de Balaque; Balaão pronuncia uma bênção, ao invés de uma maldição; 11-30: A desilusão de Balaque e o segundo sacrifício; Balaão volta a abençoar Israel.

Vv. 1-10. com os acampamentos de Israel a plena vista, Balaão ordenou que fossem construídos sete altares, e que fossem oferecidos em cada um deles um novilho e um carneiro. Essa é a estupidez da superstição, a qual imagina que Deus estará às ordens dos homens! A maldição é transformada, com amor, em bênção para Israel, pelo poder envolvente de Deus. O Senhor decidiu dividir a sua própria glória com Balaão e, portanto, enfrentá-lo. Se Deus colocou palavras nos lábios de Balaão, que desafiara ao Senhor e a Israel, seguramente Ele não faltará aos que desejam glorificá-lo e edificar o seu povo; a estes lhes será concedido o que devem dizer. O que abriu a boca da jumenta fez com que Balaão pronunciasse palavras tão contrárias ao desejo de seu coração, como as palavras da jumenta eram para a capacidade dela como animal. O milagre foi muito grande tanto em um caso como no outro. Balaão declara que Israel está e estará a salvo. Reconhece que não é capaz de fazer mais do que o permitido por Deus. Ele os declara como bem-aventurados em sua distinção em relação às demais nações. Bemaventurados em seu número, que nos fazem dignos de honra e formidáveis. Bem-aventurados em seu final. A morte é o fim de todos os homens ; até o justo deve morrer, e é bom que pensemos neste assunto a respeito de nós mesmos, como Balaão o faz aqui, ao falar de sua própria morte. Ele declara o justo como verdadeiramente abençoado não somente enquanto vive, senão quando morre; o que torna a morte dele ainda mais desejável do que a própria vida. Existem muitos que desejam que a sua morte seja como a dos retos; no entanto, não desejam viver como justos; estariam felizes por terem um fim como o deles, mas não um caminho como o deles. Querem ser santos no céu; porém, não o querem ser na terra. Este dito de Balaão é somente um desejo; porém, não é uma oração; é um desejo vão, por ser somente um desejo referente ao final, sem nenhum interesse pelos meios. Muitos procuram aquietar a sua consciência com a promessa de uma correção futura ou ter alguma falsa esperança, enquanto desprezam o único caminho da salvação pelo qual um pecador pode tornar-se justo diante de Deus.

Vv. 11-30. Balaque estava irado com Balaão. Deste modo, extrai-se de um profeta mau uma confissão do poder envolvente de Deus para a confusão de um príncipe mau. Pela segunda vez a maldição é transformada em bênção; e esta bênção é mais ampla e mais poderosa do que a primeira. Os homens mudam de idéia e quebram a sua própria palavra, mas Deus jamais muda os seus propósitos; portanto, nunca revoga as suas promessas. Quando é dito nas Escrituras que Deus se arrepende, não significa alguma mudança de seu 'propósito', mas somente uma mudança de seu 'modo'. Houve pecado em Jacó e Deus o viu; porém, as atitudes de Jacó não chegaram a um ponto que Deus o entregasse à ruína. Se o Senhor vir que confiamos em sua misericórdia e aceitamos a sua salvação, que não nos entregamos a concupiscências secretas e que não continuamos em rebelião, mas procuramos servi-lo e glorificá-lo, podemos ter a segurança de que Ele nos contempla como aceitos em Cristo, e de que todos os nossos pecados estão perdoados. As maravilhas da providência e da graça, as maravilhas do amor redentor, da misericórdia perdoadora do Espírito Santo, que faz novas todas as coisas! Balaque não tinha esperanças de arruinar Israel, e Balaão demonstrou que ele tinha mais razão para temer que eles o assolassem. Como Balaão não disse o que Balaque quisera, este desejava que o profeta não dissesse coisa alguma. Os desígnios do coração humano podem ser muitos, mas os conselhos de Deus prevalecerão. Os desígnios humanos, porém, decidem fazer uma nova tentativa, ainda que não tivessem uma promessa sobre a qual pudessem edificar as suas esperanças. Oremos fervorosamente, nós que temos a promessa de que, ao final, a visão falará e não mentirá (Lc 18.1).

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

Recurso de Estudo
Palavras no original
Hebraico e grego: STEP Bible (Tyndale House, Cambridge) · CC BY 4.0
Referências cruzadas
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